♫ Guns N’ Roses – You Could Be Mine

Trilha de O Exterminador do Futuro – O Julgamento Final de 1991. A música foi lançada no mesmo ano, entretanto alguns dizem que não foi feita exclusivamente para o filme. Já o clipe da música, foi feito com os takes do longa e ainda com participação do Schwarzenegger. Guns não é minha banda preferida não, mas esta música é bem composta e casa bem com um filme de ação.

♫ ‘Cause you could be mine.
But you’re way out of line.
With your bitch slap rappin’ and your cocaine tongue you get nothin’ done.
I said you could be mine. ♪

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Twin Peaks (1990-1991)

O LOST da década de 90 (em clima de final de 80), foi uma criação de David Lynch e Mark Frost, numa época em que séries desse estilo, com assassinatos, mistérios em torno de uma cidadezinha interiorana, era novidade. Faço a comparação com LOST, porque da mesma forma que a série virou um vício, Twin Peaks virou também na época em que rolava na TV. Falo isso, acreditando em pessoas que viveram essa época, claro =) Eu só assistia TV Cultura nessa fase…

Laura Palmer (Sheryl Lee) destaca mais como ícone da série do que com sua atuação.

Quando resolvi assistir a série por indicação, levei em consideração dois quesitos: o primeiro, o fato de ter a mão de Lynch. Ou seja, coisa normal não era. Bem verdade que ele fez só os primeiros 7 episódios, da primeira temporada, que inclusive é a melhor. Mas, o toque de birutice sempre esteve presente na série. O segundo quesito, foi a sinopse inicial com a pergunta que ecoou por um bom tempo nas mídias disponíveis da época: Quem matou Laura Palmer? Posteriormente, essa história toda gerou um filme (do Lynch) mas que não obteve sucesso algum, até pelo fato de não mostrar nada que nossa curiosidade já não tenha se alimentado, após ter visto a série.

Kyle MacLachlan como Dale Cooper à esq. e ele atualmente à dir. Tem atuado na série Desperate Housewives.

O episódio piloto, não desperta muita paixão, para você já habituado com as séries desta nova geração. Os sintetizadores oitentistas, a fotografia granulada digna de séries antigas a la A Gata e o Rato, faz você se assustar um pouco e torcer o nariz com certo preconceito daquilo tudo. Mas, são os personagens curiosos, cada um com manias e hábitos esdrúxulos além da grande questão de quem será o assassino de Laura Palmer, que faz você ficar. E depois de no máximo 3 episódios, tudo isso movido por preconceitos inciais vira vício. Bem, pra mim foi assim…

Lara Flynn Boyle interpreta Donna, a melhor amiga de Laura.

Sherilyn Fenn interpreta Audrey, a filha de Horne que também tem grande destaque na série. Atualmente a atriz tem um blog e só: http://sherilynshines.blogspot.com/

O foco dessa série é Kyle MacLachlan (do qual Lynch havia gostado de seu trabalho em Veludo Azul) que interpreta um agente do FBI, Dale Cooper. Ele vai para Twin Peaks, para investigar o caso do assassinato de Laura Palmer, uma garota comum aparentemente, estudante que levava uma vida normal pelo o que se via superficialmente. Cavocando em seus mistérios, mergulhamos na sujeira de Palmer e da própria Twin Peaks, uma cidadezinha de poucos habitantes, calma, e pacata e que segundo o detetive Cooper, tem a melhor torta do mundo…

David Duchovny faz uma ponta ridícula como Denise, uma detetive do FBI que se assume como mulher, na segunda temporada. Não tem efeito nenhum na série, mas quis postar a foto =)

“Fellas, coincidence and fate figure largely in our lives.”

Xerife Harry Truman de Twin Peaks. Se torna braço direito de Dale Cooper.

