Bagdad Café (1987)

Brenda: Now why would you want to leave?
Debby: Too much harmony.

Do diretor Percy Adlon, este filme alemão, se destaca pela sua simplicidade. Com alguns momentos surrealistas, Bagdad Café nos conta mais através de imagens do que em palavras como que em personalidades tão distintas e em tanto contraste seja de humor ou cultura, pode haver uma sintonia causada pela disposição das pessoas na busca de harmonia. É o que traz Jasmin Münchgstettner (Marianne Sägebrecht, ex-artista de Cabaré) para aquele bar deserto e sem graça, num lugar igualmente deserto e sem graça.

Bagdad Café era um barzinho e hotel na estrada, sem clientes, sem hóspedes, sujo e mal cuidado. Algumas figuras frequentavam o local como o pintor Cox (Jack Pallance), porém parecia um local chato de se ir, considerando que a dona, Brenda (CCH Pounder) não permite harmonia nem para o ambiente nem para si mesma.

Jasmin é abandonada na estrada pelo marido. Logo no começo nós vemos as câmeras inclinadas dando um desconforto terrível. Todo aquele cenário nos parece insuportável. Muita areia, poeira, sol e vazio. Finalmente, ela encontra Bagdad Café e decide se hospedar no hotel, concedido de extrema má vontade por Brenda. Esta também briga com o marido logo no começo e ele acaba saindo de casa. As coisas ficam piores, o clima pesado, com Brenda fazendo escândalos e surtando todo momento. Seu filho Salomo (Darron Flagg), que tocava piano no bar, era a todo tempo interrompido pela mulher que não permitia nada animador para o local.

A música principal do filme, Calling You toca esporadicamente durante o filme todo, inclusive quando Brenda interrompe o piano de Salomo. Esta canção acentua esse estado solitário que o filme passa. É uma lamúria melancólica, que ornando com o clima todo, e com a negatividade de Brenda, faz aos poucos nos apegarmos com a figura de Jasmin que ao tempo todo tenta modificar o clima do local, seja com seu sorriso carismático, ou limpando o escritório de Brenda ou praticando suas mágicas. É sobre esse caminho que a história começa a trilhar um rumo em busca de uma harmonia maior. Bagdad Café passa a ser um lugar mais frequentado pelos caminhoneiros e viajantes, e então apesar do vasto deserto de Mojave ainda refletir solidão, o clima dentro de Bagdad Café é quente e confortável.

Jasmin e Rudi Cox com seu lencinho fashion pra lá de Bagdad (dã!)

Estes são os aspectos que nos leva a atrairmos para o filme e seus personagens. Entretanto, a trama tem uma linearidade e uma ruptura sutil dessa harmonização. Tudo vai acontecendo aos poucos, numa delicadeza que as vezes é esquecida pelo espectador entre um cochilinho ou outro caso você assista num domingo após 5 Canellones. Sua narrativa é diferente, com muitos closes específicos, muitas imagens, e música, numa trilha bem desenvolvida e tocante. Um filme que eu mal ri, não chorei, não me emocionou completamente. Mas, que de alguma forma me tocou. Como  isso me parece filosófico demais, me limito dizendo que Bagdad Café, traz aspectos interessantes, pela sua simplicidade e sentimentos transmitidos, somente por imagens e música. Desta forma, vale a pena.

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