O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante (1989)

“Try the cock, Albert. It’s a delicacy, and you know where it’s been.”

Como começar uma resenha que foge dos padrões da maioria dos filmes de começo, meio e fim, dos quais vocês comenta atuação, cenário, roteiro e efeitos? Resenhar sobre um filme que traz a essência do cinema, muito mais num contexto artístico do que  num padrão hollywoodiano. Do qual, a história pouco importa, e passa a valer e ser apreciado tanto por sua estética quanto pela sua capacidade audiovisual e de dramatizar uma cena com uma bela e bem feita trilha sonora. Afinal, o próprio Peter Greenaway, que prioriza sensações visuais e com fortes referências em pinturas (chegou a estudar pintura quando jovem) afirmou que quem quisesse história, que vá escrever um livro.

Contudo, não considero o roteiro dispensável. Bem como o título nos mostra, temos quatro personagens principais: O ladrão, Albert, dono de um restaurante, figura intragável e insuportável que desdenha e deboxa de tudo e todos, o cozinheiro de seu restaurante, Richard, o único que lida com Albert de uma forma mais sólida sem se deixar hesitar pelas afrontas verbais do chefe, Georgina, a esposa de Albert, personagem forte e que conforme a trama acontece, ela vai ganhando cada vez mais força, e claro, seu amante, Michael, amante dos livros que descobre em Georgina um prazer no restaurante da mesma forma em que Albert desfrutava um banquete todas as noites.

Agora, falemos do que é mais vibrante no filme todo: As cores. Os cenários e os encaixes até mesmo das posições que os personagens ocupam num frame, faz o filme se relacionar diretamente como num grande quadro cuja pintura se anima numa história. Em cada cenário, há uma cor marcante se relacionando. A rua em tons de azul, a cozinha em tons de verde, o banheiro branco e o salão de jantar em vermelho. Isso, vinculado com um jogo de luz, onde se percebe quando é aberta a porta do banheiro e uma luz forte vermelha reflete nos elementos brancos. Além disso, as roupas dos personagens são modificadas conforme seus ambientes, principalmente os véus e vestidos de Georgina.

O filme todo te dá uma enorme impressão de que você assiste tudo sentado numa platéia, lembrando muito um teatro até mesmo com alguns elementos do cenário, quando Albert abre as enormes portas da cozinha para o salão por exemplo. Além disso, a mudança de cenário por conta de uma câmera contínua num ângulo aberto e fazendo um “travelling” em 80% do longa, é um outro detalhe curioso, onde em muitas vezes você observa a atuação dos personagens distante.

Já a trilha, desenvolvida por Michael Nyman que em muitas vezes, carregadas de marchas e dramatização, interage com as cenas causando um impacto de sensações (destaque para a cena final do banquete para Albert).

Mas, há muito mais no O Cozinheiro, o ladrão… que se pode desfrutar e analisar, por assim dizer. Referências fortes com a arte, e analogias super conceituais como a relação do sexo, e da comida, junto com a carne humana, e cachorros devorando restos no chão faz do filme uma espécie de entretenimento curioso do qual em cada vez que você assiste você nota uma coisa peculiar e diferente.

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4 pensamentos sobre “O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante (1989)

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