A Pele que Habito (2011)

“If you wanted to die you would have cut your jugular.”

Quando me falaram que A Pele que Habito é meio bizarro, psicótico e um tanto asqueroso, eu pensei sobre o título (não fazendo muita idéia do que se tratava) e logo, minha sinapse ligou uma coisa com a outra e conclui: A Centopéia Flamenca Humana!

Deu que fui ver o filme meio receosa. E apesar de momentos asquerosos, como um careca vestido de tigre lambendo o interfone (na verdade, já não me recordo se era isso que ele lambeu, mas de qualquer forma, era um objeto) não é uma centopéia humana que você vê, afinal tem uma elegância que não se vê no bizarro lado B. Aliás, a comparação é demasiada ridícula. Perdoem a sinapse, até então nem sequer havia lido a respeito do filme…

Adaptação do livro de Thierry Jonquet, o filme conforme o próprio Almodóvar afirmou, é um terror sem gritos e pulos da cadeira. O que fica é a sensação de mal estar, causada pela bizarrice dos fatos que toma dimensões maiores a medida que vai se estendendo a história e a compreensão do todo fica mais claro.

Robert Ledgard (Antonio Banderas) é um cirurgião plástico que vive numa mansão junto com a senhora Marilia (Marisa Paredes), e Vera (Elena Anaya), uma mulher aparentemente perfeita, mas que vive dentro de um quarto trancado, monitorada por câmeras 24h. Vera, usa uma espécie de segunda pele no corpo, num bege Demillus que ainda assim não é capaz de desencantar sua beleza. A moça aparentemente tem traços perfeitos, e logo no começo percebemos que Robert tem a intensão de tornar sua pele a prova de todo e qualquer tipo de acidente que possa vir a ocorrer. Isso faz sentido, quando concluimos num dado momento que a esposa do médico sofre um acidente de carro, e fica com a pele deformada.

As questões começam a ser levantadas, no entanto: Quem é o maluco vestido de tigre? Porque Vera tem o rosto igual a da mulher do médico? E a medida que certas respostas aparecem, outras perguntas surgem, até chegar ao ponto que a história atinge linearidade dos fatos, mesmo você não compreendendo ainda como ela vai ligar todo o começo.

Acompanhada de uma fotografia rica em luz (principalmente nas cenas do quarto fechado de Vera, o que veio muito bem a calhar um merchan da Channel) e de uma trilha harmoniosa e bela, A Pele que Habito é o que eu chamo de Terror Fino. Cheio de insinuações nas palavras e ousado nos atos. Não há ameaças que não findam em tragédias.

Você fica tão embasbacado quando se dá conta do fundamento principal, que o fim daquilo tudo perde importância. Almodóvar une de uma forma interessante, a nobreza e a bizarrice.

Finalizo aqui com uma espécie de apelo, (possui spoilers, se não viu o filme, nem continue) a fim de alertar outras mentes curiosas a não cometer o mesmo erro que eu: Nunca, mas NUNCA na sua vida vá ao Google imagens e procure pela palavra “vaginoplastia. Sem mais.

Top 10 – Personagens de 2011

Saudações, cambada cinéfila!!! Vamos ao Top 10 tradição pra fechar o ano, levar as coisas boas do cinema para frente, fazer oferendas para 2012, e expurgar o mal dos filmes ruins desse ano. Amém!

Separei todos os filmes lançados no Brasil em 2011, que eu assisti, e deles eu selecionei os 10 personagens mais legais que marcaram o ano, seja pela ótima atuação do ator/atriz que interpreta como pela força do papel em si.

