Batman – O cavaleiro das trevas ressurge (2012)

“I call him The Bat, and yes Mr. Wayne it does come in black.”

A gente vai sempre querer algo melhor do que o anterior. Concordo que ser melhor que Batman – O Cavaleiro Das Trevas, com um Coringa fenomenal daqueles, seria uma tarefa difícil para Christopher Nolan. E a bilheteria de O Cavaleiro das trevas Ressurge, já estava ganha de qualquer jeito. Então, valia o esforço?

É um filme bom. Mas, com pontos fracos. Alguns decepcionantes. Então, acompanhem comigo minhas amarguras… Spoilers a frente…

Deixa-me ver por onde começar… Ah sim.. O começo, com uma ação de prender o olho na tela, muito legal. Somos apresentados ao principal vilão do filme (assim como no anterior, com a cena inicial do Coringa). Bane é um fugitivo da Liga das Sombras que veio apavorar Gotham. Batman por sua vez, está sumido há 8 anos, desde o evento de Harvey Dent. Gotham estava tranquila até então.

Aí, Bane quer aterrorizar com uma bomba nuclear e destruir a cidade. Batman volta, sai no tapa com Bane, e aí fica nessa estapeação toda. Bom, primeiro que Bane é definitivamente um personagem ridículo. Chega a incomodar. Não sei se é porque eu tinha adoração pelo Coringa (olha eu falando nele de novo), talvez seja melhor nem comparar, mas de fato Bane chega a cansar em algumas cenas.

E então, ele prende Batman no fundo do poço de onde veio, para que este pudesse assistir pela TV, a destruição de Gotham. Neste encaixe da história, temos a cena do estádio. Todo mundo entertido vendo o jogo, inclusive o prefeito. E é lá que Bane escolhe chamar a atenção de todos e falar de seu plano destrutivo. A primeira bomba é disparada, ferrando com várias partes da cidade. O caos começa. Uma puta cena de terrorismo barato. Devo ter visto essa de estádio como ferramenta midiática pro terrorismo, em pelo menos uns 3 filmes… Enquanto isso, o Batman tá lá, fazendo musculação, comendo Ruffles e tomando água para se fortalecer e conseguir sair do poço, com base de muita gordura saturada e fé. E claro que ele sai né, ele tinha que ressurgir e bla bla bla…

E tem ainda Selina Kyle, a Mulher Gato. Não sei dizer o porque, mas Anne Hathaway parece não segurar o papel. Bela como sempre, mas falta o ar de filhadaputagem, que não condiz com ela, mesmo nas cenas em que ela pinta e borda com Wayne. Nenhum personagem é cativante para nos prender, se não os mesmos de sempre: Fox, Gordon, Alfred, e o próprio Bruce Wayne. Joseph Gordon-Levitt, faz o policial orfão, que contribui para que Batman voltasse para proteger a cidade. Este é um personagem interessante até. Só podia ter mais destaque.

O filme ganha ápices de chatice, me dando a sensação de que tantas horas de duração são desnecessárias. Além da cena do estádio, tem ainda seduções femininas, beijinho de despedida, e claro… a bomba relógio. Algumas cenas são realmente emocionantes. Como as de Alfred por exemplo (sempre me comovo com idosos chorando, e eu chorei muito no final), e a do Comissário Gordon lembrando de Wayne pequeno. Um filme legal, mas um pouco mal aproveitado.

Um Dia (2011)

Emma: Your wedding invitations are scented?
Dexter: Lavender.
Emma: No, Dex, money. They smell of money.

Lone Scherfig sabe como desenvolver uma novela. Desta vez, fez uma adaptação do romance de David Nicholls (que também adaptou o roteiro), e como eu não tive a oportunidade de ler tal obra, fica difícíl concluir quem errou a mão, se foi Nicholls pela história ou Scherfig por esbanjar romance barato. Talvez os dois…

Através de seus significados mais profundos, que podemos tirar proveito da história, Um Dia nada mais é que uma versão moderna de Cidade dos Anjos. Tirando a névoa espiritual e aplicando a social, temos um casal de amigos: Dexter e Emma (Jim Sturgess e Anne Hathaway) que se formam juntos no colégio e desde então são grandes amigos. Mas, há uma barreira intangível que separa ambos de realmente se declararem um para o outro, e esta amizade reprimida de ser um amor de verdade, perdura por muitos anos.

