Ilha do Medo (2010)

“Which would be worse, to live as a monster, or to die as a good man?”

Baseado no livro Paciente 67, de Dennis Lehane e dirigido pelo digno Martin Scorsese a Ilha do Medo tem pitadinhas atrativas para um filme bom de suspense: O clima psicótico por conta do local da trama – uma ilha que abriga uma grande Clínica para doentes mentais, a maioria que já cometeu crimes hediondos – e claro, uma névoa de filme noir, do qual puxa referências fortes de diversos filmes de baixo custo feitos antigamente.

Seu roteiro também soa interessante: A história se passa em 1954. Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e um outro agente, Chuck Aule (Mark Ruffalo) chega em Shutter Island, uma ilha cuja balsa passa somente uma vez por dia e que abriga um Sanatório, para investigar o sumiço de uma paciente, além de Teddy manter segundas intenções na investigação por questões particulares que ainda assombravam suas memórias, num trauma e conflito psicológico constante. Perdeu sua esposa num incêndio, e tinha visões ou pesadelos não só com ela, mas com uma menininha que afirmava que ele podia ter salvo sua vida. Duvidando de tudo e de todos, especialmente do médico psiquiatra que cuida do local, Dr.Cawley (Ben Kingsley), Teddy passa a desconfiar que as pessoas da Ilha trouxeram ele de propósito para lá, no intuito de fazer experimentos piscológicos nele. Desconfia até mesmo de seu parceiro Chuck, que conhecera no dia em que chegou a Ilha.

O tema soa atrativo, creio que para a maioria das pessoas que até mesmo por conta do título nacional, faz-se pensar ser um filme de terror e suspense que bota muito medo e tensão. Bom, tensão até sim, medo, nenhum… O filme não tem pitadas de terror e sim de um suspense com toques mais elegantes em pitadas certas de sustos ou apreensão. Seu enredo, apesar de ser para muitos já previsível o que leva a depreciar a qualidade do longa, é também bem desenvolvido, capaz de te envolver em todas as cenas.

Entretanto, apesar de uma linguagem visual muito boa, e das belíssimas atuações dos 3 personagens – Kinglsey, Ruffalo e DiCaprio – existem certos furos na história (coisas que não teria como citá-los agora sem acabar revelando spoilers) como memórias redundantes e excessivas de Teddy Daniels relembrando os traumas da Guerra, que aparentemente não possui relação tão direta com o foco de seu problema e não agrega muito para o filme se não a questão das próprias referências visuais de Scorsese e claro, talvez o significado de enfiar lembranças de uma menininha que passa a fazer sentido somente com os esclarecimentos finais.

Contudo, de forma alguma Ilha do Medo é um filme dispensável. Afinal, um filme de Scorsese nunca é dispensável. Vale muito a pena ver, porque ele tem boas pitadas que te levam a se surpreender e tentar repassá-lo em sua cabeça, a fim de tentar compreender cada ponto deste delírio. Aliás, filmes que abordam este tema, tem chances de soar interessante… E Leonardo DiCaprio está realmente excelente em seu papel e chego a me perguntar porque raios (se não pelos $$ ) ele inventou participar de um filme como Titanic, se ele é tão bom em filmes como Os Infiltrados (também de Scorsese),  A Origem etc… Mããsss enfim… foi um leve desabafo…

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7 pensamentos sobre “Ilha do Medo (2010)

  1. Pingback: Top 10 – Personagens de 2010 « Le Matinée!

  2. Não é um filme pra dar sustos, mas sim calafrios e terror psicológico. Scorsese é mara, e aqui ele cria mais uma pequena obra-prima. Quase todos dizem que o filme é um pouco previsível, mas eu não achei em momento algum, nunca imaginaria que seria aquele final.auahuahauhauha

    Enfim é um filme muito bem produzido, com trilha sonora e clima que faz lembrar dos filmes de Hitchcock. Sem dúvidas é um dos melhores do ano.

    E como assim DiCaprio não deveria participar de Titanic? O.o aauhauhauahu. O filme deixou ele mais famoso, aliás ele já merecia uma indicação ao Oscar por esse filme. Também ele sempre foi excelente ator. Seus primeiros filmes por exemplo provam isso, como Gilbert Grape por exemplo. BTW, titanic só serviu pra deixá-lo mais conhecido, pq talento ele sempre teve.

    Bjo!

  3. Como esses flashbacks não tem relação com a trama? faz todo o sentido, ainda mais no final – quando entendemos tudo. O filme é puro asssombro psicológico! Eu considero uma pequena grande obra! E temos DiCaprio merecedor de um certo Oscar aqui!

    Talvez, não seria bom você rever o filme? Tente.

    Beijos!!

    • Os flashs de Guerra eu achei que aparecem demais considerando que o foco maior de seu trauma está no lance da esposa e da morte de seus filhos. Tb acho estranho a cena deles chegando na Ilha. Tipo, como ele imagina uma coisa dessas entende? Fora essas coisinhas, adorei o filme tb. Mas concordo com vc, precisaria rever de novo Cris.

      Bjo!!

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