Top 10 – Personagens de 2011

Saudações, cambada cinéfila!!! Vamos ao Top 10 tradição pra fechar o ano, levar as coisas boas do cinema para frente, fazer oferendas para 2012, e expurgar o mal dos filmes ruins desse ano. Amém!

Separei todos os filmes lançados no Brasil em 2011, que eu assisti, e deles eu selecionei os 10 personagens mais legais que marcaram o ano, seja pela ótima atuação do ator/atriz que interpreta como pela força do papel em si.

Esse ano teve muita coisa boa aqui no blog. As visitas diárias aumentaram (ainda não recebi os gráficos anuais do wordpress mas depois eu conto) além da pequena mudança no nome do blog, que agora é La Matinée! ou ainda Matinée, para os íntimos. Aliás, tem muito cinéfilo íntimo aqui do blog, que comentaram e fez esse canto cada vez mais legal. Só para citar alguns (os mais pops daqui) temos:

  • Celo Silva do Um Ano em 365 Filmes – Me ajudou com o Top 10 Halloween super legal, e cumpriu a meta de ver 365 filmes no ano!
  • Marcio Melo do Porra Man! – Top comentarista aqui, gente finíssima e dono do blog, do qual eu me divirto discutindo sobre The Walking Dead.
  • Cristiano Contreiras do Apimentário – Porque o Cris é um fofo! Bjo Cris!
  • Amanda Aouad do CinePipocaCult – Outra fofa da Bahia!
  • Adécio Jr do Poses e Neuroses – Digníssimo que tive a honra de ser entrevistada.
  • Alan Raspante do Satélite Assassino – Outro top comentarista fofo! Alan, não esquece de me mandar seu link novo, caso mude o endereço viu?
  • Elton Telles do Pós Première – Quando comenta, fala quase sempre palavras sábias!
  • Matheus Denardim do Observatório do Cinema – Outro Top Comentarista e um dos Matheus da blogosfera cinéfila.
  • Bruno Knott do Cultura Intratecal – Outro blog para eu ler e discutir The Walking Dead.
  • Gabriel Neves do Crítica Mecânica – Super gente fina, que escreve bem pra cacete! (sorry pela expressão!)
  • João Linno do Cinemosaico – Mais um top comentarista que assiste mais filmes do que todos os episódios do Chaves que você assistiu ao longo de uma infância.
  • Anderson Souza do Cine Indiscreto – Parceiro top comentarista aqui também!
  • Matheus Fragata do Bastidores – Sumido por aqui, mas um camarada super legal que ainda vai me ajudar a organizar um encontro cinéfilo SP 2012 =)
  • Pedro Tavares do Cinemaorama – Outro que tem uns posts bem legais desde os Naftalinas até os da cabine de imprensa =)

Tem mais um monte de gente pra agradecer. Mas enfim né pessoal, vamos pro Top 10 logo né?

A todos os amigos do La Matinée! um bom fim de ano e uma ótimaaaa entrada!! =) Nos vemos em 2012 (tipo, depois de amanhã) !

10 – Robert Ledgard (Antonio Banderas) – A Pele que Habito

Com Spoilers

“If you wanted to die you would have cut your jugular.”

Nosso Zorro já tá meio idoso mas ainda é capaz de interpretar muito bem. A real é que o personagem Robert não nos traz nenhuma cena muito impactante com relação a sua linearidade mas talvez seja a forte química entre um filme de Almodóvar com Antonio Banderas que casou tão bem e cativa logo de cara.  E convenhamos – não fosse o fato dele ter se apaixonado por Vera/Vincent, é uma vingança e tanto tirar o Vicente de um rapaz, para por uma Vera no lugar, não?

09 – Maggie Murdock (Anne Hathaway) – Amor e Outras Drogas

“You are not a good person because you pity fucked a sick girl.”