Mas, voltando a comparação aparentemente absurda com Cidade Dos Anjos, temos Dexter que se torna um cara viciado e alcóolatra, apresentador de um programa ridículo, porém podre de dinheiro. E no outro pólo temos Emma, uma garçonete de um restaurante mexicano. De uma certa forma, Dexter é o que vive num mundo diferente do de Emma e talvez seja isso que afaste ambos de estabelecer um relacionamento. Não quero soltar um spoiler que fará intensificar minha comparação, porém quando você assistir, você irá perceber. No mais [SPOILER ALERT] poderiam ao menos terem trocado de acidente, não? [/SPOILER ALERT].

Tudo de ponto positivo do filme, infelizmente não está relacionado com a história. Achei belíssimo a forma que o filme começa num clima de filme de época, casando música com as letras de introdução. A forma com que a diretora comunica a mudança de data de 2000 para 1988 por exemplo, é um recurso admirável. Além claro, quando a data 15 de julho de ano X aparece em algum lugar de uma cena. No mais, temos um Jim Sturgess que fez o que pode com o que tinha, e uma Anne Hathaway que mais uma vez bota óculos redondos e não penteia o cabelo, para dar ares de Betty-a feia como fez em O Diabo Veste Prada.

Parece que a todo momento se pretende arrancar lágrimas. Mas, não somos envolvidos pelos personagens, pois sua amizade não é convincente. O comportamento de Dexter, se esquecendo de certos valores como seus pais por exemplo, deixa claro que não fazia sentido estabelecer adoração e amizade por Emma por tanto tempo. Bem verdade que esta amizade esfria em certos períodos, mas ainda sim, não há química alguma entre os dois. No mais, o filme não é um drama, não é uma comédia, e talvez seja só um romance mal contado. De qualquer forma, aqui vai o troféu:

Top 10 – Personagens de 2011

Saudações, cambada cinéfila!!! Vamos ao Top 10 tradição pra fechar o ano, levar as coisas boas do cinema para frente, fazer oferendas para 2012, e expurgar o mal dos filmes ruins desse ano. Amém!

Separei todos os filmes lançados no Brasil em 2011, que eu assisti, e deles eu selecionei os 10 personagens mais legais que marcaram o ano, seja pela ótima atuação do ator/atriz que interpreta como pela força do papel em si.

Esse ano teve muita coisa boa aqui no blog. As visitas diárias aumentaram (ainda não recebi os gráficos anuais do wordpress mas depois eu conto) além da pequena mudança no nome do blog, que agora é La Matinée! ou ainda Matinée, para os íntimos. Aliás, tem muito cinéfilo íntimo aqui do blog, que comentaram e fez esse canto cada vez mais legal. Só para citar alguns (os mais pops daqui) temos:

  • Celo Silva do Um Ano em 365 Filmes – Me ajudou com o Top 10 Halloween super legal, e cumpriu a meta de ver 365 filmes no ano!
  • Marcio Melo do Porra Man! – Top comentarista aqui, gente finíssima e dono do blog, do qual eu me divirto discutindo sobre The Walking Dead.
  • Cristiano Contreiras do Apimentário – Porque o Cris é um fofo! Bjo Cris!
  • Amanda Aouad do CinePipocaCult – Outra fofa da Bahia!
  • Adécio Jr do Poses e Neuroses – Digníssimo que tive a honra de ser entrevistada.
  • Alan Raspante do Satélite Assassino – Outro top comentarista fofo! Alan, não esquece de me mandar seu link novo, caso mude o endereço viu?
  • Elton Telles do Pós Première – Quando comenta, fala quase sempre palavras sábias!
  • Matheus Denardim do Observatório do Cinema – Outro Top Comentarista e um dos Matheus da blogosfera cinéfila.
  • Bruno Knott do Cultura Intratecal – Outro blog para eu ler e discutir The Walking Dead.
  • Gabriel Neves do Crítica Mecânica – Super gente fina, que escreve bem pra cacete! (sorry pela expressão!)
  • João Linno do Cinemosaico – Mais um top comentarista que assiste mais filmes do que todos os episódios do Chaves que você assistiu ao longo de uma infância.
  • Anderson Souza do Cine Indiscreto – Parceiro top comentarista aqui também!
  • Matheus Fragata do Bastidores – Sumido por aqui, mas um camarada super legal que ainda vai me ajudar a organizar um encontro cinéfilo SP 2012 =)
  • Pedro Tavares do Cinemaorama – Outro que tem uns posts bem legais desde os Naftalinas até os da cabine de imprensa =)

