Toy Story 3 (2010)

“There’s a snake in my boot!”



Em Toy Story 3 você encontra tudo que uma animação, ou qualquer trama deve possuir: Existe uma aventura envolvente, personagens cativantes, sem exceções, momentos tensos, momentos hilários, saudade, amizade, e enfim, toda a trama flui de uma forma, de modo que você não imagina, como que tudo vai terminar. Foge dos clichês de histórinhas onde o malvado fica de coração mole e muda a casaca no final. Foge de tudo aquilo que já vimos, porque mais uma vez a Pixar (assim como em Up!) te dá mais do que uma história e uma animação: te dá um ensinamento metafórico, sobre as coisas da vida que realmente importam.

Explicando brevemente a sinopse (para quem ainda não viu), Andy já cresceu e está preparando tudo para ir a faculdade. Há anos que ele não brinca com seus brinquedos estimados, e chega a hora de decidir o que será levado para a faculdade, o que irá para o sótão e o que irá para o lixo.

Entre contratempos e confusões, Woody vai pra caixinha da faculdade, enquanto todo o resto, destinado para o sótão, acaba indo do lixo para uma creche, a Sunnyside. Novos personagens surgem, como a Barbie, o Ken (um dos personagens responsáveis por várias cenas engraçadissímas, esbanjando sua metrossexualidade e “glamour”), e o ursinho felpudo que cheira a morangos, Lotso.

Lotso é o que coordena toda a bagaça lá na creche, e acaba monopolizando e criando uma política de ditadura. Coloca todos os recém chegados brinquedos de Andy, na sala das crianças mais novas que detonam os coitados.

Dentro dessa história toda, tem ainda a coisa mais fofa que a Pixar conseguiu criar: Boonie. Uma menininha, vizinha de Andy, que estuda na creche e é tão educadinha que chega a ser surreal. O mais legal, é que quando Woody (que se recusa a ficar na creche com esperanças de voltar para Andy) fica um dia na casa de Bonnie, você tem uma impressão que a história será de uma forma totalmente diferente do que acaba sendo. E nem por isso chega a ser (de forma alguma) decepcionante. Pelo contrário, é surpreendente bonito.

A amizade e a união entre os brinquedos, assim como muitíssimas referências da infância de muitos que assistem, faz te dar uma saudade, e porque não, até chorar da infância que foi, e dos nossos brinquedos que se não foram pro sotão, acabaram no lixo há muito tempo. O abandono destes brinquedos nossos, inanimáveis pode não significar coisa alguma, mas em Toy Story onde brinquedos falam e tem sentimentos, eles dizem a você que o abandono na verdade, foi de sua própria infância.

Ao fim, não dá pra explicar o quão emocionante é ver Andy se dar conta disto por um breve momento, quando vai brincar com Bonnie e resolve doar todos seus brinquedos para ela, contando características relevantes de cada um, e ainda exprimindo um breve apego maior quando se dá conta que Woody (o único que havia sido reservado para a faculdade) também estava na caixa de doação. O carinho que Bonnie recebe todos, dá uma conclusão lógica e perfeita para a animação toda, pois não seria satisfatório todos os bonecos irem para o sótão, ou mesmo ficar na creche, bem como não faria sentido, Andy ignorar sua nova fase e levar todos os brinquedos. Mas, aqueles breve minutos de Andy brincando com Boonie, traz uma clara relação sobre a criança que ainda somos.

Há diversas relações durante a animação toda, e como sempre, a Pixar sabe brincar de modo exemplar com a linguagem cinematográfica, quando o palhaço frustrado começa a contar como Lotso se tornou um ursinho ruim.

Melhor ainda, é colocar como um dos “vilões” ajudantes, uma boneca (daquelas demoníacas que até onde sei, toda criança morria de medo, que quando deitava o treco fechava os olhos!) toda riscada, com um olho já fechado. Foi uma sacada e tanto!

Por fim, para não me estender em demasia aqui, ainda temos cenas hilárias com o Buzz em modo espanhol, todo caliente pro lado da Jessie e que ainda finaliza o longa com a música tema da trilogia, “You Got a Friend In Me”, regravada numa versão latina, por nada mais nada menos que os Gipsy Kings!

