Sakuran (2006)

“Don’t f*** with me”

Minha resenha de estréia aqui no Le Matinée! Primeiramente, agradeço ao convite da Natália Xavier para contribuir com o blog, daqui pra frente vou escrever algumas resenhas sempre que houver algum filme interessante pra comentar =D

Minha primeira escolha é um filme japonês chamado Sakuran. O filme é baseado em um manga de mesmo nome, foi lançado no Japão em 2007 e é o trabalho de estréia como diretora da conceituada fotógrafa japonesa Mika Ninagawa. O filme é uma versão moderna (e muito colorida!) de um dos símbolos culturais mais clássicos do Japão: as gueixas.

O filme se passa durante a Era Edo (período da história do Japão que vai de 1603 a 1868) no famoso distrito de prostituição de Yoshiwara (que existiu de verdade!).

Ainda quando criança, Kiyoha (embora esse não seja o seu nome verdadeiro) é vendida por sua mãe para os proprietários de um dos antros de prostituição de Yoshiwara e, a partir de então, ela passa por um treinamento para se tornar uma gueixa. Durante o decorrer do filme, Kiyoha ganha diferentes nomes, que representam a sua posição hierárquica perante as demais gueixas do antro.

Por nunca ter aceitado o fato de ter sido vendida por sua mãe, Kiyoha mostra-se uma aprendiz extremamente rebelde, não obedecendo as regras do local e deixando a clientela a desejar. Sim, em alguns casos ela se recusa a fazer sexo com os clientes mais importantes (leia-se, rico$) que frequentam o local.

Apesar da rebeldia, Kiyoha acaba se destacando dentre as demais gueixas por sua beleza e atitude, tornando-se a gueixa mais requisitada pelos clientes. Isso gera uma rivalidade entre Kiyoha e a oiran do estabelecimento, que vê seu posto de gueixa-mor ameaçado.

Pra somar ainda mais à rebeldia de Kiyoha, ela se apaixona por um dos clientes e depara-se com a impossibilidade de amar alguém.

O título do filme é um trocadilho com as palavras “Sakura” (flor de cerejeira) e “Oiran” (gueixa de maior nível). No antro onde Kiyoha vive e trabalha há uma árvore de cerejeiras que nunca floresceu, Kiyoha então promete a si mesma que o dia em que a árvore florescer será o dia em que ela deixará o antro.

O filme é muito interessante por mostrar esse lado obscuro do mundo das gueixas nipônicas, que eu particularmente sempre achei muito curioso. Nesse sentido, acredito que o filme deve assemelhar-se com Memórias de Uma Gueixa (2005), mas esse eu ainda não assisti. Fiz algumas pesquisas prévias e pelo que eu notei das opiniões de pessoas que assistiram os dois filmes, Sakuran parecer ser um pouco menos romântico do que Memórias de Uma Gueixa.

É um tanto bizarro e chocante assistir à cena onde as gueixas são expostas aos homens, como se estivessem em uma vitrine de uma loja, e ouvir os comentários dos dois lados: quem está de fora e quem está de dentro da “vitrine”.

A fotografia e direção de arte mereciam uma resenha à parte, pois foi o principal motivo pelo qual me despertou interesse pelo filme (pois eu não li o manga original). Como mencionado anteriormente, esse é o primeiro trabalho como diretora da fotógrafa Mika Ninagawa, conhecida por suas fotografias de cores tão vivas que deixaram até o diretor espanhol Pedro Almodóvar impressionado.

O filme todo é um atrativo aos olhos. Absolutamente todas as cenas são visualmente impecáveis, e não é exagero! As cenas parecem saltar dos trabalhos fotográficos de Ninagawa, a diretora conseguiu com êxito transceder a beleza exótica do mundo das gueixas para as telonas.

Uma das marcas registradas da diretora é o uso de peixes dourados (kingyo em japonês, goldfish em inglês). Segundo a oiran do estabelecimento, ao retornarem ao rio, peixes dourados tornam-se carpas, e que somente mantendo-os aprisionados em aquários é possível conservar a sua beleza. Essa comparação é usada pela oiran para justificar o aprisonamento de Kiyoha, e durante todo o decorrer do filme os tais peixes dividem cena com os personagens. Logo na entrada do antro, na fachada, tem-se um grande aquário com muitos peixes dourados. Os impressionantes enquadramentos de Ninagawa fazem paracer que os peixes voam sobre a cena. Mais alguns segundos e Ninagawa nos revela que se trata apenas de um truque de primeiro e segundo plano com o aquário onde os peixes habitam.

Outro fator interessante é a feminilidade da produção, que teve a direção, roteiro e trilha sonora feitos por mulheres, sem contar o elenco que é composto em sua maioria por mulheres. Progesterona pura!

Por outro lado, o filme comete o mesmo “erro” da maioria dos filmes japoneses: a lentidão. Embora visualmente incrível, a direção é extramente devagar, as cenas correm em uma certa marcha lenta, porém típica dos filmes orientais. Talvez esse ritmo seja proposital para o expectador melhor apreciar o visual das cenas, mas particularmente eu gostaria de um pouco mais de dinamismo.

Para os amantes de uma bela direção de arte e fotografia, eu mais do que recomendo!

Deixo aqui também o site dessa talentosíssima fotógrafa, da qual eu já virei fã =D

http://www.ninamika.com/

Trailer:

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7 pensamentos sobre “Sakuran (2006)

  1. Sua resenha está muito boa, mas Oiran e Gueixa são duas coisas diferentes. Gueixas são acompanhantes e Oirans são prostitutas de alta classe, as Gueixas surgiram no mesmo período em que as Oirans e até foram proibidas pelo governo de ter relações sexuais com seus clientes.
    As Oirans viviam muito isoladas e eram de difícil acesso para todos, enquanto a Gueixa poderia acompanhar qualquer um, isso fez com que todos se esquecessem dessas cortesãs, provocando sua queda.

  2. Elas não são gueixas, são oiran e prostitutas mostradas no filme, essas sim vendem serviços sexuais e usam aquele tipo de quimono colorido de obi amarrado na frente frente. Gueixas não fazem sexo com o cliente e usam kimonos simples com obi ammarado para tras. São profissões bem diferentes no sentido sexual, a unica parte em que são parecidas são os costumes e educação delas, fora isso, são totalmente diferentes.

  3. Parece ser um filme muito bom, adoro filmes orientais… na verdade eu tenho uma queda muito forte por japonesas, esse é o maior motivo, hahaha

    Bom vou ver se eu alugo, beijos e abraços!

  4. O cinema japonês sempre me atraiu, Chibi, desde que vi “Dodeskaden”, de Akira Kurosawa. Também faço essa restrição que você nota, quanto à lentidão de certos filmes orientais. Mas, creio que se trata apenas de uma maneira de se refletir sobre determinada cena, bem à moda japonesa.
    Grande abraço!

    Nanah, como sempre você faz um trabalho de primeira no design dos blogs que cria. Deu um novo banho aqui! E, pra minha alegria, vejo que você é viciada em cinema, como eu.
    Bjoo!!

  5. Aeeee mandou muitíssimo bem!

    Onde acho esse filme agora? Quero assistir! hahahaha

    Não sabia dessa história do Kingyo! Ela é bonita e triste ao mesmo tempo, não?

    Pelas fotos postadas, dá pra ver que a fotografia deste filme são realmente notáveis: saturação 100% ♥

    Parabéns pelo post! Amei!

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