Tem mais um monte de gente pra agradecer. Mas enfim né pessoal, vamos pro Top 10 logo né?

A todos os amigos do La Matinée! um bom fim de ano e uma ótimaaaa entrada!! =) Nos vemos em 2012 (tipo, depois de amanhã) !

10 – Robert Ledgard (Antonio Banderas) – A Pele que Habito

Com Spoilers

“If you wanted to die you would have cut your jugular.”

Nosso Zorro já tá meio idoso mas ainda é capaz de interpretar muito bem. A real é que o personagem Robert não nos traz nenhuma cena muito impactante com relação a sua linearidade mas talvez seja a forte química entre um filme de Almodóvar com Antonio Banderas que casou tão bem e cativa logo de cara.  E convenhamos – não fosse o fato dele ter se apaixonado por Vera/Vincent, é uma vingança e tanto tirar o Vicente de um rapaz, para por uma Vera no lugar, não?

09 – Maggie Murdock (Anne Hathaway) – Amor e Outras Drogas

“You are not a good person because you pity fucked a sick girl.”

Maggie me cativou logo de cara. De uma certa forma, me identifiquei com o personagem, fato que talvez facilitou minha empatia com ela. Paralelo a isso, tem o fato que mesmo que o filme não tenha tanta excelência, Hathaway segurou muito bem o tranco de uma garota com Parkinson. Garantiu bons momentos de agonia, principalmente na cena em que tenta lentamente pegar suas pílulas, tomando o cuidado de não derrubar tudo, com uma respiração pesada e tensa.

08 – Charles Xavier (James McAvoy) – X-Men – Primeira Classe

“You know, I believe that true focus lies somewhere between rage and serenity.”

Nessa eu fiquei na dúvida se colocava o Fassbender com seu Magneto. Mas, (utilizando da fonética de Inri Cristo) não poderia ignorar meu Paii, Charles Xavier. McAvoy ganha êxito aqui porque não é fácil aguentar o tranco de interpretar o Professor Xavier, principalmente quando a versão mais velha do personagem – Patrick Stewart – o faz com maestria. Em sua versão mais nova, é bem coerente perceber no rapaz uma nerdice e um pouco de imaturidade que vai se desenvolvendo conforme ele vai formando a escola e ensinando aos outros mutantes como lidar com o destino que foi concedido a eles.

07 – Rei George VI (Colin Firth) – O Discurso do Rei

“In this grave hour fuck fuck fuck perhaps the most fateful in our history bugger shit shit.”

Nem de longe é pra mim o melhor filme do ano, mas Colin Firth entrou em tudo quanto é lista minha desde seu papel do rei que gagueja. Como Top 10 personagens então, não poderia ficar de fora. Dono de um dos melhores Fucks da história do cinema, Firth com facilidade demonstra o nervosismo do rei além de claro, ter em sua faceta nítida, os traços da realeza britânica. Digno.

06 – Dicky Eklund (Christian Bale) – O Vencedor

“Who used to be the pride of Lowell? Right here!”

Aqui no Brasil, foi lançado somente este ano, mas já vimos logo no Oscar, quando Bale ganhou a estatueta de melhor ator coadjuvante. Semanas depois, confirmei assistindo O Vencedor, que não é para menos o merecimento do prêmio. Bale destaca mais do que Wahlberg, o que de certa forma não é tão difícil assim. Bale ainda teve que perder cerca de 30 kg, para interpretar Dicky, viciado em crack, e lá vai Bale novamente fazer a dieta intensiva…

05 – Dean (Ryan Gosling) – Namorados para Sempre

“Tell me how I should be. Just tell me. I’ll do it.”