Maggie me cativou logo de cara. De uma certa forma, me identifiquei com o personagem, fato que talvez facilitou minha empatia com ela. Paralelo a isso, tem o fato que mesmo que o filme não tenha tanta excelência, Hathaway segurou muito bem o tranco de uma garota com Parkinson. Garantiu bons momentos de agonia, principalmente na cena em que tenta lentamente pegar suas pílulas, tomando o cuidado de não derrubar tudo, com uma respiração pesada e tensa.

08 – Charles Xavier (James McAvoy) – X-Men – Primeira Classe

“You know, I believe that true focus lies somewhere between rage and serenity.”

Nessa eu fiquei na dúvida se colocava o Fassbender com seu Magneto. Mas, (utilizando da fonética de Inri Cristo) não poderia ignorar meu Paii, Charles Xavier. McAvoy ganha êxito aqui porque não é fácil aguentar o tranco de interpretar o Professor Xavier, principalmente quando a versão mais velha do personagem – Patrick Stewart – o faz com maestria. Em sua versão mais nova, é bem coerente perceber no rapaz uma nerdice e um pouco de imaturidade que vai se desenvolvendo conforme ele vai formando a escola e ensinando aos outros mutantes como lidar com o destino que foi concedido a eles.

07 – Rei George VI (Colin Firth) – O Discurso do Rei

“In this grave hour fuck fuck fuck perhaps the most fateful in our history bugger shit shit.”

Nem de longe é pra mim o melhor filme do ano, mas Colin Firth entrou em tudo quanto é lista minha desde seu papel do rei que gagueja. Como Top 10 personagens então, não poderia ficar de fora. Dono de um dos melhores Fucks da história do cinema, Firth com facilidade demonstra o nervosismo do rei além de claro, ter em sua faceta nítida, os traços da realeza britânica. Digno.

06 – Dicky Eklund (Christian Bale) – O Vencedor

“Who used to be the pride of Lowell? Right here!”

Aqui no Brasil, foi lançado somente este ano, mas já vimos logo no Oscar, quando Bale ganhou a estatueta de melhor ator coadjuvante. Semanas depois, confirmei assistindo O Vencedor, que não é para menos o merecimento do prêmio. Bale destaca mais do que Wahlberg, o que de certa forma não é tão difícil assim. Bale ainda teve que perder cerca de 30 kg, para interpretar Dicky, viciado em crack, e lá vai Bale novamente fazer a dieta intensiva…

05 – Dean (Ryan Gosling) – Namorados para Sempre

“Tell me how I should be. Just tell me. I’ll do it.”

Ryan Gosling é um ator que pra mim, tem se destacado bastante nos últimos 2 anos. Como Dean, o marido da mala Cindy (Michelle Williams) ele se destacou bastante, indo  desde o cara legal e apaixonado, ao cara perdido, desesperado e… ainda apaixonado. Oscilando entre a calmaria e o nervosismo violento, é um personagem intenso e por mais preguiçoso que ele parecia por vezes, transmitia carisma pelo carinho que tinha como pai e seu “esforço” para ser um bom marido.

04 – Rochester (Michael Fassbender) – Jane Eyre

“You would rather drive me to madness than break some mere human law.”

É claro que tirei Fassbender como Magneto da lista, porque tinha essa carta na manga! E não por menos. Como Rochester, um cavaleiro do século XIX que se apaixona pela governanta Jane (Mia Wasikowska), Fassbender dá um show. Sabe ser esnobe e atraente (seus traços germânicos e finos ajudam) sabe ser ingênuo e humilde por vezes, e mostrou que serve – também – para filmes de romance e época. Mia não fica atrás, apresar da sonsera em Alice no País das Maravilhas ela mostra aqui uma Jane Eyre forte, mas é de Rochester a posição. Acho que escolhi certo, não?

03 – Tommy (Andrew Garfield) – Não me abandone Jamais

“So we say that we’re in love. They can look to our souls and they can see.”

