Sete Anos no Tibet (1997)

“Tell my wife that two years in prison camp is roughly equal ant to four years of marriage and I’m glad to be free of them both.”

Heinrich Harrer (Brad Pitt), é um alpinista austríaco, que em seu ápice de egocentrismo, larga sua esposa grávida e prestes a dar a luz, para poder ir ao Himalaia escalar o pico Nanga Parbat, e desta forma obter mérito e fama. Parte com um grupo de outros alpinistas, em pleno início da Segunda Guerra Mundial, e acaba ficando preso no exterior, afinal, nenhum estrangeiro poderia sair ou entrar de lugar algum.

Foi lá na prisão que ele recebe a carta de sua esposa, falando que quer o divórcio, e o filho dele está bem, obrigada. Com isso, Heinrich muda de idéia de fugir para voltar para casa. E (após inúmeras tentativas de fuga) é com ajuda dos outros alpinistas, incluindo Peter (David Thewlis), que ele finalmente foge da prisão, mas opta em ir para o Tibet, meio sem rumo.

Baseado em fatos reais, e no próprio livro de Harrer, é muito comum Hollywood fisgar expedições como essa para representar nas telas. Expedições esta que mostra a mudança do caráter e estilo de vida de um homem, que acaba amadurecendo enquanto ser humano. Além desta obviedade, Harrer foi parar no Tibet e acaba conhecendo Dalai Lama, que naquela época tinha 14 anos de idade. Era infalível que a história então tomaria este rumo sobre maturidade espiritual de alguém medíocre…

Paralelo a isso, claro que temos as próprias questões históricas, mostrando a cultura do povo Tibetano e como os Chineses acabam derrubando uma cidade sustentada pela paz de espírito. Apesar da bela fotografia, e da capacidade de atuação de Pitt, Thewlis, e do menininho que representa Dalai Lama (Jamyang Jamtsho Wangchuk – e sim, claro que copiei esse nome do IMDb), o filme não traz o suficiente para comover, por mais que tenhamos a história dramatizada do filho de Harrer não querer conhecer o pai, ou ainda da perigrinação dele em evoluir como uma pessoa melhor (que graças a Pitt, vemos de forma consistente se desenvolver ao longo do filme). Infelizmente, ele se perde no enfadonho, por mais que o diretor Jean-Jacques Annaud tivesse em mãos todas as ferramentas para construir uma pérola do gênero. Pois de tão longo, com a saturação dos mantos dos monges tibetanos vermelho e amarelo, causa fome e sonolência para quem assiste.

Considerando uma parcela de sensibilidade desta pobre blogueira, você não termina o filme como uma pessoa melhor ou modificada (como alguns filmes são capazes de fazer), porém consegue por um lado obter carisma pela narrativa, mais por conta da agradável harmonia do povo Tibetano, vinculada com a amizade de Harrer com Peter sendo construída, e nosso protagonista ser capaz de chorar, pelo filho que não conheceu. Voltando para o lado frio da força, eu trocaria o nome do filme para um mais realista: Sete Horas no Tibet.

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