O Garoto de Liverpool (2009)

♫ “Mother, you had me, but I never had you – I wanted you, you didn’t want me – So I, I just got to tell you – Goodbye, goodbye” ♪

O filme trata de uma cinebiografia sobre a adolescência conturbada de John Lennon (interpretado por Aaron Johnson), entre seus 15 e 20 anos. John vive com seus tios desde os 5 anos de idade, época em que sua mãe praticamente o abandonou. Mesmo com a frieza de sua tia Mimi (Kristin Scott Thomas), John possui uma boa criação apesar de uma revolta constante relacionado com o abandono de seus pais. Após descobrir que sua mãe Julia (Anne-Marie Duff) mora nas redondezas, John começa a ir visitá-la, e os dois acabam reacendendo uma relação fraternal que em alguns momentos do filme soa até esquisito… Afinal, Julia possuia um perfil meio pin-up “soltinha”, não sei o que passou pela cabeça da diretora, mas em algumas cenas a relação de John e sua mãe soava meio incesto, o que nos leva visivelmente entender isto, após o filme exibir uma cena de John dando uma aproveitada em sua namoradinha de escola logo após deitar abraçado com sua mãe, ao som de I Put Spell on You.

Lascividades a parte, o foco desta cinebiografia teoricamente está mais para a adolescencia de John e sua vida antes dos Beatles, porém muitas vezes o fluxo da história se dá entre a relação de mágoa e ciúmes entre as duas mulheres da vida de John: Julia-a mãe e Mimi- a tia. Aliás, a interpretação de Kristin Thomas está ótima, com sua personagem que causa uma certa repulsa no começo e com o desenrolar da trama, nos dá um carisma muito maior. Já Anne-Marie Duff, não apresenta muito destaque, mesmo com seus histerismos e choradeiras intensas.

Todavia, paralelo a essa novelinha entre as irmãs, a diretora Sam Taylor-Wood faz a esperteza de nos mostrar também como John ganha vínculo com a música, faz amizade com Paul, e começa a tocar com sua banda The Quarrymen indo até a entrada de George na banda, sem mencionar nem “The Beatles” nem Ringo. Mas, ali você vê Lennon roubando seus primeiros discos, curtindo um Rock, aprendendo a tocar com sua mãe (a mesma afirma que “Rock” quer dizer “Sexo”) e apresentando algumas crises consideráveis uma vez ou outra, digno de um rock star.

Agora vamos aos aspectos bonitos e infelizes do filme…

Como aspecto bonito temos John indo no cemitério onde estava enterrado seu falecido tio, e encontra sua tia Mimi, debruçada no túmulo. Pode ser sutil demais, porém ter John ali dando uma lição de moral para sua tia indagando se ela demonstrou o amor que sentia pelo marido em vida faz o cantor de All You Need is Love transparecer sua faceta sensível e apaixonante, mesmo que em sua maioria das vezes nos seja mostrado o lado irônico e difícil de Lennon. Essa cena do túmulo nos dá uma ironia bonita e triste, mesmo que clichê sobre o perdão das duas irmãs com Mimi dizendo Eu Te Amo para Julia antes que seja tarde, e posteriormente o acidente que Julia viria a ter logo após.

Aaron Johnson não tem nada a ver com o verdadeiro John, mas de qualquer forma, gostei de sua atuação, por vezes convincentes comparadas a sua péssima atuação em Kick-Ass. Aqui ele se esforçou e em cenas dramáticas como as que ele avacalha sua mãe em seu aniversário, ele convenceu bem. Mas, o destaque se dá para Thomas Sangster que interpreta nada menos que Paul, exibindo um perfil que combina perfeitamente com o do verdadeiro. Uma das cenas interessantes é ele pedindo um chá para John quando este lhe oferece alguma bebida… Aliás, é dele e de John uma das cenas mais bonitas do filme, guardada no final.

Os aspectos falhos além da “encoxada na mãe” que na minha terra é pecaminoso, é que apesar da trilha sonora ser maravilhosa (coisa que não exige muito eforço considerando que eles pegaram as músicas Rockabilly da época) ela peca pelo excesso, sendo tocada em quase todo o filme. É regra que só porque se trata da história de um cantor é necessário tocar música nas 1h30 de filme? Mas, enfim esse não é um fator que deprecia tanto o filme. O foco nas duas irmãs apesar da boa atuação de ambas e o vago John Lennon que se conhece depois de Beatles existir faz o filme ser mais apreciado para aqueles que assistem sem muito fanatismo pelo grande John Lennon. Porém, carregado de drama e finalizando o longa com Mother ainda (pra cortar os pulsos), O Garoto de Liverpool mesmo que fraco tem a capacidade de transmitir uma sensibilidade e um encanto peculiar.

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8 pensamentos sobre “O Garoto de Liverpool (2009)

  1. Achei o filme incrivel, gostei mais que você. Acho de uma extrema sensibilidade e, de fato, as atrizes dominam o âmbito interpretativo do filme.

    Achei também o filme com um apelo beeem nostálgico, gostoso de ver e sentir, ainda mais pela trilha sonora.

    Beijos!

    • Oi Cris! Sim, um dos motivos que gostei do filme foi a nostalgia. E eu adoro filmes que retrata os anos 50 ou 60. Achoq ue é por isso que amei Educação mesmo com um roteiro batido.

      Agora, vc tem a missao de me explicar lá no apimentario que historia é essa do John Lennon “encoxando”a mae no sofa! hahahaha Achei mto esquisito aquela cena!

      Bjs

  2. Achei excelente o seu post, parabéns.

    Eu até esqueci de comentar no meu blog, mas você lembrou bem, a situação de John com sua mãe beirou o incesto, acho que todo mundo percebeu isso, eu mesmo fiquei até angustiado hehee.

    []´s

  3. Eu sou daqueles beatlemaníacos e lennonmaníacos. Assim, vou ver o filme, claro, seja onde for, no cinema, na TV a cabo ou encomendando o DVD. Nós, os fãs, sempre gostamos de saber mais sobre nossos ídolos. Já vi outros filmes sobre Lennon, como “Tudo entre nós” e “The John Lennon Story”. Este último, pelo que percebi em seu post, também foi visto pela diretora de “O garoto de Liverpool”, principalmente pelo foco nas duas irmãs.

    Enfim, o “dever” de um fã é sempre estar atento às notícias de seu ídolo. Porque, para nós, eles não morrem.
    Bjoo!!

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