Nisso, elementos sobrenaturais de todo e qualquer tipo invade a história e obviamente, ilusão mescla com realidade constantemente, oscilando entre sonhos esquisitos com anões dançando, cortinas vermelhas, piso xadrez. O perfeito cenário lúdico de Lynch. E acreditem, por mais toscos que sejam os efeitos, dá medo. Lynch assusta pela tosquice e a cara maluca de seus atores… Vide Bob, a figura enigmática e mais medonha da série, que vez ou outra surge na visão de algumas pessoas. Tudo por vezes fica no ar, despertando nossa curiosidade. Alguns elementos com o tempo são resolvidos e encaixados. E tudo pode dar vazão a discussões a respeito de furos no roteiro ou algo assim. Entretanto, numa série criada pelas mãos de Lynch, todas as peças de fato não são encaixadas e ninguém liga pra isso no final…

“Harry, I have no idea where this will lead us, but I have a definite feeling it will be a place both wonderful and strange.”

Ray Wise é Leland Palmer, pai de Laura.

Depois que descobrimos o verdadeiro assassino de Laura Palmer – que confesso, não imaginava e fiquei em choque quando descobri – a série dá uma boa esfriada, deixando tudo muito menos interessante, mas vale a pena chegar até o final. Até porque, só são 2 temporadas. A primeira com 7 episódios e a segunda com 22 episódios, ficando longo demais e partir do 11, mas ganhando aos poucos força novamente, o suficiente para chegarmos ao final. Após isso, a série foi cancelada, ficando na memória do pessoal e na filmografia estapafúrdia de Lynch…

Para aqueles que já conheciam e gostam da série, segue o link do site do fotógrafo Richard Beymer, que fotografou várias fotos do set de filmagem do Twin Peaks. Só tem foto esquisita =D


Top 10 – Mentes perturbadas que renascem do inferno

E que fique claro: renascidos do inferno. Isso, acaba excluindo da lista grandes antagonistas do cinema como Hannibal Lecter ou Jack Torrance. Os renascidos do inferno são aqueles problemáticos que algo aconteceu em sua vida e eles saem por aí matando (algumas vezes no Dia Das Bruxas), caindo em processadores de carne, sendo decapitados, porém voltando no filme seguinte, afinal, não tá fácil pra ninguem né Brasil? Tem que levantar uma graninha, mesmo que a produção destes filmes seja de 30 dólares…

Quero comunicar aqui que esse post é mais que especial, porque tem participação do Celo Silva, do Um Ano em 365 Filmes. Montamos o ranking e os textos juntos e espero que todos gostem.

Na realidade eu gostaria muito de fazer um Top 10 especial de Dia do Saci, mas não achei mais de 5 filmes a respeito. Ok… não procurei também…

Então vamos lá!

10º – Carrie White

“It has nothing to do with Satan, Mama. It’s me. Me. If I concentrate hard enough, I can move things.”

Dessa lista de Mentes Perversas que Renascem do Inferno, talvez a nossa incompreendida Carrie White seja a que mais destoa. Tendo uma mãe daquela, acabado de menstruar pela primeira vez e com os hormônios em ebulição, a menina tinha mais do que motivos para assassinar alguém. Porém, não era de toda malvadona, mas após levar um banho de sangue de porco no baile de formatura, mandou metade da população da cidadezinha onde morava para o cemitério usando seus poderes telecineticos. Foi junto, mas não se furtou em voltar. Quem nunca se cagou de medo com a mãozinha da moça saindo da cova? Acho que até hoje John Travolta se lembra muito bem, bem feito, não quis dançar com a menina. (C.S)

09º – Zé do Caixão

“O Sangue é Eterno!”

Se os americanos tem sua trupe de assassinos seriais, podemos dizer que em terras tupiniquins também temos o nosso sádico assassino, representado por Zé do Caixão e suas indefectíveis unhas. Pouco lembrado no Brasil, mas cultuado em terras ianques, a qual leva a singela alcunha de Coffin Joe, a procura de Zé é pela continuidade de seu sangue, a mulher perfeita que possa gerar um filho tão maligno quanto seu progenitor, nem que para isso ele tenha que fatiar quem apareça pela frente ou usar animais peçonhentos para tal. Uma olhadinha em A Meia Noite Levarei sua Alma deve render uma boa semana de pesadelos. (C.S.)

08º – Ghostface

“Never say “who’s there?” Don’t you watch scary movies? It’s a death wish. You might as well come out to investigate a strange noise or something.”