Ryan Gosling é um ator que pra mim, tem se destacado bastante nos últimos 2 anos. Como Dean, o marido da mala Cindy (Michelle Williams) ele se destacou bastante, indo  desde o cara legal e apaixonado, ao cara perdido, desesperado e… ainda apaixonado. Oscilando entre a calmaria e o nervosismo violento, é um personagem intenso e por mais preguiçoso que ele parecia por vezes, transmitia carisma pelo carinho que tinha como pai e seu “esforço” para ser um bom marido.

04 – Rochester (Michael Fassbender) – Jane Eyre

“You would rather drive me to madness than break some mere human law.”

É claro que tirei Fassbender como Magneto da lista, porque tinha essa carta na manga! E não por menos. Como Rochester, um cavaleiro do século XIX que se apaixona pela governanta Jane (Mia Wasikowska), Fassbender dá um show. Sabe ser esnobe e atraente (seus traços germânicos e finos ajudam) sabe ser ingênuo e humilde por vezes, e mostrou que serve – também – para filmes de romance e época. Mia não fica atrás, apresar da sonsera em Alice no País das Maravilhas ela mostra aqui uma Jane Eyre forte, mas é de Rochester a posição. Acho que escolhi certo, não?

03 – Tommy (Andrew Garfield) – Não me abandone Jamais

“So we say that we’re in love. They can look to our souls and they can see.”

Outro que foi dificílimo decidir qual personagem escolher diante de um filme que apresenta 3 competentes que intensificam a qualidade das cenas. O fator decisivo inclusive para escolher Tommy/Garfield invés de Mulligan ou Knightley é por conta de uma cena: Tommy após sair da casa da ex professora. Pronto. Pra quem não viu o filme fica com aquela pulga atrás da orelha, e pra quem viu pode relembrar e começar a chorar novamente. Talvez beber uma garrafa de vinho, sentado numa guia com um cachorro molhado ao lado. Você pode lembrar também o quanto a vida é triste as vezes, e considerar um suicídio…. Poxa gente, é ano novo eu não deveria ter lembrado desse filme… o.O Mas, uma coisa é certa: foi um dos melhores filmes que vi esse ano.

02 – Severus Snape (Alan Rickman) – Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II

“You have your mother’s eyes.”

Não sei se isso é unânime, mas para mim, a cena principal com Snape era a mais esperada. Aliás, desde que li os livros, era a cena que eu mais tinha curiosidade de ver no cinema dentro da saga Harry Potter. Tanto que se aproximando do momento, eu já tava chorando junto com todo o resto de cosplayers no cinema. Mas, não somente nessa cena, e sim no filme todo (e praticamente em todos os filmes) Alan Rickman deu a Severus Snape um personagem que não poderia ser substituído por nenhum outro ator. Sua frieza, seu jeito lento e apático de soltar as palavras, faz dele o personagem detestável que eu tanto amo. Rowling já facilitou as coisas para Rickman fazendo um personagem e tanto. Mas, Rickman deu forma e personificou maravilhosamente bem Snape.

01 – Nina Sayers (Natalie Portman) – Cisne Negro

“I was perfect…”

Porque?

Porque nem fumando toda a maconha da plantação que seu vizinho tem nos 20m²  de seu quintal você fica com os olhos vermelhos daquele jeito. É preciso ter o Tinhoso no corpo e na alma, num auge de loucura absurdo para ter o sangue nos olhos, arrancando dos que assistem uma espécie de medo e pena. Tudo isso sem ser realidade, só mesmo Natalie Portman brincando de faz de conta e surpreendendo a todos com seu belo Cisne Negro que entre a ingenuidade e perversão faz um espetáculo do começo ao fim da obra de Aronofsky. Clap Clap Clap!

Amor e Outras Drogas (2010)

“I’ve never known anyone who actually believe that I was enough until I met you. And then you made me believe it too”.