Esse ano teve muita coisa boa aqui no blog. As visitas diárias aumentaram (ainda não recebi os gráficos anuais do wordpress mas depois eu conto) além da pequena mudança no nome do blog, que agora é La Matinée! ou ainda Matinée, para os íntimos. Aliás, tem muito cinéfilo íntimo aqui do blog, que comentaram e fez esse canto cada vez mais legal. Só para citar alguns (os mais pops daqui) temos:

  • Celo Silva do Um Ano em 365 Filmes – Me ajudou com o Top 10 Halloween super legal, e cumpriu a meta de ver 365 filmes no ano!
  • Marcio Melo do Porra Man! – Top comentarista aqui, gente finíssima e dono do blog, do qual eu me divirto discutindo sobre The Walking Dead.
  • Cristiano Contreiras do Apimentário – Porque o Cris é um fofo! Bjo Cris!
  • Amanda Aouad do CinePipocaCult – Outra fofa da Bahia!
  • Adécio Jr do Poses e Neuroses – Digníssimo que tive a honra de ser entrevistada.
  • Alan Raspante do Satélite Assassino – Outro top comentarista fofo! Alan, não esquece de me mandar seu link novo, caso mude o endereço viu?
  • Elton Telles do Pós Première – Quando comenta, fala quase sempre palavras sábias!
  • Matheus Denardim do Observatório do Cinema – Outro Top Comentarista e um dos Matheus da blogosfera cinéfila.
  • Bruno Knott do Cultura Intratecal – Outro blog para eu ler e discutir The Walking Dead.
  • Gabriel Neves do Crítica Mecânica – Super gente fina, que escreve bem pra cacete! (sorry pela expressão!)
  • João Linno do Cinemosaico – Mais um top comentarista que assiste mais filmes do que todos os episódios do Chaves que você assistiu ao longo de uma infância.
  • Anderson Souza do Cine Indiscreto – Parceiro top comentarista aqui também!
  • Matheus Fragata do Bastidores – Sumido por aqui, mas um camarada super legal que ainda vai me ajudar a organizar um encontro cinéfilo SP 2012 =)
  • Pedro Tavares do Cinemaorama – Outro que tem uns posts bem legais desde os Naftalinas até os da cabine de imprensa =)

Tem mais um monte de gente pra agradecer. Mas enfim né pessoal, vamos pro Top 10 logo né?

A todos os amigos do La Matinée! um bom fim de ano e uma ótimaaaa entrada!! =) Nos vemos em 2012 (tipo, depois de amanhã) !

10 – Robert Ledgard (Antonio Banderas) – A Pele que Habito

Com Spoilers

“If you wanted to die you would have cut your jugular.”

Nosso Zorro já tá meio idoso mas ainda é capaz de interpretar muito bem. A real é que o personagem Robert não nos traz nenhuma cena muito impactante com relação a sua linearidade mas talvez seja a forte química entre um filme de Almodóvar com Antonio Banderas que casou tão bem e cativa logo de cara.  E convenhamos – não fosse o fato dele ter se apaixonado por Vera/Vincent, é uma vingança e tanto tirar o Vicente de um rapaz, para por uma Vera no lugar, não?

09 – Maggie Murdock (Anne Hathaway) – Amor e Outras Drogas

“You are not a good person because you pity fucked a sick girl.”

Maggie me cativou logo de cara. De uma certa forma, me identifiquei com o personagem, fato que talvez facilitou minha empatia com ela. Paralelo a isso, tem o fato que mesmo que o filme não tenha tanta excelência, Hathaway segurou muito bem o tranco de uma garota com Parkinson. Garantiu bons momentos de agonia, principalmente na cena em que tenta lentamente pegar suas pílulas, tomando o cuidado de não derrubar tudo, com uma respiração pesada e tensa.

08 – Charles Xavier (James McAvoy) – X-Men – Primeira Classe

“You know, I believe that true focus lies somewhere between rage and serenity.”

Nessa eu fiquei na dúvida se colocava o Fassbender com seu Magneto. Mas, (utilizando da fonética de Inri Cristo) não poderia ignorar meu Paii, Charles Xavier. McAvoy ganha êxito aqui porque não é fácil aguentar o tranco de interpretar o Professor Xavier, principalmente quando a versão mais velha do personagem – Patrick Stewart – o faz com maestria. Em sua versão mais nova, é bem coerente perceber no rapaz uma nerdice e um pouco de imaturidade que vai se desenvolvendo conforme ele vai formando a escola e ensinando aos outros mutantes como lidar com o destino que foi concedido a eles.