Ora, ora, o que temos aqui! Se não é o galã assassino que veio tardiamente, mas fez sucesso com seu “Terror Teen” já na década de 90 com Pânico. Galã, porque ele é o único assasssino que esfaqueia e olha pra câmera pra mostrar que fez bonito. É o único que não caminha calmamente até a vítima e corre que nem um destrambelhado atrás de alguém, todo descordenado com a barra do vestido enroscando no pé. Por mais fraco que seja esta figura dentro de um ranking cheio de perturbados (e mesmo que não seja um assassino fixo nos 4 filmes) não podemos tirar o mérito do personagem que criou no mercado do Halloween a fantasia mais barata que se tem na 25 de março de um assasssino de filme. (N.X)

07º – Leatherface – Thomas Hewitt

“You… you damn fool! You ruined the door!”

Produção, chama o Rogério Skylab pra explicar a diferença de uma Serra Elétrica e uma Moto-Serra??? Afinal, a distribuição brasileira coloca um nome de filme que não bate com a realidade do filme. A menos que Leatherface tivesse uma extensão 220v no bolso, não daria para usar uma Serra Elétrica por aí… Mas ok…

Presente nos seis filmes da série, Leatherface tinha uma máscara feita de pele humana e é um dos primeiros que chocou as pessoas ainda na década de 70 com um filme que apesar do baixíssimo orçamento, fez um grande “sucesso” e deu o que falar, ainda por ser baseado em fatos reais. Apesar de poucas cenas de sangue no primeiro filme, o terror psicológico e todos outros componentes de filmes assim que acabaram surgindo mais tarde, faz este assassino ser digno do ranking… (N.X.)

06º – Damien

“Look at me, Damien! It’s all for you.”

Se Zé do Caixão encontrasse o capetinha Damien, olharia para ele e diria: “Queria ter um filho assim!” E não é para menos, o moleque, filho direto do 7 peles, matou tanta gente quanto muito serial killer burro-velho em suas não sei quantas continuações. Damien é o tipo de personagem que marcou gerações com seus olhos vagos e mente diabólica. De família religiosa que sou, era terminantemente proibido citar o nome do pequeno Carcará dentro de casa, assistia na casa dos amigos e depois tinha que ficar com medo quietinho em casa para não ser repreendido. Damien teve sua quota de neurose distribuída no subconsciente coletivo e até hoje quando citado muita gente se treme toda. (C.S.)

05º – Charles Lee Ray – Chucky

“We’re friends ‘til the end, remember?”

Apresentado pra gente pela primeira vez em 1988, Chucky é o boneco mais fodástico que matou mais de mil, teve esposa, filho e quem sabe daqui uns anos com a falta de criatividade do cinema, ele ganhe também um cachorro e um piriquito… Diferente de outros filmes de terror, ele tem mais um lado B que mistura um ar de comicidade no meio da chacina causando medo só para as crianças da época que até hoje armazena um trauma lá no fundo do coração.

Chucky já faz parte da trupe de assassinos que o mocinho/mocinha tenta destrui-lo, e ele volta firme e forte (com alguns remendos) pro filme seguinte. Infelizmente ou felizmente, os mais recentes filmes de Chucky que apresenta já sua família, é mais uma comédia do que terror. Não souberam dosar direito os dois componentes, mas ele garante seu sucesso pelos primórdios. (N.X.)

04º – Pinhead

“You solved the box, we came.”

Da série Hellraiser – Renascido do Inferno, esse sim é mais que digno para entrar neste top, e digo mais: não é fácil fazer um filme após sair de uma sessão de acupuntura sendo esquecido pelo médico no consultório.

Baseado no livro de Clive Barker, foram sete filmes produzidos e pode-se dizer que o roteiro é original naquilo que se cumpre fazer e explora temas que na época não era comum, como o sadomasoquismo. O surreal e o sonho como ferramenta para construção da história também estão lá com o famoso cubo Configuração do Lamento, que abre uma passagem para um reino de prazer através da dor. Pinhead é o líder dos Cenobitas, o povo que habita esse Universo alternativo. Tenso… (N.X.)

03º – Michael Myers

“You’ve fooled them, haven’t you Michael? But not me.”

