Direito de Amar (2009)

“For the first time in my life I can’t see my future. Everyday goes by in a haze, but today I have decided will be different.”

A minoria é invisível aos olhos da maioria quando não se tornam ameaça e alvo do medo da sociedade. Por sob esta teoria, o professor George (Colin Firth) dá aula para seus alunos, em seu último dia de vida. Após o trágico acidente de seu companheiro Jim, do qual viviam juntos há 16 anos, George, decidira após 8 meses que não queria mais viver, porque não havia mais nada que ser vivido. Com seu verdadeiro amor, se foi toda a graça da vida, o desejo pelo presente e o que ele vale a cada momento.

Conheci este filme pelo blog Cultura Intratecal, e fiquei curiosa com os elogios da resenha, dai tive que ir conferir. E a conclusão é que era exatamente o que no blog dizia: Um dos melhores filmes do ano.

Direito de Amar, do estilista (estreiando como diretor) Tom Ford, se passa na década de 60, com um ar todo vintage, e a belíssima Julianne Moore ainda, fazendo o papel de amiga de longa data de George que não é capaz de fazê-lo gostar de viver, considerando que seu amor por ela não tem a mesma intensidade do que por Jim.

Durante todo o filme, você assiste ao último dia que George decide viver. Acorda de manhã, vai dar aula, conversa com o enigmático aluno que passa a persegui-lo ao notar que George não estava legal. George secretamente organiza tudo para que a noite possa  suicidar-se.

Entretanto, a cada único momento do presente, ele passa a notar certas simplicidades, algumas até que lembram Jim, e mostra certa beleza num cotidiano aparentemente infeliz. E tudo isso é notado com a câmera lenta, e uma bela saturação repentina em cada coisa que faz tocar o coração de George. Eu confesso, que foi uma das coisas mais lindas que vi através de técnicas cinematográficas, um filme mostrar. Tudo é com baixa saturação e certos detalhes como uma flor, ou até mesmo a menina de vestido azul faz tudo ficar num colorido mais forte, numa lentidão como se o tempo parasse para que se possa experimentar cada detalhe da vida. Belíssimo.

E toda a trilha sonora encaixa perfeitamente nas cenas, como uma mescla perfeita audiovisual. Para ter uma idéia de tal afirmação, na cena que mostra como George conheceu Jim numa das últimas lembranças que George tem, toca-se ao fundo, no bar “Blue Moon” de Billie Holliday… Apaixonante não? E a letra… tudo a ver com o contexto!

Eu não posso dizer o final, claro. Mas, pra mim, Direito de Amar trouxe um roteiro diferente a seu estilo, com uma certa ironia e com um significado expresso em cada cena. Tudo é apaixonante, delicado, aparentemente melancólico até que se provou o contrário. Me pergunto porque este tipo de filme não estoura as bilheterias, não enche as salas de cinema, não arranca comentários cotidianos das pessoas. Tavez a resposta seja muito simples… As pessoas ainda se comovem com efeitos especiais, tecnologias gráficas, e romances batidos num conto de fadas que não existe. Direito de Amar mostra o real, se não somente a realidade sublime do amor. Como se nada mais importasse. Feito de uma maneira tão simples, mas com tamanha essência,  é natural ele não ser uma polêmica midiática. E a minoria agradece Tom Ford por isso.

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2 pensamentos sobre “Direito de Amar (2009)

  1. ÓTIMO TEXTO, CONCORDO!

    Eu achei o melhor filme do ano passado e merecia melhor atenção no Oscar..

    é tão tocante, denso e até ironico. A trilha de Abiel é marcante, emocional…

    Voce viu como eu gostei do filme, até analisei ele no meu blog.

    Parabens por este espaço!

    Espero ser linkado aqui, estou lendo os arquivos, pra me situar.

    Abs

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