Sobre meninos e lobos (2003)

“Maybe some day you forget what it’s like to be human and maybe then, it’s ok.”

Vencedor de dois Oscar sendo o de Melhor Ator (Sean Penn) e Melhor Ator Coadjuvante (Tim Robbins). Este filme porém, foge de muitos outros de Eastwood que temos um personagem maduro e um jovem cheio de vontade de aprender. Aqui na verdade, temos peças totalmente diferentes, e personagens totalmente diferentes. Mas, não temos a ausência total do diretor de forma alguma, aqui se mantém o alto teor de remorso no ar e demais elementos que enebriam a maioria das cenas: o filme nos toca pela angústia causada por um final inesperado, ou por uma melancolia que permeia durante todo o longa. E faz dele uma obra triste e de qualidade.

E temos um trio pra lá de qualificado para isto: Jimmy (Sean Penn – Ladies: não serve para marido porque bate na mulher, porém como ator ele é sensacional), Sean (Kevin Bacon) e Dave Boyle (Tim Robbins – com uma fisionomia perfeita representando a faceta do trauma mal tratado). Há 25 anos atrás, os três na época meninos, brincavam na rua de suas casas. Esta linha de tempo ocorre logo no começo, do qual já mostra uma ruptura de uma amizade infantil, quando um dos meninos – Dave Boyle – é sequestrado por dois senhores. Sendo abusado e mantido num porão durante quatro dias, Dave acaba fugindo, porém desde então vive numa perturbação constante por conta do ocorrido.

Pulamos então para a linha atual, onde temos todos já crescidinhos, cada um tomando um rumo na vida, e sem vínculos como anteriormente. Sean é o policial da FBI (o que convém para o roteiro claro, afinal como seria a trama se ele resolvesse ser açougueiro?) Jimmy tem um pequeno comércio no bairro, vive seu segundo casamento muito bem, com três filhas, e conserva em sua ficha criminal uma prisão. Ele tem uma espécie de capangas que prestam servicinhos sujos… E temos Dave Boyle, casado com Celeste (Marcia Gay Harden) e pai de Michael, um garotinho que teria pouco menos do que sua idade quando Dave foi sequestrado anos atrás.

Estes são os personagem que dão todo o impacto durante a história toda, e que acabam se unindo mesmo que de forma não tanto amigável após o assassinato da filha mais velha de Jimmy. O caso então alavanca o filme numa onda de investigação para Sean e seu companheiro do FBI Whitey (Laurence Fishburne) resolverem. Paralelo a isso, Jimmy e seus camaradas também fazem sua própria investigação a fim de se vingar do assassino de sua filha.

Clint Eastwood tem uma capacidade pecualiar de trabalhar luz e sombra em seus filmes, assim como os cenários que em alguns momentos nos mostra a nostalgia que ronda a vida dos garotos após o incidente do sequestro. A calçada acimentada com os nomes dos garotos que assinaram quando crianças, com o nome de Dave incompleto, traz uma metáfora interessante do metade homem que Dave se tornou, especificamente pelo trauma que não conseguiu superar, do qual muitas vezes o personagem considera em algumas passagens: “o garoto Dave morreu naquele dia”, ou mesmo Jimmy afirmando para Sean: “A última vez que vi Dave, ele estava num carro, no banco de atrás indo embora com homens desconhecidos”.

Robbins e Penn são os que mais se destacam em seus personagens, dividindo angústias distintas de forma diferente. Um possui a expressão de raiva no olhar, com sede de vingança e o outro apesar de não estar ausente do sentimento de vingança é a personificação da melancolia, e da dor causada pelo passado.

Complicado discutir a respeito deste filme sem considerarmos o seu final avassalador. Desta forma, encerro aqui minhas considerações sobre o filme, destacando como ponto negativo seus últimos minutos desnecessários que não condiz com a névoa anterior. No mais, uma obra digna como outras diversas de Eastwood, capaz de dispertar fortes sensações sobre passado, destino ou segundas chances…

Anúncios

5 pensamentos sobre “Sobre meninos e lobos (2003)

  1. SOBRE MENINOS E LOBOS é um dos meus favoritos do diretor, ficando atrás apenas de AS PONTES DE MADISON. A adaptação a partir do romance de Dennis Lehane deu origem a um roteiro excepcional, que Eastwood e seu elenco talentosíssimo transformaram num filme pesado e implacável. E igualmente excelente. 9/10

  2. Tenho uma curiosidade intensa pra conferir esse, gosto de Eastwood desde o momento em que terminei de ver Menina de Ouro, mas nunca acho oportunidade pra ver esse filme. Agora vou procurar para valer, seu texto me deixou salivando por esse Entre Meninos e Lobos.

  3. Grande filme que deveria ter levado o Oscar de filme e direção também – este é mais intenso e superior ao outro flme supervalorizado de Eastwood, Menina de Ouro (não que eu não goste, só acho que a valorização foi exagerada, rs).

    Este filme é bem dirigido, é impressionante como o elenco está perfeito – Penn e Robbins em momenos inspirados. A trilha sonora, melancólica e soturna, de Eastwood é um marco e acho que o roteiro é extremamente fiel ao livro original de Dennis Lehane. O livro é bem igual mesmo ao filme, isso que me deixou ainda mais satisfeito com a adaptação no cinema.

    Pequena obra prima.

    E eu discordo de ti, acho que os minutos finais são de extrema importância pra obra.

    Beijo!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s