Por que não há remake para Karate Kid

“BANZAIIIIIIIIIII”

Eu tava louca pra detonar o remake de Karate Kid. Considerando ainda mais que não mantenho muita finesse e bons modos no blog, porque meu talento crítico cinematográfico é tão bom quanto minha competência de matar uma mosca com Hashi… Então quando tem algo que não gosto eu adoro detonar, como também respeito os comentários discordantes. Assim funciona a blogosfera, amém! Mas enfim, eu não vou detonar o remake. Invés disso, eu escolhi relembrar a trilogia oitentista, e desta forma, a gente pode concluir a razão por este remake não ser um remake…

Mr. Miyagi: Always scare. Miyagi hate fighting.
Daniel-San: Yeah, but you like karate.
Mr.Miyagi: So?
Daniel-San: So, karate’s fighting. You train to fight.
Mr. Miyagi: That what you think?
Daniel-San: [pondering] No.
Mr. Miyagi: Then why train?
Daniel-San: [thinks] So I won’t have to fight.
Mr.Miyagi: [laughs] Miyagi have hope for you.

Não há nada de fenomenal que você possa ver em Karate Kid – A hora da Verdade. Nem mesmo na continuação (A hora da verdade continua) ou em Desafio Final. Nem mesmo na versão feminina com Hillary Swank…

Daniel (Ralph Macchio) é um menino que apanha dos bad boys da nova cidade, e também por conta disso, ele procura uma academia para treinar artes marciais. Quando ele vê que os meninões do mal fazem Karatê nesta academia (a Cobra Kai) ele pede pro zelador do condomínio treiná-lo… Sr. Miyagi (Pat Morita), um senhorzinho zen de Okinawa, passa a treinar Daniel LaRusso para ele competir com a galera do mal do Cobra Kai no campeonato de Karate. É isso. Roteiro meio clichê, previsível, aventura de Sessão da Tarde. Entretanto, influente.

Mr. Miyagi: Daniel-san, never put passion before principle. Even if win, you lose. “

Influente porque Karate Kid marcou a geração. Não há como não ouvir a música Glory of Love sem lembrar do filme. Ou mesmo lembrar do famoso Golpe da Garça que até onde sei, isso não existe no karate Shotokan (embora o chute somente, seja um “Tobi Nidan Mae Gueri”). E sobretudo, as lições e citações do Sr. Miyagi, evidente (Aliás, a versão em DVD da trilogia nos presenteia com cards de imagens e citações do Sr. Miyagi ^^)…

Daniel-San: You could have killed him, couldn’t you?
Mr. Miyagi: Aiy.
Daniel-San: Well, why didn’t you?
Mr. Miyagi: Because Daniel, for man with no forgiveness in heart, life worse punishment than death.

Apesar do roteiro nada inovador, os dois primeiros são meus preferidos. A lição que passa, não só aplicado no karate, mas na vida, é algo que marca o filme, mesmo que traga um apelo emocional intensificado por sonoplastia e demais itens hollywoodianos. O terceiro foi um fiasco, com aquele carinha do rabicó (Terry Silver) mas deu pra se emocionar até pela crise amorosa de Daniel San com Sr. Miyagi. E o quarto, ou melhor, primeiro sem Ralph Macchio e com a Swank eu confesso que nem assisti.

Mr. Miyagi: You remember lesson about balance?
Daniel-San: Yeah.
Mr. Miyagi: Lesson not just karate only. Lesson for whole life. Whole life have a balance. Everything be better. Understand?

O mais bacana de tudo é o humor do Sr. Miyagi. Principalmente no começo do segundo filme, quando ele dá umas manobras evasivas no soco do Sensei do Cobra Kai, dá uma tirada ainda com o tema idiota do Sensei Kreese (“Show No Mercy!”) e no fim aperta o nariz do cara com um ‘Fóó’. Humor Okinawano ^^

Tão influente e oitentista, que Ralph Macchio, hoje com o peso da idade nas costas, recusou o papel ou mesmo uma ponta no remake lançado em 2010, por respeito aos fãs da produção original:

“Não tenho a menor vontade de participar ou fazer uma ponta, porque ninguém quer ver Daniel LaRusso aos 40 anos”.

Eu achei Fodástico essa resposta dele, pois mesmo num tom de brincadeira, Macchio disse uma verdade esmagadora. Tem coisas que tem que ficar no passado. Não adianta reviver pra arrecadar bilheterias. Tanto que pra não ser cuspido o Karate Kid, o filme de 2010 retrata o mesmo roteiro dentro do Kung Fu, mantendo o título original de 1984 sabe se lá porque. Contudo, na China o filme é chamado de Kung Fu Kid, afinal convenhamos: Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, né?