07 – Rei George VI (Colin Firth) – O Discurso do Rei

“In this grave hour fuck fuck fuck perhaps the most fateful in our history bugger shit shit.”

Nem de longe é pra mim o melhor filme do ano, mas Colin Firth entrou em tudo quanto é lista minha desde seu papel do rei que gagueja. Como Top 10 personagens então, não poderia ficar de fora. Dono de um dos melhores Fucks da história do cinema, Firth com facilidade demonstra o nervosismo do rei além de claro, ter em sua faceta nítida, os traços da realeza britânica. Digno.

06 – Dicky Eklund (Christian Bale) – O Vencedor

“Who used to be the pride of Lowell? Right here!”

Aqui no Brasil, foi lançado somente este ano, mas já vimos logo no Oscar, quando Bale ganhou a estatueta de melhor ator coadjuvante. Semanas depois, confirmei assistindo O Vencedor, que não é para menos o merecimento do prêmio. Bale destaca mais do que Wahlberg, o que de certa forma não é tão difícil assim. Bale ainda teve que perder cerca de 30 kg, para interpretar Dicky, viciado em crack, e lá vai Bale novamente fazer a dieta intensiva…

05 – Dean (Ryan Gosling) – Namorados para Sempre

“Tell me how I should be. Just tell me. I’ll do it.”

Ryan Gosling é um ator que pra mim, tem se destacado bastante nos últimos 2 anos. Como Dean, o marido da mala Cindy (Michelle Williams) ele se destacou bastante, indo  desde o cara legal e apaixonado, ao cara perdido, desesperado e… ainda apaixonado. Oscilando entre a calmaria e o nervosismo violento, é um personagem intenso e por mais preguiçoso que ele parecia por vezes, transmitia carisma pelo carinho que tinha como pai e seu “esforço” para ser um bom marido.

04 – Rochester (Michael Fassbender) – Jane Eyre

“You would rather drive me to madness than break some mere human law.”

É claro que tirei Fassbender como Magneto da lista, porque tinha essa carta na manga! E não por menos. Como Rochester, um cavaleiro do século XIX que se apaixona pela governanta Jane (Mia Wasikowska), Fassbender dá um show. Sabe ser esnobe e atraente (seus traços germânicos e finos ajudam) sabe ser ingênuo e humilde por vezes, e mostrou que serve – também – para filmes de romance e época. Mia não fica atrás, apresar da sonsera em Alice no País das Maravilhas ela mostra aqui uma Jane Eyre forte, mas é de Rochester a posição. Acho que escolhi certo, não?

03 – Tommy (Andrew Garfield) – Não me abandone Jamais

“So we say that we’re in love. They can look to our souls and they can see.”

Outro que foi dificílimo decidir qual personagem escolher diante de um filme que apresenta 3 competentes que intensificam a qualidade das cenas. O fator decisivo inclusive para escolher Tommy/Garfield invés de Mulligan ou Knightley é por conta de uma cena: Tommy após sair da casa da ex professora. Pronto. Pra quem não viu o filme fica com aquela pulga atrás da orelha, e pra quem viu pode relembrar e começar a chorar novamente. Talvez beber uma garrafa de vinho, sentado numa guia com um cachorro molhado ao lado. Você pode lembrar também o quanto a vida é triste as vezes, e considerar um suicídio…. Poxa gente, é ano novo eu não deveria ter lembrado desse filme… o.O Mas, uma coisa é certa: foi um dos melhores filmes que vi esse ano.

02 – Severus Snape (Alan Rickman) – Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II

“You have your mother’s eyes.”