Outro que foi dificílimo decidir qual personagem escolher diante de um filme que apresenta 3 competentes que intensificam a qualidade das cenas. O fator decisivo inclusive para escolher Tommy/Garfield invés de Mulligan ou Knightley é por conta de uma cena: Tommy após sair da casa da ex professora. Pronto. Pra quem não viu o filme fica com aquela pulga atrás da orelha, e pra quem viu pode relembrar e começar a chorar novamente. Talvez beber uma garrafa de vinho, sentado numa guia com um cachorro molhado ao lado. Você pode lembrar também o quanto a vida é triste as vezes, e considerar um suicídio…. Poxa gente, é ano novo eu não deveria ter lembrado desse filme… o.O Mas, uma coisa é certa: foi um dos melhores filmes que vi esse ano.

02 – Severus Snape (Alan Rickman) – Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II

“You have your mother’s eyes.”

Não sei se isso é unânime, mas para mim, a cena principal com Snape era a mais esperada. Aliás, desde que li os livros, era a cena que eu mais tinha curiosidade de ver no cinema dentro da saga Harry Potter. Tanto que se aproximando do momento, eu já tava chorando junto com todo o resto de cosplayers no cinema. Mas, não somente nessa cena, e sim no filme todo (e praticamente em todos os filmes) Alan Rickman deu a Severus Snape um personagem que não poderia ser substituído por nenhum outro ator. Sua frieza, seu jeito lento e apático de soltar as palavras, faz dele o personagem detestável que eu tanto amo. Rowling já facilitou as coisas para Rickman fazendo um personagem e tanto. Mas, Rickman deu forma e personificou maravilhosamente bem Snape.

01 – Nina Sayers (Natalie Portman) – Cisne Negro

“I was perfect…”

Porque?

Porque nem fumando toda a maconha da plantação que seu vizinho tem nos 20m²  de seu quintal você fica com os olhos vermelhos daquele jeito. É preciso ter o Tinhoso no corpo e na alma, num auge de loucura absurdo para ter o sangue nos olhos, arrancando dos que assistem uma espécie de medo e pena. Tudo isso sem ser realidade, só mesmo Natalie Portman brincando de faz de conta e surpreendendo a todos com seu belo Cisne Negro que entre a ingenuidade e perversão faz um espetáculo do começo ao fim da obra de Aronofsky. Clap Clap Clap!

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Não me abandone jamais (2010)

“We all complete. Maybe none of us really understand what we’ve lived through, or feel we’ve had enough time.”

Do livro de Kazuo Ishiguro, Não me abandone Jamais tem excesso de melancolia. Não cheguei a ler o livro para fazer as necessárias comparações a respeito de uma adaptação. Pela visão daquela que somente viu a versão cinematográfica, este é um drama, que paralelo com a vida amorosa que permeia durante todo o filme, traz metáforas sobre nossa própria existência que nos leva a ponderar sobre nossa vida, e a humanidade.

O ponto forte do filme (um dos, talvez) é o triângulo amoroso e o trio que interpreta: Kathy (Carey Mulligan), Tommy (Andrew Garfield que subestimei e me surpreendeu aqui) e Ruth (Keira Knightley fazendo o papel  secundário, mas ilustre como sempre). Quando crianças, estudavam numa espécie de internato chamado Hailsham. Um belo dia, uma das professoras um pouco chocada com a realidade a respeito do futuro destas crianças resolve contar-lhes a verdade: o destino de cada um, que justifica todos os meios sobre quão bem cuidados eles estavam sendo ali (em aspecto físico). Logo cedo, as crianças encararam sua realidade sobre suas vidas e aceitaram de uma maneira que com o passar do filme vai nos incomodando. Ansiando pela revolução que não chega, antes de analisarmos qualquer razão para o silêncio dos jovens, há no nosso coração a angústia de fazer mudar as coisas.

