LOST (2004-2010)

Atenção: Post contendo Spoilers de todas as temporadas.

LOST foi mais uma daquelas séries que fez uma devastação cultural, criando fandons e seguidores que submergiram para o Universo Lost, interpretando metáforas e significados obscuros ao longo de toda a série. Lost alimentou o poder da nossa imaginação com elementos curiosos que até hoje dá muito pano pra manga, como viagem através do tempo ou universo paralelo. Mas, o que pode ter sido uma engenharia atemporal, criadora de um estilo (tal como trekkers) pode ter corrompido e levado tudo ao abismo devido sua insistência em novas temporadas, pontos sem nós, e claro um final que deixou muita gente decepcionada. E para você? Lost também foi uma viagem cujo final perdeu encanto?

Estreiando a seção Seasons! aqui no Le Matinée! começamos por uma viagem rápida sobre LOST. Não sendo nossa intenção transformar um simples post numa novela gigantesca (pois LOST nos dá muito o que falar, fazendo com que um Post somente jamais seja suficiente), faremos aqui uma rápida análise, sem mergulhar muito nos mistérios revelados ou não que a série passou. E sim em seu impacto midiático e a conclusão de todo este impacto com a insatisfação de muitos fãs.

Como você leu logo no começo deste post, por conter muitos spoilers, este post é para você que viu a série de cabo a rabo, então pulamos a etapa de uma breve sinopse geral. Até quem não assistiu LOST inteiro, sabe muito bem do que a série trata. Não diria tão somente que ela foi uma decepção por completa. Há quem diga que tudo começou a desandar a partir da Quarta Temporada. Ou da Quinta… Ou com muita viagem no tempo. Mas, até certo ponto Lost passou uma analogia interessante sobre a vida de cada um, como se cada personagem fosse um retrato do comportamento humano em geral. Lá teve de tudo: Um torturador metamorfoseado pela culpa, num mergulho constante entre o amor e a raiva. Um casal de coreanos aparentemente perfeitos mas cheio de ondulações no que tangia sua perfeita relação amorosa. Um médico com capacidade de liderar, porém, apesar do racional forte demais, tendia a titubear por vezes quando afrontado pela liderança de um outro de menos razão, porém um homem de fé que fornecia neste aspecto exatamente o que alguns procuravam: uma esperança de retomar suas vidas.

E chega uma hora em que este homem de fé – Locke – prova que não há razão para voltar, uma vez que cada vida ali era condenada em sua vida medíocre de alguma forma. É o que Jacob acaba querendo mostrar posteriormente. Prova que de repente, uma nova vida seja necessária para a redenção de um torturador ou o renascimento do amor do casal de coreanos. Para mim, paralelo a toda viagem temporal, LOST nos mostrou através de várias analogias e subjetividades, as filosofias diversas da vida.

Mas, tem pra todo mundo. Voltemos para a coisa mais científica da história toda: pois o que azedou o final da série foi exatamente este emocional em demasia. Por mais previsível que seja, esperávamos um final onde com a explosão da bomba de nitrogênio tudo voltasse ao normal, de volta para o abrir dos olhos de Jack. Quase igual o que ocorreu, porém sem todos se reencontrando numa igreja, meio incerto em definirmos em que espécie de tempo ou universo todos estavam. Seria aquilo um purgatório, como muitos se indagaram? Ou algum tempo perdido no futuro? E porque houveram personagens que morreram também e não estavam lá como Ana Lucia ou Mr. Eko? Algumas dúvidas faria sentido não terem resposta, acredito que é assim que se alimenta fandons para manter em sua realidade alternativa a boa experiência de LOST, capaz de nos dar tantas interrogações a medida que nossa imaginação anseia. Entretanto, finalizar uma linha de pensamentos com determinados furos, ou seja, sem um final homogênio com personagens que “voltaram”e outros “esquecidos” causou muito mais a ideia de algo amador e mal acabado do que a proposital ideia de deixar nossa imaginação terminar o que começaram.

Entretando, longe de mim insinuar que LOST foi um tempo perdido. Pelo contrário. Além de revolucionar a indústria transmidiática, levando as pessoas da TV para a internet, LOST serviu como uma febre, acordando nosso desejo de detetive de criança, esperando o próximo episódio, e discutindo numa roda de amigos por horas e horas, o que significam os números, o que seria a fumaça preta, da onde vieram os ursos polares e tudo aquilo ao redor da Iniciativa Dharma. Lost comprou briga batendo duas linhas de pensamentos aparentemente antagônicas: religião vs ciência. Fazer um final daqueles, tentando resolver logo os mistérios mais primordiais dos últimos 6 anos, revoltou muito mais a camada da ciência. E não é sem razão.