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21 pensamentos sobre “Por que não há remake para Karate Kid

  1. Pingback: Por que não há remake para Karate Kid | Blog – O que Você Procura?

  2. É difícil analisarmos o Karate Kid com nossa mentalidade atual. Talvez se ele fosse lançado hoje não gostaríamos tanto dele. Eu assisti numa época em que esse tipo de filme me deslumbrava. Portanto tenho um vínculo emocional com o filme, que marcou a minha infância.
    Não sabia que ia ter um remake, mas acho que não vou assistir, pois sei que nunca terá o mesmo impacto emocional.
    Valew!!!

  3. “Agora, se Karate Kid original já distorceu o que é o Karate, imagine você esse remake que mantém o nome e no entanto a trama é em cima do Kung Fu? Coisas distintas que as pessoas já tinham o hábito de confundir, e agora mais ainda. Infelizmente, pra todo conhecimento, a gnt precisa buscar filmes que fujam da Sessão da Tarde…”

    mesmo a “arte marcial” sendo outra, o filme tem a mesma história principal, ou seja, não deixa de ser uma releitura do original.
    pelo menos o novo comenta que é kung fu, com movimentos de kung-fu, diferente do “karatê-kid”

    agora o porque de manter até o nome, bem, no filme o garoto chega à china tentando se defender com o Karatê que conhecia.

  4. Odeio essas pessoas que falam mal só por falar, só para dar uma de “intelectual” e “cult” defendendo um filme que apesar de ter marcado a infancia de muita gente, definitivamente não é o melhor filme do mundo.
    Karate Kid teve seus defeitos (engraçado que não existia karate) mas tem uma mensagem bonitinha e uma figura marcante, o sr. Miyagi.
    Fora isso o filme é bem dispensavel.
    O novo filme temos Jackie Chan como mestre, para mim isso já é a melhor parte da historia. (sim, sou fã desse cara)
    Lutas de verdade e um muleque que é bem mais expressivo que o “daniel-san” aquele retardado!
    Resumindo, o novo filme tem seus méritos, ninguem tem que comparar nada, se gosta mais do filme original, que bom! Se gosta mais desse, melhor ainda…

    • Olá Nick!

      Karate Kid o melhor filme do mundo? Que gosto cinematográfico mais limitado seria o meu, não?
      Melhor ou pior, seria demasiadamente um erro eu apontar, considerando que não vi o remake. Questionei o fato de utilizarem do nome original para criar uma trama em cima do Kung Fu.

      Bom pra vc que é fã do Jackie Chan, e melhor ainda que as lutas são de verdade. Pelo menos Hollywood consegue ser original em algo. Mas quando eu quero ver lutas de verdade, eu vejo filmes do Jet Li.

      Ao contrario de você, não odeio as pessoas que dão uma de Intelectual e cult, então não guardo ressentimentos ok?

      Namastê

  5. Concordo com oq vc disse no seu post, e não entendo o motivo que fizeram esse filme, aliás esse filme gerou muita polemica e discussao em varios blogs e vlogs…
    Aqui tem a opinião de outro fã da série:

  6. Achei o post muito interessante, parabéns!
    Ainda nesta madrugada (incrível coincidência), assisti Karate Kid II. Tanto esse, como a 1ª parte, assisto tantas vezes quanto me forem possíveis.
    É um filme interessante, entretenimento e fusão de culturas ocidental-oriental, sem radicalismo de nenhuma das partes.
    Creio que tenha sido necessário que fosse dessa forma. A despeito de mostrar parcialmente o Karate, não vi nada como desrespeitoso.
    Vale lembrar que, se fosse um filme totalente voltado aos aspectos marciais e tradicionais, estaria encalhado em locadoras falidas, em vendas de filmes VHS. Mas nesse caso, foi encontrado um meio termo que deu sustentação ao filme. Técnicamente, é um Karate fraco, mas que aguça a curiosidade acerca da arte.
    Me lembro que nesta época, estava procurando uma academia para treinar, e coincidentemente, cheguei juntamente a um grande BOOM de novos alunos… claramente, esse filme foi um grande divulgador da arte marcial.
    Sobre o remake, ficou 100% dentro do mesmo contexto. Tudo ficou extremamente previsível. Porém, é necessário reformular, para que o pessoal de hoje tenha o mesmo privilégio que nós tivemos na década de 80.
    Já assisti o remake, e realmente, vale pelo entretenimento.
    Daniel LaRusso era fraco, mas o sr.Miyagi sustentava a trama. No remake, Jackie Chan cumpre bem o papel (mesmo Miyagi sendo único, inatingível e inigualável), e Jaden Smith mostra que levou muito a sério o papel.
    Enfim, uma renovação de um marco de minha juventude!
    Abraços a todos!

    • Oi Wilson! Vc disse tudo: “se fosse um filme totalmente voltado aos aspectos marciais e tradicionais, estaria encalhado em locadoras falidas, em vendas de filmes VHS.”

      Quem se interessar por Karate mesmo, assiste filme do Oyama.

      Nao vi o remake ainda. Por mais má vontade que eu esteja, eu vou ver e tentarei fazer uma resenha “neutra”. Entao, ainda não posso dizer nada a respeito, se nao criticar a ideia do remake. Entretanto, devo admitir que vc está certo em relação a passar pro pessoal de hj uma reformulação. Mas pra quem é saudosista que nem eu, sofre de amargura! rs

      Obrigado pelo ótimo comentário!

