Efeito Borboleta (2004)

“I’ll come back for you.”

Inspirado pela Teoria do Caos, Efeito Borboleta tem um tema e um roteiro forte, porém por conta de uma história difícil de trabalhar – pouca linearidade, criação de realidades alternativas e lacunas soltas na primeira metade do filme – pode-se concluir que os diretores Eric Bress e J. Mackye Gruber deram umas tropeçadas, algumas delas que se iniciam no meio do filme.
O primeiro tropeço se chama Ashton Kutcher. Ok, entendemos que foi seu primeiro trabalho sério no cinema, e da mesma forma que deu certo para atores como Jim Carey, poderia ter dado com ele. Mas, não deu. Primeiro porque a imagem do desengonçado Kelso sempre me vinha na cabeça em cenas mais descontraídas do qual Evan – o personagem que Kutcher interpreta – mascava um chiclete despretensiosamente. Segundo, porque em momento de loucura e tensão, Kutcher até se saiu bem, mas ainda fica faltando algo. Talvez pelo fato do Evan criança aos 7 e 13 (interpretado por Logan Lerman e John Patrick Amedori respectivamente) terem dado um show de bola, deixando Kutcher anos luz atrás.

A história é a seguinte: Evan possuía algo de estranho do qual os neurocientistas não explicavam mas sabia ser o mesmo “problema” de seu pai. Desde criança, em algum momento de suas ações, Evan apagava completamente, acordando “instantes” depois, sem se lembrar de nada.

Dessa forma, toda a primeira parte do filme se destina a contar os principais acontecimentos dele quando tinha 7 e 13 anos. É necessário se atentar a estes fatos pois daí pra frente, quando já aparece Kutcher em cena, toda a história se desmonta e estas cenas iniciais vão se repetindo e modificando conforme a necessidade de Evan em querer “concertar” o passado, mudando assim o futuro de algumas pessoas, como seu amigo Lenny (adulto Elden Henson), sua amiga da qual mantém apaixonado por toda a vida Kayleigh (adulta Amy Smart, que recebe destaque pelas várias facetas que representa com seu personagem) e o irmão dela problemático (ou não) Tommy (aos 13 anos interpretado por Jesse James, que é a fase que realmente merece mais destaque).

Evan anotava desde os 7 anos num diário, tudo o que ele lembrava, e através destes diários ele percebe que consegue voltar exatamente nas lacunas de memória que teve para poder corrigir algo. Desta forma, um novo Universo Paralelo é construído, mas nada estava 100% satisfatório, fazendo com que Evan repetisse este exercício durante o filme todo. Este vai e vem de realidades além de gerar um certo nó, é passível de muitas discussões a respeito do que erraram ou acertaram cientificamente falando desta idéia toda de Universos Paralelos. Alguns dizem que não faz sentido Evan voltar aos 7 e depois voltar aos 13 na mesma realidade sendo que  já modificou sua história, outros dizem que por conta dos diários, ele acaba retomando sim a mesma realidade, além do fato que antes de “pular”  de um evento para outro, ele sempre voltava para seu presente. hum… entenderam? o.O

Nerdice de lado, uma coisa (aliás várias) podemos dar destaque para o filme: as passagens que mostram os “apagões” de Evan muito bem dirigido, o fluxo da história bastante dinâmico e cenas fortes que representam e moldam o perfil obscuro de Tommy por exemplo. Destaque para a cena do cinema: nunca vi um menino de 13 anos fazendo aquilo e olhar com uma cara maligna depois para os “amigos”. Nem Gil Gomes já leu algo parecido…

Os pontos ruins também são vários. Um deles é o fato do filme não tomar forma nenhuma, perdido numa série de estilos, não só pela trilha sonora completamente inconstante, mas por mesclar romance, drama, ficção, ação tudo num filme só. O que poderia ser completo, perde a identidade. Afinal, da onde raios saiu aquele gordinho from the flames of hell que dividia o quarto com Evan?