Criado por John Carpenter, e presente no Slasher Halloween, mais de 8 filmes foram feitos, fazendo Michael só perder para figuras imortais como Jason ou Freddy. Michael saiu de um sanatório, é o problemático Mor do ranking e passa sua “vida” inteira perseguindo a irmã. Conhecido pela máscara branca sem expressão, com o cabelo bagunçado para cima, é através dos movimentos da cabeça que Michael consegue se expressar enquanto assassino uma vez que ele não fala. Por vezes faz termos pena dele (bom, eu tinha), dependendo da situação, até a hora que ele enfia um ferro de patins na cabeça de alguém (mau, mau menino!).

Faz parte dos assassinos que caminha devagar atrás da vítima mas que deve ter algum tipo de relógio do tempo para fazer com que alcance a vítima mesmo esta correndo a “maratona da São Silvestre” para se salvar. (N.X.)

02º – Freddy Krueger

“Come to Freddy!”

Encabeçando o segundo lugar dessa gloriosa lista, nada mais nada menos do que o Rei dos Pesadelos, o flamenguista Freddy Krueger. Se tem um sujeito que pode disputar pau a pau quem matou mais adolescentes com Jason é o nosso churrasquinho ambulante de espetos afiados. Freddy sofreu o pão que o Diabo amassou, com todo prazer diga-se de passagem, nas mãos dos moradores da Elm Street e resolveu se vingar por mais de uma década povoando os sonhos da rapaziada com muito sangue e tripas. A disputa com Jason é tão acirrada que até rendeu um crossover entre a dupla e aposto que Freddy fez muita gente relutar em dormir, não é para menos, o sujeito é praticamente intocável no mundo dos sonhos, mas mesmo assim alguém sempre arrumava um jeito de se livrar dele. Mas, teimoso que é, voltou uma infinidade de vezes. (C.S.)

01º – Jason Voorhees

“No place to hide.”

Usando uma faca de mais de 1 metro e uma máscara de hóquei, Jason herdou talvez da mãe o instinto assassino. No primeiro filme da série, é sua mãe Pâmela que toca o terror dentro de um acampamento. Mas, porque Jason em primeiro lugar? Porque inexplicavelmente ele não morre, isso em mais de 10 continuações e mais umas 6 ressurreições. Ele também sabe dominar muito bem qualquer arma que usa para matar e tem quase 2 metros de altura. Ah sim, e são mais de 140 vítimas. Ele também não corria atrás das vítimas, não falava e guardava a cabeça da sua mãe na cabana que dormia.

Agora, tente aplicar à realidade: imagina você andando a noite na rua e encontrando uma figura como ele vindo em sua direção?

fim. (N.X)

Maratona De Volta para o Futuro

Hill Valley e seu icônico relógio foi o cenário que uniu, além de demais detalhes, os três grandes filmes produzidos por Steven Spielberg  e dirigidos/escritos por Robert Zemeckis. Anos depois a trilogia é uma das mais especiais que temos quando falamos em Sessão da Tarde, e mais do que isso, assistir ela nos tempos atuais (mesmo que o futuro 2015 do segundo filme nos pareça ridiculo) faz despertar o mesmo respeito e admiração pelo filme. Há um nó muito bem desenvolvido que liga os três filmes de modo que não parece forçar a história, como muitos outros clássicos que se estenderam na década de 80. Tudo é bem redondo, com chamadinhas e insinuações de vários pontos da história, ao longo dos três filmes.

De Volta para O Futuro (1985)

“If you put your mind to it, you can accomplish anything.”

Marty McFly (Michael J. Fox) é um adolescente que mantém uma amizade com um velho cientista esquisisto, Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd magnífico). Este revela a Marty que fez uma máquina do tempo com um DeLorean, e que era preciso alcançar a velocidade de 88mph (milhas por hora) para que a máquina fosse capaz de transportá-los para um outro tempo. Acontece que, indo parar em 1955, Marty acaba conhecendo sua própria mãe (Lea Thompson) e mudando algumas coisas importantes no curso da história, tem agora que concertar, para que seu pai acabe se casando com sua mãe e assim permitir que ele próprio exista nos tempos atuais. Entretanto, como de qualquer forma, Marty acabou mudando o fluxo das coisas, ele acaba criando no fim uma realidade alternativa para sua própria familia, evitando que seu pai fosse um eterno capacho do idiota Biff (Thomas F. Wilson).