      Abs!

    • Olá, Natalia!
      Voltei.. rsss
      O bom de ter um remake, é que teremos as duas versões pra curtir… uma não “elimina” nem substitui a outra.
      Eu tb sou saudosista, tb sofro qdo algo q eu aprecio muito corre o risco de ficar obsoleto… mas decidi dar um voto de confiança, e como aconteceu recentemente com Batman, fiquei positivamente surpreso.
      Achei que poderia ter sido muito melhor, porém, a atuação do sr.Han e do Dre (Jackie Chan e Jaden Smith) conseguem entreter bastante, pela sintonia entre eles e pela novidade do filme explorar os ambientes de treino na China.

    • Olá, Natalia!
      Voltei.. rsss
      Estou gostando muito dos comentários do pessoal daqui!
      O bom de ter um remake, é que teremos as duas versões pra curtir… uma não “elimina” nem substitui a outra.
      Eu tb sou saudosista, tb sofro qdo algo q eu aprecio muito corre o risco de ficar obsoleto… mas decidi dar um voto de confiança, e como aconteceu recentemente com Batman, fiquei positivamente surpreso.
      Achei que poderia ter sido muito melhor, porém, a atuação do sr.Han e do Dre (Jackie Chan e Jaden Smith) conseguem entreter bastante, pela sintonia entre eles e pela novidade do filme explorar os ambientes de treino na China.
      Cinema é entretenimento… arte marcial de verdade, é documentário, ou seja, é só pra quem gosta mesmo.
      Não dá pra fazer um filme totalmente marcial pra a família.. rssss.. e o filme do Oyama prova isso.
      Fico no aguardo de sua resenha sobre o novo filme (torço para q vc assista, pois vc escreve com clareza e qualidade)… sinto que teremos muito assunto sobre ele!
      Grande abraço!

    • Olááá Wilson!

      Vou assistir sim! Deixarei meus preconceitos de idosa de lado, pra poder enxergar melhor os pontos bons e ruins do filme. Porém, é realmente dificil falar a respeito de um remake, sem acabar comparando com o original. Particularmente não gosto do Jack Chan, mas é um bom ator de fato.

      Obrigado pelos elogios! Em breve posto a resenha então! =)

  7. Este filme ridicularizou o Karatê, foi produzido por leigos, que nada entendiam sobre a nobre arte das mãos vazias. Foi um verdadeiro insulto aos fundamentos milenares do Karatê-do. Passou-se uma visão errada para muitas pessoas, que hoje não levam a serio esta Arte graças a essa produção mal feita, que de Karatê não tinha nada. Seus produtores deveriam ter pelo menos estudado os fundamentos e ensinamentos, que concerteza são muito mais complexos e diferem muito do filme que não merece o nome que tem.

    • Concordo com você sobre a distorção das coisas, que fizeram com que as pessoas tivessem uma outra visão do que é Karate. Mas criar blockbuster para a Massa é exatamente assim: eles botam mesmo porpurina no roteiro, e inventam o ‘golpe de garsa capaz de ganhar um campeonato’ pra tudo ficar mais bonito.

      De qualquer forma, acredito que quem se interessou por karate por causa do filme, podia ter pesquisado em outras fontes e diversas referencias até do cinema para se ter um conhecimento maior e mais aprofundado de artes marciais.

      Como um filme influente ele passou sua mensagem (coisas bacanas como equilibrio da mente etc) e serviu pra uma geração inteira que viveu a década de 80.

      Agora, se Karate Kid original já distorceu o que é o Karate, imagine você esse remake que mantém o nome e no entanto a trama é em cima do Kung Fu? Coisas distintas que as pessoas já tinham o hábito de confundir, e agora mais ainda. Infelizmente, pra todo conhecimento, a gnt precisa buscar filmes que fujam da Sessão da Tarde…

      Obrigada pelo seu comentário! Tocou num ponto interessante.

      Abs!

  8. Mutio bom o texto.

    Não sou tão fã da trilogia (quadrilogia, se considerarmos a versão feminina) original, mas é inegável a influência de Karatê Kid na vida de todo mundo que viveu os anos 80 e acompanhou as muitas reprises na sessão da tarde.

    O golpe da garça, a música e o “momento cera” são inesquecíveis, mesmo que o filme seja bobinho.

  9. Meu, verdade seja dita: Há coisas que simplesmente existem, atemporalmente. Karate Kid é uma delas. Não há o que mexer. Qualquer adaptação, remake, em minha singela opinião, é digno de pena. Façamos, então, um remake de Laranja Mecânica?

    Lamentável…

    Post ótimo.

    • Além do que Karate Kid sem Daniel San, passou meio despercebido, sem o ilustrissimo Miyagi original então, sem chances, massss tem um porém, acho que essa atual juvetude precisa um pouco de karate kid na vida deles.

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