Não sei se isso é unânime, mas para mim, a cena principal com Snape era a mais esperada. Aliás, desde que li os livros, era a cena que eu mais tinha curiosidade de ver no cinema dentro da saga Harry Potter. Tanto que se aproximando do momento, eu já tava chorando junto com todo o resto de cosplayers no cinema. Mas, não somente nessa cena, e sim no filme todo (e praticamente em todos os filmes) Alan Rickman deu a Severus Snape um personagem que não poderia ser substituído por nenhum outro ator. Sua frieza, seu jeito lento e apático de soltar as palavras, faz dele o personagem detestável que eu tanto amo. Rowling já facilitou as coisas para Rickman fazendo um personagem e tanto. Mas, Rickman deu forma e personificou maravilhosamente bem Snape.

01 – Nina Sayers (Natalie Portman) – Cisne Negro

“I was perfect…”

Porque?

Porque nem fumando toda a maconha da plantação que seu vizinho tem nos 20m²  de seu quintal você fica com os olhos vermelhos daquele jeito. É preciso ter o Tinhoso no corpo e na alma, num auge de loucura absurdo para ter o sangue nos olhos, arrancando dos que assistem uma espécie de medo e pena. Tudo isso sem ser realidade, só mesmo Natalie Portman brincando de faz de conta e surpreendendo a todos com seu belo Cisne Negro que entre a ingenuidade e perversão faz um espetáculo do começo ao fim da obra de Aronofsky. Clap Clap Clap!

Entrevista com vampiro (1994)

“I walked all night, I walked as I had walked years before when my mind swarmed with guilt at the thought of killing. I had thought of all the things I had done, and couldn’t undo. And I longed for a moments peace.”

Quando você vê muitos atores bons num filme só, não dá pra não criar expectativas. O resultado não precisa ser algo surreal como o melhor filme de todos os tempos, mas tem

porobrigação no mínimo corresponder esta expectativa, trazendo um bom roteiro, boa atuação e que consiga te prender até o final. Então ponto para o diretor Neil Jordan! E claro, pra digníssima Anne Rice que bota Stephenie Meyer lá nas profundezas do limbo.

O vampiro Louis (Brad Pitt), conta sua história de como se tornou vampiro atingindo assim a imortalidade, desde o séc XVIII. Lestat (Tom Cruise) é seu criador, e acreditava que tinha sido o salvador de Louis dando lhe a dádiva da vida eterna, força e poder. Entretanto, Louis tinha um coração mais emo (tipo o Bill Compton de True Blood) e não gostava de matar pessoas para se alimentar, e amaldiçoava o fato de ser um vampiro.

Certo dia… (ou melhor, certa noite) Louis que praticamente só tomava sangue de rato, acaba abocanhando o pescoço de uma menininha pobre que acabava de perder a mãe. Lestat então aparece e dá a menininha Claudia (Kristen Dust com dentes de leite ainda) a vida eterna, poupando da morte. E aí que a história toma forma, pois além de ser um crime dentro das regras vampiricas dar vida eterna a uma criança que não consegue se virar sozinha e não possui maturidade, Claudia aos poucos vai percebendo que vai ficar com corpo e aparência de criança por toda vida. E começa a ficar rebelde.

A trama vai sendo desenvolvida na medida em que Claudia é julgada por seus atos, e entra Armand (Antonio Bandeiras com cabelo de Mara Maravilha) do Teatro dos Vampiros.

Histórias de vampiros são legais, porque podem juntar duas eras totalmente diferentes sem soar forçado. O mais bacana do filme é isso. Você vê Louis de terninho contemporâneo contando sua história de quando usava camisas brancas esvoaçantes, manchadas de sangue. Na realidade, a maior parte do filme mostra o século XVIII até mesmo na trilha sonora neutra.

Tanto que a ruptura de uma música relativamente ‘nova’ no final (considerando que Mick Jagger ainda está vivo e até onde sabemos, não é um vampiro) faz o filme fechar com chave de ouro. Além claro, dá própria música totalmente conveniente. Pra quem viu, vale relembrar o final. E quem não viu ainda, recupere o atraso. É um blockbuster que vale a pena.