De roteiro simples, porém que dá vazão para uma complexidade muito maior, é uma aventura bem desenvolvida, com detalhes bobos típicos das sessões oitentistas, que nem por isso deprecia.

De Volta para o Futuro II (1989)

“Great Scott!”

Considero o mais fraquinho, porém, apesar de um começo desinteressante (com um 2015 tosco se formos assistir nos dias atuais), o roteiro acaba conduzindo a história de uma forma que volta a nos prender, ainda mais com a linha do tempo de volta a 1955. Dessa vez, Doc, o cientista, leva Marty e sua namorada Jennifer para o futuro, em 2015 para resolver algo com seus filhos. Apesar do erro bobo de usar este detalhe como fator pra alavancar tudo, é com ele que Marty compra um livro com os resultados de todos os jogos da década, com a intenção de levar de volta a 1985, apostar nos vencedores e ganhar dinheiro. Doc aconselha ele sobre a péssima idéia, enquanto Jennifer acaba vendo o que aconteceria com seu futuro caso se casasse com Marty. Na sua casa do futuro, ela ouve algo sobre desafiarem Marty, e por conta de um acidente de carro, ele acabou botando tudo a perder. São as pequenas deixas no filme que vão se amarrando, desfazendo o nó, mesmo que ele esteja perdido no filme anterior ou no próximo. Agora, o almanaque caiu nas mãos de Biff, que usando o DeLorean, volta no tempo e entrega para sua versão mais nova. Desta forma, ele criou uma outra realidade, desfazendo tudo aquilo que iria acontecer no futuro. Só restava para Doc e Marty, voltar para 1955 novamente, bem quando o velho Biff, entrega o almanaque para o novo. Como eu disse, os 2/3 do filme começa a ficar bem mais interessante, dando um final bom e deixando pano pra manga para o próximo.

A única coisa que me deixa triste é que em meados de 2011 ainda não inventaram um nike com cadarços automáticos…

De Volta para o Futuro III (1990)

“Everybody everywhere will say, “Clint Eastwood is the biggest yellow-belly in the west.”

Logo, somos conduzidos para 1885, e apesar de fugir bastante da linha que o primeiro e o segundo ficaram, oscilando entre 55 e 1985, ainda temos o relógio como base e uma aventura capaz de fazer o futuro de McFly diferente. Muito legal a alusão que fazem a Clint Eastwood, com McFly usando seu nome dentro do Velho Oeste, fazendo o papel de mocinho, despistando os bandidos, mesmo que o foco esteja mais ainda para Doc, que sempre desejou conhecer pessoalmente aquela época. Aliás, eu considero este filme quase como uma homenagem a Eastwood, uma vez que o próprio McFly usa um artifício de Clint para se salvar no final (essa cena de Clint do filme Por um Punhado de Dólares passa na TV de Biff, no segundo filme da trilogia). Por mais oitentista que sejam os 3 filmes, é digno o modo que eles se completam entre si, e as formas simples que eles usaram para dizer por metáforas (como a das fotos, e outros materiais que modificavam dependendo do que era feito no passado/futuro) que podemos escrever e modificar a qualquer momento o nosso destino.

Edward Mãos de Tesoura (1990)

“Kevin, you wanna play scissors, paper, stone again?”

Se há um exemplo cinematográfico claro sobre forma e conteúdo, função e estética, atribuimos este filme como um dos principais. Gravado num bairro pacato da Flórida, Burton (que estartou sua fama a partir deste filme, junto com Depp) pintou todas as casas com cores vivas e saturadas. O personagem principal era uma figura sombria, com a pele branca roupas escuras. Quase uma junção de Caligari com The Cure.

Através deste contraste metafórico entre o sombrio e o colorido vivo, se contava a história do Estranho VS Socieadade Comum. Todos eram iguais exceto Edward, uma invenção não finalizada com suas mãos de tesoura que tornava-o incapaz de tocar qualquer coisa sem ferir. E a graça toda do filme: Era Edward o mocinho de coração puro. E todo o “mundo colorido” os grandes vilões…

Considerado um dos melhores trabalhos de Burton (na verdade, o melhor), Edward traz um roteiro diferente, ao mesmo tempo que simples, soando quase como uma fábula triste sobre uma figura que buscava a aceitação de todos. É uma alusão nítida sobre preconceitos através da imagem. Vemos no personagem uma inocência que a princípio parece não condizer com suas características. Edward é a personificação da esquisitice humana que pode ser amada por uns, desprezada ou injustiçada por outros.