Certos filmes me fazem lembrar o porque que amo cinema. Mais do que analisarmos sobre a técnica, fotografia, atuação ou roteiro. Sou uma mera blogueira que escreve sobre o que gosto, não tenho um estrito objetivo de profissionalizar isso. O ponto delicado disso, é que corro o risco de ser pessoal demais em certas resenhas. Mas, voltando na linha de raciocínio do começo, certos filmes soam importantes e profundamente belos pra gente, por que além de nos desligarmos de nossas vidas, nos conectando numa outra (mesmo que fictícia), nós podemos por vezes se identificar com algum personagem. E desta forma, o filme pode até ser um filme comum, mas faz toda diferença pra você. Considero então que os gostos por determinados filmes são únicos variáveis e relativos conforme nossa percepção e padrão de vida.

Amor e Outras Drogas se passa na década de 90 (1996) e conta sobre um Don Juan que pega tudo quanto é ser que usa calcinha (ou não). Após ser demitido como vendedor de aparelhos eletrônicos, e sendo um pouco influenciado pela família que é da indústria farmacêutica, ele resolve se tornar representante da Pfizer, mais precisamente de um remédio que é uma espécie de concorrente do Prozac. O Don Juan é Jamie (Jake Gyllenhaal) perfeito para o papel, pela característica carimbada de olhar sedutor, risadinhas de deboche e com doses controladas de cinismo. Numa de suas insistentes idas ao médico ele conhece Maggie (Anne Hathaway) que com 26 anos tem Mal de Parkinson, e vive sozinha em seu apartamento, e apesar de sua extrema simpatia e reciprocidade com os homens, tenta não se relacionar a fundo com ninguém acreditando que sua doença seja um fator impactante numa vida amorosa.

Não é necessariamente uma Comédia Romântica. Definir este filme como uma Comédia Romântica é menosprezar sua linguagem e o conceito mais estruturado por trás do roteiro. Contudo, não é tão somente um filme de Comédia Dramática, uma vez que apesar do drama estar lá (principalmente da metade para o fim) há romance e há cenas muitíssimo engraçadas. As cenas hilárias do começo chegam a forçar um pouco, dando a impressão de que o filme será outro besteirol estrelado por Adam Sandler e Drew Barrymore. Na medida que a história vai sendo conduzida, as cenas engraçadas possuem mais sentido, o carisma entre os personagens vai ser formando assim como o compreendimento de toda a história.

E por falar em carisma dos personagens, as cenas picantes de Gyllenhaal com Hathaway ultrapassam e muito o status de comédia romântica. Ambos possuem uma química entre si forte que facilmente passa isso para quem assiste. Estão em perfeita sintonia não sendo necessário aqui destacar o quanto os dois possuem uma atuação excelente.

E então, Jamie, o cara que não se prendia a mulher nenhuma, acaba se apaixonando por Maggie e com isso, o receio de como seria uma vida ao lado de uma pessoa com Parkinson começa a ser considerado por ele. Maggie, a garota que não queria envolvimentos por sua vez, acaba se apaixonando por Jamie, e apesar deste desempenho inevitável do filme, há peculiaridades que nos tocam intercalados por algumas cenas cômicas.

O final não sai do clichê, nem por isso perde pontos por conta deste fator. Afinal, a gente espera pelo clichê mesmo. Qualquer coisa diferente daquilo que esperamos pode resultar em algo desagradável, como acontece com outros filmes demasiado dramáticos. Como destaque fica a atuação de todo o elenco, principalmente o casal protagonista, e também do personagem de Josh Gad, que interpreta Josh, irmão de Jamie. Josh faz um gordinho geek, e é responsável pela maioria das cenas engraçadas. Outro destaque se dá para a trilha sonora, cheio de canções já conhecidas que casam perfeitamente para cada momento em que são tocadas no filme, como The Kinks, Spin Doctors e ainda a (fofíssima) Regina Spektor que também se faz presente na trilha de (500) Dias com Ela.

