Aqui é o meu lugar (2011)

“At this particular moment I’m trying to fix up a sad boy and a sad girl, but it’s not easy. I suspect that sadness is not compatible with sadness.”

“Pés no chão, cabeça no céu”. Paolo Sorrentino vai tão fiel à música de David Byrne que faz título ao filme, que acaba traçando em uma espécie de Road Movie meio exótico, uma história meio sem coesão que mistura um rockeiro dos anos 80, com um pai judeu que passa a vida em busca de vingança.

Mas, apesar dessa mescla de fases e temáticas, não é uma bagunça que fica na superfície. Através de uma trilha sonora gostosa (quase sempre me apaixono por trilhas de road movie – ou “wannabe road movie”) somos apresentados a Cheyenne (Sean Penn), um rockstar que fez sucesso nos anos 80 com suas músicas depressivas e agora vive numa mansão com sua esposa bombeira.

Cheyenne, esteticamente falando, mirou no Robert Smith e acertou no Ozzy. Afinal, apesar de seu cabelo desgrenhado, seu lápis de olho preto e seu batom vermelho (a próposito, a dica da durabilidade do batom que ele dá no elevador, funciona meninas!!!) ele tem toda a senilidade e leseira de Ozzy Osbourne, e Sean Penn representa estas características sem alguma dificuldade. Seu personagem é quase sempre infantil, parece conter-se na raiva, solta sorrisos tímidos e depressivos e fala meio embargado nas palavras como se doesse pra falar. Lamenta a morte de dois adolescentes suicidas que deram um fim na vida, baseado em suas músicas. Músicas que falavam de dor, mas que na realidade Cheyenne nunca sentiu de verdade.

Após um período em que consideramos uma linearidade na história, Sorrentino nos dá um pelé, larga todos os fios soltos (por exemplo, a amiga emo que perde o foco brutalmente) e leva Cheyenne até seu pai, que está morrendo. Lá, Cheyenne tem a missão de encontrar um ex soldado nazi que “maltratou” seu pai na época da Guerra. Nazi que agora tem cerca de 95 anos.

Aí começa o road movie, cheio de analogias sobre a vida, rancores e amadurecimento. Cheio de clichês também, afinal sempre surge uma mãe solteira que mora numa casa no meio do nada, certo? Essa é mais uma das fraquezas do filme. Ah, lembrei de outra: David Byrne. Um sensacional intérprete enquanto canta, mas como ator eu tive vontade de chorar de vergonha alheia. Fez cara de ostra enquanto Cheyenne se debulhava em angústias num Sean Penn em uma de suas melhores atuações. Mas ok. Viva o Talking Heads.

Se há um ponto forte para destacar (além de um final bonito e simples) é Sean Penn. Estou sendo redundante, eu sei. Mas, sinceramente: ele é o filme. Se o filme todo fosse uma bosta, sem nada pra dizer, sem sequer um sentido, haveria Cheyenne – o personagem que faz o filme. E pra provar como creio fielmente nisso, segue abaixo como seria Cheyenne se fosse interpretado por Nicolas Cage, nosso queridissimo talentoso de N expressões.

Enfim, Sorrentino soube aproveitar a figura de Cheyenne quase sempre em que sua silhueta aparecia, ou ainda com a alça de sua malinha de viagem aparecendo na cena. Além disso, a fotografia é bela, e alguns closes davam um toque final. Como Pé no Chão eu acho que faltou muita coisa para ser um bom filme. Mas como Cabeça no Céu, ele me disse muito.

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