Quanto a animação inicial, (Night and Day) aqueles curtas que sempre tem no começo de uma animação da Pixar, ela além de te passar um conceito muito bonito e os antagonismos e relações da noite e do dia, mostra que não é preciso ser sempre tudo em 3D pra mostrar o quanto o estúdio é simplesmente um dos melhores no quesito de dar alma e carisma em praticamente tudo que escolherem. O curta esbanja uma trama simples e atrativa (como sempre é seu objetivo), com gráficos muito bons, e uma linguagem mais simples, minimalista, quase em 2d até.

Concluindo, Toy Story 3 me fez sair do cinema com uma saudade desgraçada dos meus 10 anos, e dos meus brinquedos que sabe se lá onde estão…

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12 pensamentos sobre “Toy Story 3 (2010)

  1. SIMPLESMENTE ÚNICO!

    Saí emocionado e contagiado pelo ritmo, roteiro e produção do filme – como pôde ser tão perfeitinho? sim, Toy Story 3 consegue ser mais criativo e mais humano que os dois primeiros, sem dúvida coloca no chinelo as chatices repetitivas de Shrek e é mais digno, prazeroso e mais legal que outras animações por aí.

    Achei muito bom mesmo a maneira como coloca a questão dos brinquedos – buscam, mais que tudo, o afeto dos humanos; querem atenção e não querem ser esquecidos jamais pelos seus donos – estes, inevitavelmente, crescem e tem que lidar com escolhas também.

    O roteiro é muito bem dosado – é mais ousado na parte de delinear detalhes da vida e motivação do urso roxo…da forma como recria os diálogos e entrosamento de Woody e cia; da maneira como toca em nós nas cenas finais de Andy despedindo-se dos brinquedos…na maneira como a ação se desenrola com o humor…nunca ri tanto e, confesso aqui, que chorei no final…me arrepiei sim…e saí apaixonado!

    Fiquei feliz mesmo! Toy Story fez parte de minha infancia, e pelo visto será definitivo pra toda vida!

    bjs!

  2. Ah também quero ver! adoro desenhos, pois são eles que me fazem sentir ainda criança, com aquela euforia de tudo ser mágico, sem preocupações e sem problemas.
    Já deu saudadee =T

    Ótima resenha!

  3. Poxa…o precursor das animações em 3d e eu nunca assisti inteiro nem o primeiro, logo eu que tanto gosto, o legal é que agora as animações 3D são realmente em 3D, a Nat faz muita propaganda dos filmes mesmo…e agora nat?…vai ter q pagar uma sessão pra gente..rs

  4. Eu cheguei na sessão já tava no finzinho do curta “Night & Day” =/

    Sobre Toy Story, foi muito nostálgico! Adorei o bebezão, muito creppy!! hauhauhauha Senti muita falta do Sid! Pô, como assim? Imagina ele com 17 anos como deveria estar? rs

    Eu achei esse filme muito dramático, eu fui pra assistir pensando em rir do começo ao fim. Teve momentos que eu pensei “Nossa, isso é mesmo Toy Story? Total “angst”.

    Mas não to criticando, filmes da Disney são assim, eles te fazem rir e te fazem chorar.

    Adorei a versão espanhol do Buzz tb! Morri de rir quando ele falo “El vaqueiro! D<"

    • hahahahaha é verdade! Sou suspeita pra falar porque adoro um drama!

      Nossaaaa o Sid! Acho que não mostrou porque o futuro dele nao deveria ter sido tao promissor! hehehehe.

  5. Nat! Ahhhh eu quero muito ver! E quero muito ver o Ken metrossexual, pois sempre quando era pequena eu olhava meu ken e pensava “será que meu marido vai ser tão lindo quanto ele”? e a vida me ensinou que “muito provavelmente não” hahahahaah… quero sair do cinema com o olho cheio de água de saudade de quando minha alegria era apenas montar toda a casinha da barbie e no fim eu ficava tão cansada qnd terminava de montar que nem chegava a brincar mais e guardava tudo de novo…

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