O filme conta com cenas marcantes como Jamie passando mal para dizer “Eu Te Amo” ou mesmo a convenção de pessoas com Mal de Parkinson e Maggie animada após assistir a convenção. O sarcasmo e humor negro destas pessoas me fez lembrar a capacidade que algumas pessoas tem de rir das próprias desgraças e ser feliz, seguir adiante, encarando seja lá o que se tem. Jamie receia um futuro com Maggie, por conta do que a doença pode trazer para ele de desconforto. Busca de toda forma a cura para uma doença que não tem cura. [COMEÇA SPOILER] Até que se chega num ponto onde ele diz que pode carregar Maggie quando esta não puder mais andar. E que se em outro Universo Paralelo houvesse um casal como eles, porem perfeitos, não teria a mesma graça. [TERMINA SPOILER] Está aí um final que apesar de manter padrões de clichê, não nos ausenta de tamanha sensibilidade e fundamento.  Não é um filme que mereça tamanho destaque. Contudo, eu – A Natalia blogueira – boto na minha cabeceira, e limito-me aqui de dar-lhes uma razão plausível para isso. É apenas gosto pessoal, se me permitem =)

O Diabo veste Prada (2006)

“Oh, don’t be silly – EVERYONE wants this. Everyone wants to be ‘us’.”

O Diabo Veste Prada seria mais um filme fútil, para a alegria e entretenimento de muitas mulheres. Seria mais uma comédia romântica medíocre de roteiro previsível e bobo, com ápices de choradeira e risada forçada. Contudo, de fato ele não é 100% um filme para ser desprezado.

Primeiro porque temos a DIVA Meryl Streep. Linda, magnífica atuando perfeitamente o papel de Miranda Priestly, Edita Chefe da revista Runway, considerada uma das maiores revistas de moda da atualidade (algo como Vogue no mundo real, não?). Miranda é arrogante, esnobe, sem tempo para sentimentalismos e mimimis.

Para levar seu café, carregar seu casaco e agendar suas reuniões, Miranda contava com sua assistente Emily e era preciso mais uma segunda assistente, cargo “desejado” por diversas garotas de Nova York.

Diante disso, surge Andrea ‘Andy’ Sachs (Anne Hathaway) recém formada em jornalismo, que vai pra cidade grande buscar um primeiro emprego em algum jornal importante local.

Eis que ela acaba caindo na grande Runway Magazine. E claro que Andy é zuadinha, com cabelos largados, gloss incolor da “Avão”, sapatos que sua vó com pé inchado usa, e roupas de lã com pelo de gato. Andy nunca ligou muito para estética, levava uma vida simples porém honesta com seu namorado, gerente de uma lanchonete e seus amigos.

E claro que daí ela é avacalhada por todos da Editora por seu modo de vestir-se, e tratada igual um ser insignificante por Miranda. E claro que ela depois de uma explosão de choradeira, e com a ajuda de Nigel (Stanley Tucci) ela entra finalmente no universo da moda e gRamour, subindo em cima de um Manolo Blahnik.

Sendo uma assistente exemplar, com salários altos e alavancando a carreira, Andy acaba se tornando uma workaholic e esquece de sua vida pessoal, até mesmo das coisas simples da vida. “Quando chega o momento que sua vida pessoal está um caos, significa que você será promovida no trabalho” (ou algo parecido) “Uma coisa leva a outra“, afirma Nigel para Andy, quando ela se dá conta (mesmo sem tentar mudar), de que largou seus amigos e estava ausente nos momentos mais importantes com o namorado. Isso é facilmente percebido quando você tem Miranda como referência. A mulher dominadora do mundo fashion, com seu casamento falido e com suas filhas supridas mais por produtos e objetos de consumos do que por atenção de mãe.

O filme, apesar de seu roteiro clichê (porque Andy percebe através da megerice de Miranda que aquela não era ela e que ela deveria voltar para sua essência) mostra um personagem com um amadurecimento além de  mudanças que nós mesmos podemos passar na vida. Seja por entorpecimento diante do sucesso, quanto por deixar de lado questões como família e amigos por conta de sua carreira. Andy nem mesmo no fim consegue ser mais a mesma. Mesmo com sua percepção da realidade, a Andy que você no fim do filme, mesmo que com menos glitter não é mais a mesma sem sal do começo. Você vê uma maturidade que atrelada com seus princípios ressurgindo, nasce uma grande mulher (nossa, que frase luxuosa essa!). Enfim, são as mudanças e mutações que passamos, as lições que aprendemos e a recuperação de nossa essência (ou não) com maior maturidade. Mesmo Andy saindo da Runway para um emprego onde o foco não é moda, você conclui que seu quase um ano no mundo da moda rendeu além de suas próprias lições, uma porta para novas oportunidades em sua carreira.

