Modigliani – Paixão pela Vida (2004)

“Tell me Pablo, how do you make love to a cube?”

Para os amantes da arte, é notável a influência do italiano Amedeo Modigliani na história da pintura. Suas obras possuíam traços que lembravam vagamente um fauvismo, embora estivesse numa época onde o cubismo de Pablo Picasso fazia sucesso na pintura pós moderna. Entretanto, Modigliani e Picasso possuiam uma certa rivalidade entre eles, ambos sendo orgulhosos e talentosos o suficiente para nenhum dar o braço a torcer. Contudo, Modigliani teve uma vida diferente da do pintor espanhol.

A história se passa na França, nos dois últimos anos de vida de Modigliani, em 1919/1920. Amedeo Modigliani (Andy Garcia, o eterno “pão” da minha mãe) se apaixona pela belíssima Jeanne Hébuterne (Elsa Zylberstein linda linda) sua musa inspiradora do qual ele afirmava que apenas “pintaria seus olhos quando conhecesse sua alma”. Porém, os problemas de Modigliani com o álcool é grande, não conseguindo se livrar do vício, o que dificultava tanto sua vida em relação a manter uma família com Jeanne (eles tiveram uma filha logo no começo, que o pai de Jeanne ameaçava colocar numa escola de freiras) quanto para ganhar dinheiro e ter uma vida tão rica e bem sucedida quanto Pablo Picasso (Omid Djalili) e demais artistas da época.

Ainda temos flashbacks de sua infância, tendo nascido numa família judia que perdeu os bens e viveu em extrema pobreza após a perda do emprego do pai. Modigliani, apesar do vício era uma figura forte e influente na sociedade em que vivia. Tinha vários amigos e apesar das briguinhas com Picasso, ambos compartilhavam da inveja e admiração escondida sobre o talento do outro. Já Pablo Picasso, apesar do ator Omid Djalili interpretar o pintor com grande maestria, foi muito esquisito atribuir aquela figura como sendo a figura do pintor que conhecemos. Afinal Omid Djalili não tem NADA a ver com o verdadeiro Pablo Picasso. Isso pode não fazer tanta diferença assim, mas confesso que na primeira cena em que entra o ator eu me perguntei: Este ae é o Picasso, Picasso??? Tenho certeza que há atores mais similares…

Picasso real, e Picasso Gordim

 

A fotografia do filme, dirigido pelo cineasta Mick Davis, é realmente muito bem feita, as vezes com linguagens visuais que chegavam a lembrar uma obra do artista. Basta ver a própria capa do filme, onde é utilizado cores fortes vibrantes e até primárias, muito similares aos quadros de Modigliani além de uma textura típica de pinturas a óleo. O filme peca contudo em alguns detalhes, como na trilha sonora que por vezes parece se encaixar, mas que foi infeliz na escolha de um New Age meio Era com batidinhas dançantes na cena dos artistas pintando suas obras para o Concurso de Pintores. Além disso, vemos Modigliani ali como uma figura irresponsável que parece não se importar com sua filha e Jeanne e parece viver para encher a cara. Mas, modigliani alimentava contudo a paixão pela arte (não digo necessariamente uma paixão pela vida, da qual já acho o título mal concebido).

Após perder sua filha para o juizado de menores por conta do sogro, ele decide ultrapassar as barreiras de seu orgulho, se inscrevendo no Concurso de Pintores (o que considerava algo medíocre para pintores de má qualidade). Porém, era necessário sua participação para caso ganhasse o concurso, pudesse oferecer a Jeanne e sua filha uma vida mais estável por conta do prêmio em dinheiro.

Sim, o final é até previsível mas é carregado de tamanha tristeza que até mesmo aqueles que não conheciam o nome Modigliani tanto quanto o nome Picasso é conhecido, ficaram com uma curiosidade de saber mais quem foi este grande artista. Um detalhe que o filme não deixa expor com tanta exatidão, parecendo dar mais destaque para a musa Jeanne (o que de fato é considerável). E o que dizer de Andy Garcia? impecável, com paixão no olhar, sorriso melancólico e fiapos de cabelo sobre a testa (suspiro de Laura do Carrossel). Belíssimo.

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4 pensamentos sobre “Modigliani – Paixão pela Vida (2004)

  1. Esse filme é uma porcaria! Mick Davis cineasta? Hahaha! Que acepção de palavra é essa? Ele dirige filmes do Van Damme, pqp! Esse Modigliani é sofrível, parece um astro de rock dos anos 80, com toda a cafonice que só Andy Garcia poderia oferecer. Roteiro ridículo, banal, embasado em clichês. Ridicularizaram Picasso, Renoir… suprimiram partes importantes da vida de Modigliani. Um verdadeiro pastiche. FUJA!

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