O final, ao contrário do que andei lendo de negativo por aí, me é bastante interessante. Se faz sentido ou não, ou se dé um final morno ou não, não importa. Fato é que ele acaba transmitindo a mensagem sobre o sacríficio que Evan precisou fazer, para não ter um fim como seu pai. A pergunta que fica na realidade é: precisava deste sacrifício?

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13 pensamentos sobre “Efeito Borboleta (2004)

  1. Sei lá, o que me irrita nesse filme nem são tanto os furos e as confusões com essa coisa de viajar no tempo, acho que, para o filme ficar interessante tem que deixar passar, dar um pouco de “licença poética”… Senão ficaria muito preso na “dinâmica de viajar no tempo”, e não no “efeito borboleta”, na forma como as ações do passado surtiram influência no presente…

    O que me irrita na verdade é que acho que esse filme tem muito mais potencial do que foi desenvolvido. A ideia é boa, podia ser um filme incrível, mas é só “legalzinho” – acho que muito a ver com a atuação mediocre de Ashton Kutcher.

  2. Eu gosto de Efeito Borboleta, tem aqui e ali alguns defeitos, mas é a única atuação sóbria e interessante de Ashton Kutcher que já vi.

    Somado a isso, ele permite ao menos duas interpretações opostas e que enriquecem um filme como este: a primeira, óbvia dos autênticos poderes de Evan em retornar ao passado; o outro, mais elaborado, flerta com conceito de neurologia e psiquiatria, e busca na loucura da mente do personagem central a chave para a explicação do mistério.

    Infelizmente, as continuações vieram e estragaram qualquer tentativa de sutileza. Mas, eu registro que gosto também muito deste filme.

    Abraços,
    Márcio Sallem (editor do Cinema com Crítica)

  3. Até gosto do filme. Mas a série de furos no roteiro acabou me irritando um pouco hehe Por exemplo, [SPOILER] a cena da prisão não faz o menor sentido e nem segue, pelo menos, a teoria do próprio filme. Ele está com o colega de quarto, lê o diário, volta no tempo da escola e fura as mãos. Faz isso para que consiga “impressionar” o colega de quarto com “chagas” nas mãos. Pela lógica do filme, quando ele estivesse na escola, após ter se ferido, ele deveria prosseguir a vida em uma nova realidade e NUNCA voltar ao tempo presente na cadeia e ainda fazer aparecer as chagas, como se as duas realidades andassem ao mesmo tempo. Confundi será? [FIM DO SPOILER] Por isso, o restante das coisas me pareceu muito forçado. E concordo com você, as crianças Evan trabalharam muito melhor que o Kutcher. O final não me incomoda. Você chegou a assistir o final do diretor? É mais impactante.

    • Oi Victor!
      Quanto ao seu comentário, acredito que não é a mesma realidade, tipo, se ele volta com as “chagas” na mão já é outra realidade… Outra coisa, é que uma pequena alteração no passado pode causar uma grande alteração no futuro, ou uma grande alteração no passado pode causar uma pequena alteração no futuro, ou seja, não existe padrão… ele poderia ter mudado uma coisa muito grande no passado e no “presente-futuro” a alteração ser tão pequena que nem parece outra realidade…. sacas?? Passível pra discussão essa coisa de viagem no tempo né? rs
      No mais, compartilho a mesma opniao sua. Gosto do filme, mas os furos me irritaram um pouco…

      Abs!!!

  4. É um bom filme mesmo, mas como disse, tem seus furos. Acho q as atuações dos atores juvenis sobrepujam a de Kucther e nesses momentos são qd o filme ganha força. As continuações são totalmente desnecessarias, mas esse filme foi dos melhores do seu ano. Abração!

    • Não tenha Marcio! Eu tb achei um bom filme, porém consegui identificar pontos negativos nele, mais fácil do que em outros do mesmo estilo. Mas de qq forma, é de fato um filme bastante interessante! Abs!

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