Não li o livro, porém deduzo que ele deve ter sido menos superficial. E com uma Miranda sem sorrisos bondosos no final, porque matou seu personagem fazendo aquilo. De qualquer forma, ele consegue produzir uma mensagem ou mesmo fazer relação de uma realidade comum. Se isto é ruim ou não é tudo uma questão de ponto de vista.

Alice no País das Maravilhas (2010)

“Off with their heads!”

Sim! Estou atrasada para esta crítica, mas eu não posso ignorar a passagem deste filme… Então vamos lá.

Posso parecer suspeita pra falar, considerando a admiração que tenho pelo Burton e em sua capacidade de fazer uma linguagem perfeita para os filmes, mesclando algo soturno, com lúdico, e deixar tudo isso com ares amigáveis.

Mas a realidade é que apesar da fotografia maravilhosa do filme, o elenco fenomenal (Helena Bonham-Carter divina em sua performance de vilã como sempre – por isso que botei ela invés do poster standard), o filme deixou a desejar e ocorreu aquilo que eu temia:  Muita expectativa pra nada.

E quando digo isso, me refiro somente e unicamente à história… o que já basta não?

Uma, que o Burton da uma mega viajada… A idéia é que o filme não seja uma refilmagem da história original, e sim, uma espécie de continuação… Desta forma, a Alice volta para a Wonderland, que nada mais é do que “Underland” o que parece que a menina deve ter ouvido demais da vez anterior que foi parar por lá. A idéia é até interessante, pois retrata um país que de maravilhoso não tem nada, tudo um caos, ainda mais com a Rainha vermelha comandando tudo.

Claro que a Rainha Vermelha ao mesmo tempo que parece que arruinou toda a vida das pessoas de “Underland” ela também salvou o filme, porque a Rainha Branca é tão enjoativa que eu cheguei a torcer pelo lado “escarlate da força”…

A atuação da Alice, não tem nada de mágico. O Risonho é engraçadinho mas não passa muito disso. Quanto ao Chapeleiro Maluco, é outro personagem muito bem executado e estruturado do filme. Toda a linguagem visual criada para o personagem foi baseada em estudos e referencial teórico que Depp e Burton pesquisaram. Até mesmo o cabelo laranja do Chapeleiro, traz referência com a cola de sapateiro, que possui em sua composição o Mercúrio, do qual muitos chapeleiros e sapateiros da época, morriam envenenados. Genial né? Essa é a parte do Burton que eu acho fodástica!

Agora, voltando ao roteiro… Sabe aquelas aventuras que ocorrem de forma tão rápida que fica difícil você imergir na história? Tudo tem bastante ação, o que de certa forma faz o filme ser interessante por um lado, mas por outro, as coisas se desenrolam tão rápido que fica aquela sensação de que nenhum personagem te cativou (com exceção, é claro, do Chapeleiro Maluco) e que não houve nenhuma história exatamente.

Bem verdade, que existem características muito legais dos personagens que até chega a te cativar, mas você sente falta de um fundamento maior. E aquela historinha pra boi dormir de que a Alice era a escolhida para matar o pescoçudo do dragão e trazer a paz de volta para o país? Sessão da Tarde…

Bom, foi tanto vuco vuco pra estréia desse filme nos cinemas, que eu desanimei pra assitir ele na estréia, como faria em qualquer outro filme do Burton. Assisti algumas semanas depois e sai do cinema meio triste querendo ir pra casa logo pra rever “Edward, mãos de tesoura”.

Aliás, torço pro mainstream do Burton acabar logo! Houve rumores de que ele ia refilmar em versão Stop Motion “A Família Adams” o que desconfiei logo de início… Claro, que iria rolar este papo, afinal “os sinistros Adams com Burton tem tudo a ver né?” Não! Sou a favor de manter na lembrança aquilo que já é imortal e não refazer algo pra estragar tudo. Se A Família Adams já é sinistro e perfeito por si só, pra que raios o Burton refilmar? Ok, desfoquei um pouco, mas foi um desabafo… Continuo numa próxima…

Até mais!