E se a gente nem chegou a tocar nos mistérios de LOST ainda, melhor parar por aqui. O objetivo desta nova coluna é relembrar as boas temporadas de grandes séries. E seja com um final marromeno ou não, LOST foi grandioso. Não se deve tirar-lhe todo o mérito.

Então pra fechar, destaco abaixo os episódios mais marcantes. Vamos lá!

E20S01 – Do Not Harm

O final deste episódio é a analogia clara do nascimento e da morte. Enquanto Jack tenta de tudo para salvar Boone da morte nas cavernas, do outro lado, num meio de um matagal, Kate realiza o parto do bebê de Claire. Recomendo o livro A Filosofia de Lost (Simone Regazzoni), do qual a autora descreve de uma forma interessante sobre a relação de vida e morte que este episódio passa, alternando as cenas.

E18S02 -Dave

Este é o episódio que tem como personagem principal o Hurley. Apesar de ser meu personagem preferido particularmente, não é por isso que destaco este episódio como o mais marcante. Este episódio é aquele em que o amigo imaginário de Hurley, Dave começa a falar que nada daquilo que Hurley está passando é real. Que ele continua ainda na Clinica Santa Rosa, que uma mulher como Libby jamais se apaixonaria por ele, e que para ele acordar de tudo aquilo, bastava se jogar no penhasco. Acho sensacional este episódio porque a medida que Dave tenta convencer Hurley, até nós espectadores entra em parafuso. Afinal, o que é realidade e o que é fantasia?

E20S02 – Two For The Road

Para mim este episódio ganhou força graças a seu final avassalador. Um fator que faz LOST atrair tanto talvez seja a facilidade que ele tem de eliminar os personagens, (mesmo fazendo-os voltar de diversas formas depois). Mas, até aqui, não tinha assistido tal chacina. Michael depois de voltar muito esquisito da região misteriosa onde Os Outros viviam, mete tiros em Ana Lucia, Libby (esta que levou de graça) e depois em si mesmo para poder libertar Ben. O episódio seguinte onde mostra um Hurley profundamente aflito pela morte de Libby, é uma das coisas mais tristes que já assisti.

E20S03 – The Man Behind the Curtain

Temos como foco aqui, o Ben um ótimo vilão que a própria série destruiu a medida que foi revelando mais informações dele, e mais ainda quando vemos Ben todo melindroso em relação a Jacob. Que por sua vez, também não chega a ser bem um vilão. Logo, acabam-se os vilões se não fosse claro, a força negra que devasta o corpo de Locke. Neste episódio, o ponto chave foi Bem ter atirado em Locke e deixá-lo lá no fundo da cova, junto com todo o resto da Iniciativa Dharma.

E07S05 – The Life and Death of Jeremy Bentham

Se tem um episódio do qual ficamos com mais pena de Locke, sem dúvida é este. Após uma bonita conversa entre Jack e ele, Locke resolve não se matar (já no mundo exterior). E eis que surge Ben novamente.

E23S03 – Through the Looking Glass

O foco é a estação Espelho com Desmond tentando resgatar Charlie. Na verdade, o chocante desta cena se resume praticamente a esta imagem…

Tem dezenas de episódios marcantes em LOST. Difícil listar todas elas aqui. Gosto muito do episódio em que todos vão jogar Golfe… E até mesmo os últimos episódios da 6º temporada marcou, a seu modo. A morte de Sun e Jin foi uma das cenas mais triste que vimos.

Apesar do final chumbreca, deixamos de lado este detalhe: Lost foi sem dúvida uma das melhores séries que já existiu.

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2 pensamentos sobre “LOST (2004-2010)

  1. Faltou coragem de fazer um final épico, mas eu também acho que a “Experiência Lost”, ter vivenciado tudo e toda as milhares discussões e desdobramentos da série fazem tudo valer a pena.

    Coloco Battlestar Galactica e 24 horas a frente de Lost, mas sim, ela foi uma das melhores séries que já assisti.

  2. Lost foi uma das minhas primeiras paixões no mundo dos seriados (mesmo que não tenha sido a série a originar o tal vício) e foi um amor muitíssimo bem retribuído com 6 temporadas com muitos altos e poucos baixos.
    O episódio final foi decepcionante,sinceramente sim,mas nada que prejudique o espetacular decorrer da série.
    Abraços

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