O Escafandro e a Borboleta (2007)

“I decided to stop pitying myself. Other than my eye, two things aren’t paralyzed, my imagination and my memory.”

Jean-Dominic Bauby (Mathieu Amalric), era um editor da Elle francesa, tinha 3 filhos e uma vida aparentemente realizada. De um dia para outro, tudo muda quando ele tem um derrame, ficando em coma por 3 semanas. O drama começa com ele acordando do coma, e a câmera na maior parte do tempo foca as cenas pelo seu olhar. Uma tarefa dificíl para o diretor deste longa, afinal, Bauby tem apenas o movimento do olho esquerdo. Através do olhar e do seu pensamento que “narra” sua história e serve para responder as perguntas que lhe fazem (cuja única pessoa esclarecedora é o espectador), Bauby nos mostra uma situação complicada que é acordar completamente paralisado, sofrendo de uma rara síndrome em que apenas pelo piscar dos olhos (Uma piscada é sim, duas é não) ele é capaz de se comunciar.

O Dir. Julian Schnabel demora para nos apresentar finalmente o rosto “modificado”  de Bauby. Os primeiros 20 minutos de filme é sustentado tão somente pela nossa curiosidade em saber quem é aquela pessoa, que levava com um humor ácido sua condição e que se alimentava de praticamente duas coisas: sua imaginação e suas memórias.  A boa sorte do moço é que ele era um redator renomado. Logo, tinha contatos, um bom hospital com uma boa vista para o mar, se é que isso pode servir como conforto de alguma forma. Enfim, por conta disso, ele tem ajuda de Henriette Roi (Marie-Josée Croze), que através da técnica da médica do hospital, ela é capaz de ajudar Bauby a escrever um livro somente piscando. Consistia na pessoa dizer uma ordem de letras (baseada na frequencia de uso) e quando fosse a letra da palavra que Bauby queria dizer, ele piscava. Imagina escrever um livro assim? E isto não se trata de uma ficção. Isso põe Bauby numa posição de extrema superação e determinação, e convenhamos, sua parceira ganha o prêmio nobel de paciência.

Mas, falemos do filme. Cenas bonitas, closes interessantíssimos surgem nas 2 horas de duração. O sono bate pesado, é necessário aquela força de vontade toda que é preciso ter para um bom e poético filme francês. Não tem final com expectativas, embora é bem verdade que acreditamos na melhora lenta de Bauby. Talvez ela tenha acontecido em seu interior. Constantemente Bauby faz sua analogia ao Escafandro, cita Dumas se comparando ao personagem em que tem sua figura como alguém que pode deixar as pessoas pesarosas e “incomodadas” .

O mais interessante talvez é a ausência de um drama apelativo e barato. Graças a este humor e a forma com que Bauby conta as coisas, até mesmo seu ceticismo eterno, faz o filme ter um equilibrio entre o sentimental e a frieza dos fatos. Talvez a única cena mais “forte”  por assim dizer, seja a do telefonema de seu velho pai que se emociona com a situação do filho.

Você pode se cansar talvez das intermináveis vezes em que se falava letra por letra para Bauby piscar. Schnabel pode ter acentuado isso para darmos essa sensação do quanto era árduo e grande a dedicação das pessoas em querer ouvir o que Bauby tinha a dizer. Alguns momentos chegou a me causar eterno desconforto o fato de Bauby não poder se expressar, sem precisar de alguém para lhe falar as letras. Como a mosca em seu nariz, ou o médico desligar a TV na hora do futebol. Mesmo cansativo, o diretor soube mostrar muito bem, tanto essas cenas quanto as que Bauby lembrava/imaginava sua vida. Taí uma história diferente, digna de reflexões sobre o poder que temos de nos expressar e demontrar sentimentos.

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