Up – Altas Aventuras (2009)

“Whoa, that’s s gonna be like a billion transfers to get back to my house… “

Esqueci como é falar menos de detalhes técnicos e filosofar mais sobre um filme, que de fato é o principal foco desse espaço considerando que não sou estudada sobre o assunto. Up é o tipo de animação que não preciso me esforçar muito para lembrar disso. A parte do mundo animado, da história contagiante com cenas engraçadas e gráficos excepcionais, está uma analogia clara das nossas vidas, o que fazemos dela, e principalmente da história que fazemos e percebemos anos mais tarde quando olhamos pra trás. Este post é mais pra quem assistiu do que pra quem quer uma indicação. Perdoem o fato de eu ser seletiva desta vez. Mas, na realidade, esta resenha é mais pra falar do que Up passa pra mim (de uma forma MUITO pessoal) e o poder que a Pixar tem de fazer o mesmo em diversas animações.

Estava eu conversando hoje com uma amiga, sobre as coisas que a gente faz, e a crise dos 20 anos – aquela fase que se quer tudo, fazer tudo, aprender tudo, sem nos agarrarmos em quase nada específico por não priorizar nada. Eu acabei lembrando de uma cena de Up, que foi a que me fez fazer este post, considerando que já faz um bom tempo que vi o longa.  Carl Fredricksen lamenta não ter dado a Ellie, sua esposa, uma grande aventura da qual sonhavam desde crianças: viajar para a América do Sul, desbravar o mundo, conhecer coisas novas.

Uma das cenas mais emocionantes de Up, é quando Fredricksen, já quase no final da animação, acaba foleando um livro que até então era destinado para colocar as fotos e aventuras que o casal faria se tivesse ido para a América do Sul. E então, ele acaba encontrando dezenas de fotos de ambos, construindo a casa, casando, e enfim, detalhes simples do dia a dia, que acabaram fazendo todo o sentido. A Pixar é fodástica não somente por saber fazer uma piada, saber fazer um enredo, mas principalmente por tocar lá no fundo da gente, por razões que embora seja pessoal de cada um, é também um sentimento quase hunanime, porque muitos passaram pela mesma coisa. Um exemplo claro disso é a nostálgica infância que Toy Story desperta em praticamente todo o mundo.

Fredricksen, que nunca teve filho pois ele e sua esposa não podiam, acaba esbarrando com um gordinho escoteiro – Russel, que por sua vez, não tem atenção fraterna com ninguém específico até então. Com Russel, o Sr. Fredricksen volta a ser criança, faz a grande tal aventura com aquele que posteriormente considerou como um filho. E Ellie, apesar de morrer logo no ínicio da história, onde nos mostra um flashback gostosíssimo de ver (e que rende o maior chororô, mais do que qualquer final de outra animação) mostra através daquele álbum que também teve sua aventura e que ela pode também olhar pra trás e dizer que valeu a pena.

O que Up sempre me passa é exatamente isso: Apesar da crise que temos do que fazer para que nossas vidas possam valer a pena, a história e aventura de cada um é única, e até mesmo nas coisas simples da vida temos algo belo, uma relíquia que faz fecharmos o livro concluindo que não havia nada a mais especial do que aquilo para ser escrito.

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8 pensamentos sobre “Up – Altas Aventuras (2009)

  1. Pingback: Especial Top 10 – Chororô! « Le Matinée!

  2. Linda crítica.!
    Up é um dos melhores d pixar, e a cena inicial com os dois velhinhos é uma dos melhores momentos da pixar.

    A trilha sonora então…..a cena que vc citou, dele folheando o livro e toca aquela trilha toda melancólica, é belíssima.

  3. Assim como “Cinema Paradiso”, esta é uma de suas melhores resenhas.
    Novamente fiquei emocionado com o texto que lembra de todas formas o filme. Inclusive a música – causa da maioria das lágrimas hauhaua.
    Beijos, Nat!

    • Resenhas que a gnt escreve de forma pessoal e com um certo grau de paixao pelo cinema, fica sempre melhor ne =)

      Obrigada Matheus!

      Bjs!

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