Tropa de Elite 2 (2010)

“Missão dada parceiro, é missão cumprida”

Logo antes das primeiras cenas do filme a informação: Apesar das semelhanças com a realidade, essa é uma obra fictícia. Isso se faz necessário considerando que quando a carapuça serve, a censura cai pra cima.

Se você se matou de rir com a carnificina e humor negro no primeiro, com este segundo você começa a visualizar pontos mais aprofundados. Você percebe muito mais fácil que o filme é sim sobre a nossa realidade, e os momentos cômicos por assim dizer do filme você ri, digamos que com uma consciência maior disso. Mas, não é esse o foco. Ocorrem momentos escarnecedores, mas o tapa na cara aqui é diferente. Capitão Nascimento está 10 anos mais velho, estarta o filme como comandante geral do BOPE, e com o andar da carruagem, ele percebe que a máxima de violência pode ser relativa. Nem tudo é tão simples como matar os bandidos e donos do tráfico do Rio. Agora, o foco está nas milícias do estado, na corrupção e intensões eleitorais e no sistema.

O roteiro é um dos mais elaborados do cinema nacional, ouso dizer. Não há máxima posição política no foco, de modo que há pós e contras nos dois lados da moeda, seja na posição fascista de até então do Capitão Nascimento como no lado humanista de Diogo Fraga (Irandhir Santos), que tempera muito ao longo da trama, apesar de aparentemente no começo do filme não convencer muito.

E o que falar do principal? Capitão Nascimento (Wagner Moura) na história, 10 anos mais velho, encarando as consequências de uma profissão bem sucedida e de uma vida pessoal em fiasco, traz um semblante cansado, pisca excessivamente numa feição fatigada, deprimida e ainda sim, despertando por vezes o “sangue nos olhos” do primeiro filme. Mas detalhe, que até mesmo o sangue nos olhos neste filme, parece mais maduro: Não é mais o jovem do BOPE querendo ver o bandido chorar, e a violência como prazer, mas sim, o cara que extravassa sua violência em cima de sua revolta com o sistema, e o medo de perder seu filho. Até ele perceber que nem mesmo assim resolve, tendo que recorrer até os tribunais. O inimigo é muito mais forte do que no primeiro. Em resumo, Wagner Moura está simplesmente perfeito no papel. É realmente impressionante o quanto ele convence em seu olhar, sua expressão, seja nos pontos de calmaria ou explosão. Sem dúvida, um dos melhores atores que o cinema nacional possui.

Ainda temos outras boas atuações, como o Datena do filme (o que achei uma ótima sacada) representando por André Mattos, o policial corrupto Rocha, e claro, André Ramiro fazendo um Matias com menor destaque, porém com um desfecho impactante. E até mesmo o BOPE aqui é uma peça secundária…

Tropa de Elite 2 é uma das jóias do cinema nacional. É um drama pra brasileiro que assiste com a noção que esta é uma realidade nossa. Se Tropa de Elite 2 fosse um filme americano, poderíamos apreciá-lo sem refletir sobre o Brasil ou o sistema do país ao final do filme. Mas… não é.

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6 pensamentos sobre “Tropa de Elite 2 (2010)

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