Kim (Winona Ryder) é uma das poucas que de fato percebe Edward como se fosse um humano e Edward por sua vez se apaixona pela garota que sabe que não pode abraçá-la, por mais que queira. Johnny Depp, apesar de dizer somente 169 palavras no filme todo, ganhou destaque e marcou sua carreira interpretando o sombrio Edward, ganhando aí um passaporte da alegria eterno com Burton entre decepções e acertos posteriores. Winona é morna, como acredito que é em quase todas atuações, mas cumpre a sutileza e traços doces que seu personagem traz, intercalando uma leve maquiada perversão para se aproveitar de Edward, como os outros.

E aqui temos ainda a honrada e última aparição de Vincent Price (um ídolo de Burton que já havia dublado um primeiro curta stop motion do diretor em 82), como o inventor de Edward, que morre antes de finalizá-lo, deixando tesouras tão afiadas quanto as Facas Ginso no lugar das mãos.

Edward Mãos de Tesoura faz parte da série: Filmes dos anos 80 que  você assiste hoje em dia, e produz o mesmo efeito. Ou seja, é uma pintura conceitual e atemporal, passível de discussões ao redor de seu tema de pano de fundo, uma obra de arte daquelas que Burton nunca mais será capaz de construir outra igual. E por mais bizarros que sejam seus personagens posteriores, nenhum se compara a Edward.

Orgulho Nerd

Saudações Cinéfilos Nerds! _\\//

Dia 25 de Maio é comemorado o Dia do Orgulho Nerd, desde 2006, melhor dizendo, uma época que ser nerd se tornou meio que uma moda. Se antes era vergonha alheia assumir o nerdismo, hoje representa algo como um grande elogio, surgindo os pseudos da vida, porque agora todo mundo quer ser nerd.

A realidade é que todo mundo tem uma nerdice dentro de si. Pouca ou muita, mais pro lado da ciência, mais pro lado da história. O termo se popularizou tanto que hoje temos os Geeks, a galera cinéfila claro, o pessoal do HQ, enfim.

No dia 25 de maio de 77 rolou a première de Star Wars, e é por conta disto que a data passou a ser chamada como o Dia do Orgulho Nerd. Eu poderia fazer um mega post de Star Wars aqui, mas eu precisaria rever a saga toda, para não deixar passar nada que tenha se levado pelo tempo. No post de hoje, é o Indicamos que vai te indicar ou te lembrar de assistir de novo, tanto um clássico dos anos 80 que toda a geração Y guarda na memória quanto um filme recente, que apesar de também trazer uma essência muiiitooo antiga (da série de 60 – Jornada nas Estrelas) traz a modernidade que conquistou novos nerds pro clube Trekkers…

Nerd, pseudo-nerd, cinéfilo, geek, ou sofredor de Bullying, ou seja lá o rótulo, vamos celebrar nossa eterna sede de aprender e conhecer =)

Star Trek – (2009) – Dir. J.J. Abrams

“Once you have eliminated the impossible, whatever remains, however improbable, must be the truth.”

Abrams foi um gênio por conseguir fazer um filme do Star Trek (mais um) que ao mesmo tempo que não desaponta os fãs (chatos e detalhistas) da série também consegue atrair aquele monte de gente que sempre achou escrotinho os klingons e outras raças exóticas criadas ao longo de todos esses anos. Não é todo mundo que gosta da série, mas com a popularidade de Sheldon do Big Bang Theory, acabou trazendo para os que desconheciam, mais curiosidade por Jornada nas Estrelas (ou Star Trek). Fato é que pra gostar de toda a série, tem que ser um nerds de mão cheia, e eu não tenho culhões para isso – com o perdão da palavra. Não tenho como discordar  da genialidade de Gene Roddenberry, (embora ele fazia naves explodirem e causar barulho num espaço vácuo do qual o som não se propaga) e eu considero a franquia uma das mais impactantes e atemporais que existe. Em resumo, o filme de 2009 é sensacional, JJ Abrams deu conta e ainda com a história do Universo Paralelo de Spock deu vazão para mais 50 anos de Star Trek…

Segue o trailer:

De Volta para o Futuro – (1985) – Dir. Robert Zemeckis

“Doc, we better back up. We don’t have enough road to get up to 88.”

