Alguém morreu no meu lugar (1964)

“She wouldn’t hurt a fly!”

Duas irmãs gêmeas: Uma milionária, e outra relativamente pobre. Com uma base deveras clichê de “irmã rica, irmã pobre = irmã má, irmã boa”, “Alguém morreu no meu lugar”, trabalha em cima desta idéia, com a pequena diferença de que, a atriz que representa ambas irmãs, é Bette Davis, o que consequentemente nos mostra duas irmãs malvadas. Após o longa “O que terá acontecido com Baby Jane?” Bette Davis, dois anos depois protagoniza um suspense, ausente de violência explícita, ou de sustos de pular do sofá. Contudo, um suspense que te prende do começo ao fim, numa trama super envolvente. Com a direção de Paul Henreid, o Victor Lászlo de Casablanca, e com o roteiro de Albert Beich, este filme está longe de ser algo previsível.

Edith Phillips (Bette Davis)  é a irmã que tem um barzinho e vive no apartamento de cima, numa vida simples e sem muitas regalias. Já sua irmã gêmea, Margaret DeLorca – Maggie (Bette Davis “double!”), é casada com o milionário Frank, um cara que Edith sempre foi apaixonada, porém o “perdeu” pra Margaret. Logo, Maggie, possuía uma vida que Edith sempre quis ter.

O filme começa com o enterro de Frank, e Maggie se queixando de ter que andar com roupas de luto que parecem não cair-lhe bem. Indignada com a frieza da irmã mediante a morte de seu marido, Edith passa a questioná-la sobre o porque desta acabar se casando com Frank. É a partir daí que Edith vai percebendo algumas malandragens da irmã e alimenta uma raiva que resulta num plano aparentemente infalível: Matar Maggie, e simular um suicídio de modo que as pessoas pensem que quem morreu foi Edith. Desta forma, Edith poderia viver tranquilamente como Maggie na mansão deixada pelo marido Frank…

Quando vemos um filme antigo, nós podemos de uma forma considerável, achar que sua trama possui elementos já conhecido por nós, afinal, com muitos outros filmes que surgiram depois, é natural que muitos desses clássicos tenham servido de referência para as histórias posteriores. Então, o que se imagina aqui é que o óbvio possa ocorrer: Edith, como estava devendo 3 meses de aluguel de seu bar, e vivendo numa vidinha muito mais simples do que a sua irmã rica, decide então bolar uma estratégia para matar sua irmã Maggie e assim assumir seu lugar, num plano aparentemente perfeito. Afinal, seria só arquitetar seu próprio suicídio e viver o resto de seus dias como sendo Maggie. Desta forma, o crime acontece e temos outras pessoas envolvidas, que notando a diferença do comportamento da fake Maggie, passa a desmascarar Edith até um ponto que ela é descoberta. Teoricamente, isto poderia estar certo, mas há diversos outros elementos dentro desta história que modifica completamente nossa percepção de como tudo ocorrerá. O resultado é surpreendente.

Bette Davis está representando formidavelmente seu papel, com o mesmo olhar e a mesma faceta que alimenta sua Baby Jane quando fazia coisa errada e era questionada por isso. Aqui, representando em dose dupla, contamos com uma personagem (ambas inclusive) forte, sem uma mente perturbada dessa vez, mostrando maior destreza em tudo que faz para manter o segredo de sua identidade, até mesmo queimando sua mão antes de ter que assinar alguns papéis que por ter a assinatura diferente da verdadeira Maggie acabaria incriminando Edith…

O roteiro dá uma reviravolta, mostra que tanto Maggie quanto Edith não eram flores que se cheiram, e as coisas terminam de forma inesperada. O desenvolvimento deste suspense é mostrado de uma forma bastante clara, e em cada momento há alguma novidade, como se nenhuma cena fosse desperdiçada com qualquer firula que se possa botar no roteiro de modo somente a confundir, porém sem coerência nenhuma com o resto. Bem verdade, que em se tratando de um filme antigo, muitas cenas são trabalhadas apresentando um resultado fraco, como a cena do ataque do cão ou a própria cena do assassinato de Maggie. Aqui, ouso arriscar, que naquela época, nem era este o foco principal também. Uma época onde a história e o modo que ela era contada era mais importante que os efeitos miraculosos capazes de transmitir maior realidade no meio cinematográfico. Como uma peça de teatro, talvez como um conto narrado, o filme passa tudo de uma forma atraente o suficiente, para não sentirmos falta de quaisquer produção realista.

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6 pensamentos sobre “Alguém morreu no meu lugar (1964)

  1. Pingback: Fuck Yeah! Bette Davis « Le Matinée!

  2. Já vi tantas pessoas falarem deste filme pra mim, mas nunca procurei. Seu (ótimo) texto me deixou curioso e é bom eu já anotar aqui no caderno de pendências antes que me esqueça novamente hehe. Bette Davis arrasa, das melhores atrizes que já tivemos! E esse título? Wow!

    obrigado pela visita no Pós.Première.
    estou add seu blog na minha página tbm ;D

    bjs.

  3. Puxa, eu vi esse filme no Corujão há tanto tempo que nem me recordava do título…nem sei se cheguei ao fim, lendo seu texto não me lembrei dos acontecimentos. Preciso revisá-lo.

    Acho Bette Davis uma atriz perfeita, tudo que fazia mexia conosco emocionalmente. Ela é fantástica. E sou muito mais “O Que terá acontecido a Baby Jane?” do que “A Malvada”.

    Seu texto está muito bom! Traga mais filmes clássicos aqui, sempre.

    Beijão e aparece.
    Anda sumida do Apimentário. :/

    • Criiiisss!

      Puts, Bette Davis é sensacional! Virei fã!

      Pode deixar, coloquei na minha listinha vários outros clássicos (entre eles, os da Bette tb) =) Mto obrigada!

      Vo te visitar por lá!

      Bjs!

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