O Lutador (2008)

“The only place I get hurt is out there.”

A Tragicômica história baseada no livro de Robert Siegel sobre Randy “The Ram” Robinson (Mickey Rourke), um lutador de luta livre, famoso nos anos 80, que com o passar dos anos, foi sendo esquecido pela mídia, apesar de nunca ter deixado de lutar, o que conforme ele afirma, era a única coisa que sabia fazer.

Aronofsky soube trabalhar até mesmo com as cenas de humor negro, com Randy pedindo emprego no mercado, em todas as vezes que pensou em finalmente se aposentar das lutas. Não porque tivesse cansado, mas devido a um ataque cardíaco que teve após uma das lutas, o médico alertou sobre parar de lutar caso não quisesse morrer de vez. Todas as cenas até mais tristes, como a rejeição de sua filha (Evan Rachel Wood) ou ainda o fora da dançarina Cassidy (Marisa Tomei), recebiam a sequência de Randy caminhando na rua. A Câmera de mão mesmo, filmava suas costas e em nenhuma cena triste, Aronofsky se rendia a uma trilha lamuriosa. Pelo contrário, sempre rolando a boa farofada dos anos 80 muito bem selecionada, refletindo na música o espírito de Randy e sua capacidade de ignorar que o tempo passou para ele ou para o mundo daquela época. Um bom exemplo disso, é ele jogando um joguinho tosco de luta (na verdade, um jogo dele mesmo) da Nintendo, enquanto o garoto que jogava com ele comenta sobre Call Of Duty 4 e o quanto aquele jogo que eles estavam jogando é ultrapassado.

Mickey Rourke, que há muito não atuava em mais nada, representa um papel meio irônico, considerando que de um ponto de vista simbólico, temos a representação de sua vida num filme. Sua figura é engraçada por si só, e apesar do visu horrível – loiro oxigenado, com aquele bronze estranho e calças colantes – ele garante simpatia logo nos primeiros minutos do longa. É simpático com todos, mesmo quando arranja emprego de atendente de frios no supermercado. Marisa Tomei por sua vez, executa muito bem seu papel, conseguindo exprimir bem sua postura ora como uma dançarina de uma casa norturna, ora como mãe de dois meninos.

As lutas são interessantes, convence quanto sua veracidade, no companheirismo e respeito entre os lutadores, inclusive ao respeito que tinham pelo próprio Randy. Há algumas cenas mais fortes, principalmente na luta que envolve grampeadores e cacos de vidro. Talvez não chegue a chocar, afinal como tudo é combinado, pouco antes da luta Necro Butcher – o cara dos grampeadores – combina com Randy sobre seu plus a mais no ringue.

Com a possibilidade de repetir a luta contra Aiatolá (Ernest Miller) do qual há 20 anos atrás venceu, Randy se vê numa grande tentação de burlar as prescrições médicas e ir lutar novamente, mesmo sabendo que corria um risco por conta de seu coração. O conceito por trás do filme não consiste em superar suas forças, ainda mais considerando que se trata da velhice chegando e não de almejar algo que Randy nunca conseguiu. Se trata de tentar perpetuar sua habilidade, não por acreditar que pode ir muito mais além, já no fim da linha, mas pelo simples prazer de continuar a fazer aquilo que mais gosta e mais sabe.

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12 pensamentos sobre “O Lutador (2008)

  1. Aronofsky praticamente tirou Rourke do túmulo. O cara arrasou. Fiquei até fã dele e tbm acho que merecia o Oscar, já que ganhou até o Globo de Ouro se não me engano.
    dos 5 filmes do Aron, esse fica por baixo, mas ainda o acho excelente e possivelmente um dos 5 melhores dos eu ano.

  2. O filme lembra um pouco os trabalhos de Clint Eastwood como diretor, mostrando um personagem solitário preso ao passado.

    A atuação de Rourke é perfeita, assim como a boa direção de Aronofsky.

    Abraço

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