Concordo que há filmes dos anos 80 em que rola a nostalgia, e muito dos filmes que você considera sensacional, quando vai rever hoje em dia acha um lixo e conclui que era sensacional somente quando se tinha 10 anos. Bom… Não é o caso deste filme, claro… Apesar das bobices comuns de todo filme de ficção científica com pé na aventura, ele também tem sua genialidade e um bom roteiro.

 

Segue o trailer:

O Lutador (2008)

“The only place I get hurt is out there.”

A Tragicômica história baseada no livro de Robert Siegel sobre Randy “The Ram” Robinson (Mickey Rourke), um lutador de luta livre, famoso nos anos 80, que com o passar dos anos, foi sendo esquecido pela mídia, apesar de nunca ter deixado de lutar, o que conforme ele afirma, era a única coisa que sabia fazer.

Aronofsky soube trabalhar até mesmo com as cenas de humor negro, com Randy pedindo emprego no mercado, em todas as vezes que pensou em finalmente se aposentar das lutas. Não porque tivesse cansado, mas devido a um ataque cardíaco que teve após uma das lutas, o médico alertou sobre parar de lutar caso não quisesse morrer de vez. Todas as cenas até mais tristes, como a rejeição de sua filha (Evan Rachel Wood) ou ainda o fora da dançarina Cassidy (Marisa Tomei), recebiam a sequência de Randy caminhando na rua. A Câmera de mão mesmo, filmava suas costas e em nenhuma cena triste, Aronofsky se rendia a uma trilha lamuriosa. Pelo contrário, sempre rolando a boa farofada dos anos 80 muito bem selecionada, refletindo na música o espírito de Randy e sua capacidade de ignorar que o tempo passou para ele ou para o mundo daquela época. Um bom exemplo disso, é ele jogando um joguinho tosco de luta (na verdade, um jogo dele mesmo) da Nintendo, enquanto o garoto que jogava com ele comenta sobre Call Of Duty 4 e o quanto aquele jogo que eles estavam jogando é ultrapassado.

Mickey Rourke, que há muito não atuava em mais nada, representa um papel meio irônico, considerando que de um ponto de vista simbólico, temos a representação de sua vida num filme. Sua figura é engraçada por si só, e apesar do visu horrível – loiro oxigenado, com aquele bronze estranho e calças colantes – ele garante simpatia logo nos primeiros minutos do longa. É simpático com todos, mesmo quando arranja emprego de atendente de frios no supermercado. Marisa Tomei por sua vez, executa muito bem seu papel, conseguindo exprimir bem sua postura ora como uma dançarina de uma casa norturna, ora como mãe de dois meninos.

As lutas são interessantes, convence quanto sua veracidade, no companheirismo e respeito entre os lutadores, inclusive ao respeito que tinham pelo próprio Randy. Há algumas cenas mais fortes, principalmente na luta que envolve grampeadores e cacos de vidro. Talvez não chegue a chocar, afinal como tudo é combinado, pouco antes da luta Necro Butcher – o cara dos grampeadores – combina com Randy sobre seu plus a mais no ringue.

Com a possibilidade de repetir a luta contra Aiatolá (Ernest Miller) do qual há 20 anos atrás venceu, Randy se vê numa grande tentação de burlar as prescrições médicas e ir lutar novamente, mesmo sabendo que corria um risco por conta de seu coração. O conceito por trás do filme não consiste em superar suas forças, ainda mais considerando que se trata da velhice chegando e não de almejar algo que Randy nunca conseguiu. Se trata de tentar perpetuar sua habilidade, não por acreditar que pode ir muito mais além, já no fim da linha, mas pelo simples prazer de continuar a fazer aquilo que mais gosta e mais sabe.