Invictus (2009)

“I thank whatever gods may be –  For my unconquerable soul.  I am the master of my fate,  I am the captain of my soul.”

Engraçado como tem filmes que a gente consegue identificar quem é o autor daquilo tudo. No caso deste, atente-se mais do que a sinopse em si: atente-se ao fato de que temos um grande homem maduro e sábio de um lado e do outro, temos um aprendiz, um garoto cujo físico é forte, mas possui um coração cheio de incertezas, medo e esperança. Este pode ser um filme de Clint Eastwood. Bingo! Cá está mais um…

Pode-se considerar também que em se tratando de Eastwood este filme pode ter um fim imprevisível (o que me decepeciona de alguma forma no final, por burlar esta regra Eastwoodiana), pode ter uma trama envolvente e sobretudo, polêmica ou histórica de alguma forma. Invictus conta como Mandela assumiu sua presidência na África do Sul, logo após o Apartheid, e como ele conseguiu de alguma forma, mesclar negros e brancos, eliminando assim a grande muralha social que havia entre os povos naquela época. E a maestria foi utilizar do Rugby, esporte bastante comum no país, para alcançar este equilíibrio que pudesse dar este esporte também aos negros e que pudesse mostrar aos brancos que este não estão postos de lado porque o governo está no comando de um negro. A figura de Mandela é ultra carismática, interpretada por ninguém menos que um grande carismático nato: Morgan Freeman.

Apesar do filme estar quase o tempo todo trilhado pelo torvelinho montado em cima da copa do mundo de rugby, o filme traz elementos capazes de nos tocar: a vida de Mandela, capaz de perdoar, mesmo tendo passado 26 anos numa prisão, a força de vontade dos jogadores de Rugby, a esperança de continuar lutando em busca da vitória e sobretudo a amizade entre negros e brancos pondo de lado fatores banais, utilizado por estratégia de Mandela o esporte como foco para este fim.

E o “aprendiz” aqui é Matt Damon que andou comendo bastante sucrilhos, pois não me lembro de ter visto o ator tão fortinho assim nos filmes anteriores… Ele é François Pienaar o capitão do time Sul Africano de Rugby que é conquistado pelo carisma de Mandela e incubido de vencer a Copa do Mundo. Sua atuação não surpreende ao mesmo tempo que não chega a desapontar, como na maioria de seus filmes que o trazem como coadjuvante. Ou talvez seja porque neste aqui, o contraste com a excelência de Freeman seja muito maior. Contudo, a figura sorridente e pacifista de Freeman casa perfeitamente com a do verdadeiro Nelson Mandela, isso facilita na nossa percepção de uma boa atuação.

Mas, se por um lado o filme emociona com seus fatores de laços se fundindo independente da cor, ou mesmo da cena onde os atletas de Rugby vão dar treinamento para crianças negras do subúrbio, por outro lado ele soa em algumas vezes um pouco forçado, trazendo harmonia em excesso e com isso, uma mesmice clara de filminho feliz da Sessão da Tarde, seja se tratando de Rugby, Futebol, Boliche ou peteca. O time que torce, treina e vence subindo o capitão nas alturas está sempre lá. Alimentando assim o que nosso inconsciente sedento de final feliz anseia, e desapontando ao mesmo tempo aquela nosso íntimo que deseja algo mais surpreendente do que o óbvio, mesmo que para isso, muita coisa acabe de forma triste. Desapontamento ressaltado, quando vemos um filme de Clint Eastwood e esperamos exatamente o inesperado. Mas é claro que, devemos considerar que o filme utiliza de uma história real, um tempo real e um personagem (Mandela) real. Mancada amputar a perna deste né, Clint?

Sejamos menos carrancudos no entanto. O filme tem tantas lições bonitas, tantos discursos emocionantes do líder Mandela, com uma trilha gostosa que participa daquela paz que o país compartilhava no final da Copa de 1995, que a gente se satisfaz com isso e solta um “Ufa – por essa, Clint deu uma trégua de desgraças…”

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11 pensamentos sobre “Invictus (2009)

  1. Clint é fantástico como diretor (além de bom ator) e aqui novamente entrega um belo filme, ajudado e muito pela interpretação de Morgan Freeman, que parece ter encarnado o espírito de Mandela.

    Abraço

  2. Só assisti Invictus uma única vez no cinema e naum gostei muito do q vi. Acho o cinema do Eastwood apelativo, forçado, sobretudo em seus últimos filmes (me refiro a A Troca, A Conquista da Honra e Menina de Ouro). Deste aqui, só fiquei impressionado com a qualidade técnica.

  3. Numa segunda revisada, o filme ficou um pouco melhor do que eu achava. Acho que como a vibe abaixou, vi o ótimo trabalho que Clint realizou na adaptação mesmo com o final feliz de Sessão da Tarde (rsrs). Um bom projeto, longe de ser – porém – um dos melhores do diretor.

    • James: Eu tb demorei um bocado de tempo pra ver esse. Geralmente filme do Eastwood eu vo correndo pra assistir, rs. O Alem da Vida vou sexta conferir =P Mas esse eu nao me interessei tanto no começo talvez por dar essa ideia de esporte, time que vence, sessao da tarde, essas coisas rs

      Wanderley: Os filmes dele tem sempre algumas relações no roteiro e tals e quase sempre ele usa uma tragedia num excessivo drama, pode ser que isso faça com que soe forçado. Mas eu sou suspeita pra falar, porque adoro um drama, e só nao gostei mais desse porque nao tem nenhum, rs.

      Luis: Tb acho, esta longe de ser um dos melhores do diretor. Gran Torino é anos luz a frente na minha humirde opniao…

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