É pouquíssimo explorado no filme a verdadeira idéia de quem eles são. Poder-se ia acreditar que são órfãos (o que não é sobretudo uma mentira). Os termos sobre encontrar seus “originais” não parece fazer sentido se não é feito uma reflexão sobre o contexto por trás do longa. O que fica na superfície é uma história de amor. Entretanto esta história de amor não deve ser menosprezada, considerando as pessoas que se apaixonam, e o fato a se ponderar sobre Ciência e Evolução VS Sentimento e humanismo.

O triângulo amoroso se dá por uma Ruth invejando o amor puro de Tommy e Kathy, e desta forma, assumindo as rédeas e fisgando Tommy para si, deixando Kathy por um bom tempo como uma solitária capaz de aceitar tudo: Não somente seu próprio destino como a perda de quem ama.

Apesar disto, Kathy sempre esteve lá. Sempre gentil, sempre bondosa, sob lágrimas sentidas ela concordava ou fechava os olhos. É como uma morte silenciosa, da qual a dor que é sentida é superada pela capacidade de aceitação de cada um, sobretudo de Kathy. A gente se pergunta porque raios eles não simplesmente fogem? E foi só quando revi na memória novamente o filme, me dei conta de que quando um ser é criado com um dedo apontando para ele falando sobre os perigos do mundo e sobre a fraqueza humana, este ser sempre estará num casulo. É a Alegoria da Caverna de Platão. Em nenhum momento, Tommy, Kathy e Ruth saíram da caverna para a luz, porque a luz talvez seja o mundo dos loucos e porque foram criados com a manipuladora ideia de que todos deveriam aceitar seus destinos, sem lutar pelo contrário. De uma forma subjetiva, muitos vivem sem a revolução, porque desconhecem esta possibilidade considerando que parte de suas características foram manipuladas por um cérebro maior. Manipulação e a falta de humanismo, talvez sejam os termos exatos que retratam o filme todo, e faz termos cada vez mais pena de nossos protagonistas (independente das desavenças que envolva o triângulo amoroso entre eles) e cada vez mais aversão a quem controla tudo do jeito que as coisas são, inclusive mediante a frieza dos fatos. Bem verdade que estas questões são relativas. Afinal, e se nós fossemos os controladores? Enxergaríamos Kathy, Tommy e Ruth como humanos?

Seja pecando ou acertando, o fato é que isso fica num plano abaixo, quando temos a relação amorosa dos três jovens. Temos 3 pontos da linha de tempo linear que vão se desenrolando conforme o filme. O auge de nossa hesitação, talvez o ponto marcante e profundamente melancólico que o diretor Mark Romanek joga com todas as forças para a tela, é de fato a inocência destes personagens (precisamente em Tommy) e a sua angústia a medida que é chutado e cuspido toda a realidade de uma ilusão alimentada por esta inocência. [COMEÇA SPOILER] Acreditando que através de seus desenhos (da arte) pudessem ver sua alma, Tommy realiza criações compulsivamente na esperança de que pudessem ver pela sua alma, que o amor entre ele e Kathy era verdadeiro e puro. E que desta forma, ganhassem momentos a mais para compartilhar deste amor. “Não queríamos ver suas almas, queríamos ver se possuíam alma. Porém vocês são tudo, menos humanos”. [/TERMINA SPOILER] Apesar de ser difícil compreender estas palavras, pois em quase nenhum momento o filme te dá esta ligação com a ficção científica, o que importa é a decepção estampada em Tommy. O que importa é sua forma de explosão. Um deleite para aqueles que gostam de uma verdadeira carga de tristeza, este é o trecho em que o coração começa a sangrar.

Esquecido pelo Oscar, Não me abandone Jamais não deve ser esquecido como tantos outros dramas que podem emocionar somente na hora. Refletimos então sobre a existência e sobre a humanidade. A parte disto, temos uma trilha sonora expressiva, uma fotografia fria ornando com a trama, e a atuação excelente do trio de atores. Praticamente indispensável.