La Bamba (1987)

“My mom reckons I’m going to be a star. And stars don’t fall from the sky”

Na década de 50 os jovens que sentiam começar a ferver em seu interior a grande energia do Rock n Roll, e tentavam usar a música como sua carreira, poderiam sofrer preconceitos, ao mesmo tempo em que eram idolatrados por tantas meninas histéricas. Ricardo Valenzuela (Lou Diamond Phillips) vivia nos Estados Unidos, porém com ascendência mexicana. Era de uma família pobre, com seu irmão viciado numa pinga 51, sua cunhada grávida e chorona por conta do marido, e sua mãe que sempre lhe apoiou, Connie (Rosanna DeSoto). Talvez por sua classe social, ou o fato de ser estrangeiro e mais ainda por ser “apenas um cantor”, Ritchie era desprezado pelo pai de sua amada Donna, uma namorada que conheceu nos tempos do colégio antes de largar os estudos para viver de música.

Dirigido por Luis Valdez, há no filme elementos manjadíssimos de uma cinebiografia de astro do rock. Mas, a história de Ritchie por si só é diferente de muitos outros. Tem aquele tempero mexicano, e tem a própria personalidade do protagonista. Ritchie não era drogado. Não dormia com groupies, não quebrava a guitarra. Era o bom moço e quem apimenta e toca o terror de rock star ali é seu irmão Bob (Esai Morales). Este, apesar de amar o irmão e da relação de ambos ser boa, alimentava uma certa inveja e ciúmes de Ritchie. Enchia a cara quase todo dia, arrumava briga e tinha sempre seus sonhos fracassados. Não era o foco principal do filme, mas parece que havia a necessidade de destacar Bob mais do que deveria talvez por conta do bom comportamento de Ritchie. Isso não chega a deformar o filme, pois a personalidade de Bob contrastava com a de Ritchie fator decisivo para se formar o perfil exato do personagem. E mesmo não conquistando jamais o coração do pai de Donna, ele provou seu amor para ela ao mostrar que não se importava com fãs histéricas. Aliás, Donna foi responsável por um de seus maiores sucessos, sendo sua musa inspiradora na canção Donna.

A introdução da música La Bamba no filme homônimo, foi bem encaixada. Primeiro com Ritchie ouvindo ela numa casa de tolerância (acho divino esse termo) em Tijuana, por um grupo de mexicanos tradicionais, cenas depois com Ritchie pedindo ao seu produtor e empresário Bob Keane (Joe Pantoliano) em poder fazer uma versão Rock n Roll da música, e cenas após isso, Ritchie cantando a música num festival, sendo super bem recepcionada pelo público.

Mas, não nos esqueçamos de que o filme foi feito na década de 80. Então, clarooo que tem elementos toscos. Uma é Ritchie pra cima e pra baixo com a guitarra pendurada no pescoço. Entrar num lugar pra tocar já com a guitarra pendurada até vai, mas descer de uma moto, ir no restaurante ou no parque de diversões com a guitarra não dá. Se é da época ou não, isso é coisa que não sei.

Os closes nos sapatiados rockabilly do pessoal dançando, ou mesmo a briga entre irmãos, são pontos altos. Ainda temos a participação de Brian Setzer, líder do Stray Cats fazendo o papel de Eddie Cochran, outro cantor fantástico da época, que ganhou sucesso com a música Summertime Blues (embora a versão do Stray Cats, que é tocada no próprio filme “La Bamba” é bem melhor e mantém os traços do Rockabilly).

Ritchie sempre teve medo de andar de avião, e frequentemente tinha pesadelos relacionado com tragédias. Mas, grande parte do filme mostra o lado gostoso e contagiante de Ritchie. É apenas em minutos que tudo se dissolve com a nevasca e a queda do avião de pequeno porte, no dia 03 de fevereiro de 1959, o dia que Don Mclean em sua música American Pie chamou de “O dia em que a música morreu”. Não mostra a queda do avião, porém o diretor acertou mais uma vez, soltando uma carga emocional intensa ao notificar pelo rádio a notícia da morte dos três astros do rock: Big Bopper, Buddy Holly e Ritchie Valens, este com apenas 17 anos. A família de Valens recebe a notícia em choque. Tudo que você pode chorar você chora em pouquissimo tempo. O tempo da família ouvir a notícia,  a própria Donna ouvindo no colégio e a reação de Bob (que havia se reconcilidado com o irmão momentos antes da tragédia) emociona. Não há mais o que mostrar e o filme. De fato é desnecessário o pequeno take de uma lembrança de Bob com Ritchie correndo num morro. Mas é tão rápido que não deprecia, mesmo sendo a cena final. E volta nos créditos finais com La Bamba e o sorriso simpático de Lou Diamond Phillips, que apesar de certos amadorismos em algumas cenas, encaixou perfeitamente no papel.

A morte é acordar, disse o índio para Ritchie. Mais tarde, Buddy Holly já no avião comentaria para Ritchie: “Não há para que ter medo. Afinal, o céu pertence as estrelas, não é mesmo?” Sim, é por isso que lendas como eles se foram, tão cedo e o Fresno e Restart continuam aqui na terra, firme e forte.

(perdoem-me o humor negro, não resisti)

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12 pensamentos sobre “La Bamba (1987)

  1. Não me recordo desse filme, a pesar da Sessão da Tarde ter ocupado boa parte da minha infância. Achei curioso o fato de Ritchie ter sido uma estrela do Rock “careta”, foge do tradicional perfil dos grandes astros da música retratados no cinema. Quero ver esse.
    Abraço.

  2. Nossa, esse filme tem cheiro de minha infância. hehe. Vi várias vezes na Globo. Adora, principalmente pelas músicas. Mas, você tem razão quando aponta os clichês e o ar que hoje soa meio tosco dos anos 80. Mas, aquela cena Bob abraçando a mãe que estava estendendo roupa quando a notícia sai no rádio é emocionante.

    • A cena que eu acho mais emocionante é a briga do Ritchie com o irmão, e que sem querer o Bob arrebenta o colar que o indio deu pra ele. A Cena em que Ritchie liga pro irmao pedindo pra se encontrar com ele tb me fez chorar, rs.

  3. Esse filme traz saudades da minha infância, quando o assisti numa noite na CNT gazeta rs, lembro que nao sabia q ele tinha morrido e fikei muito triste hehe mas de fato é um filme muito legal mesmo, eu tava ateh comentando com um carinha do trampo essa semana sobre esse filme e deu vontade de ver de novo, agora com esse post reforçou a vontade, ahhhh e nao esqueça, no final desse ano vai sair um filme do restart, quero ver sua resenha sobre ele, aproveitando..cade a do Justin bieber?? hehehe

    bjus nat

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