Maratona Mestre Yip Man

Há muito mais sobre a história de Yip Man, do que simplesmente ter sido o mestre de Bruce Lee. Os três filmes lançados a respeito do mestre de Wing Chun provam isso, com semi-biografias que narram entre muitas lutas, a essência e filosofia do Kung Fu, e o grande homem que foi o protagonista. Os três longas são chineses, tendo no elenco atores que fogem um pouco da cena Hollywoodiana (se comparado a Jet Li ou Jackie Chan) e que mostram por sua vez, um talento nítido, como Donnie Yen (Hero, e Blade II) que interpreta Mestre Ip em dois filmes. O terceiro e último lançado, trata do começo em que Ip começou a treinar o estilo Wing Chun, e por isso, é interpretado pelo jovem Dennis To, que também se mostra um ótimo ator. É a prova de que a China não deixa nada a desejar em se tratando de cinema. Bem verdade que os filmes é uma “estapeação” só, mas além da ausência (não completa) do plástico exagerado de pessoas voando (Como em O Clã das Adagas Voadoras), você vê puro Kung Fu, e também roteiros que mesmo não se desvencilhando completamente dos clichês, conseguem te prender e fornecer um pouco de tudo: Aventura, Comédia (em doses sutis), Drama, Romance e claro: muita ação. E alto lá você que não tem muita paciência pra ver cenas de luta: definitivamente você não irá gostar destes filmes que em todos trazem alto teor de Kung Fu em 80% das cenas.  Os 20% restantes estão divididos entre outras lutas, e outros detalhes que permeiam a trama. Eu, que adoro assistir uma “estapeação bem feita” (e claro, falo assim de uma forma chula e leiga, porque vai muito além de um termo tão banal quanto este)  não tive problemas com isso…

Resumão: Yip Man nasceu em Foshan, na China em 1893. Após a morte de seu primeiro mestre, foi para Hong Kong continuar seus estudos e voltou depois para sua terra natal, onde aprimorou ainda mais seu conhecimento e se casou, tendo um menininho. Vivia muito bem de vida, até a chegada dos japoneses com a Segunda Guerra Mundial que o fez perder seu dinheiro e passar a ter uma vida muito mais simples. Apesar da Roda da Fortuna ter girado para o mestre, Yip possuía uma humildade contrastante, nunca subestimando seus adversários (exceto em sua juventude, quando ainda estava aprendendo). Após uma luta difícil com um dos generais japoneses, Yip voltou a Hong Kong, onde finalmente começou a ensinar Kung Fu e ficou por lá até sua morte em 1972, fato que não chega a ser mostrado nos filmes, tendo finalizado a história da trilogia, com uma vitória contra um lutador ocidental que chegou na China apavorando e desrespeitando o estilo de luta dos chineses.

Aqui, vou contar os filmes na ordem de lançamento invés da ordem dos fatos (pra dar uma variada né?). Ah, aliás… dessa vez fico devendo as quotes de cada filme ok? Quando eu aprender Mandarim ou Cantonês eu coloco e aviso vocês  =)

O Grande Mestre  (2008)

Dirigido por Wilson Yip, o filme traz qualidade tanto em peças essenciais para um bom filme quanto em categorias técnicas como uma boa fotografia e figurino. Ele traz uma composição visual que vai do topo ao fundo do poço representando como que mestre Yip vivia numa linda mansão e acabou indo morar num cortiço devido a Segunda Guerra e a invasão dos japoneses. A trama aqui está em cima disto, primeiro com outros praticantes de Kung Fu desafiando Yip,  se “rendendo” e prestando respeito as habilidades deste, e depois, se unindo de certa forma, quando os japoneses tomaram conta de Foshan. Aí entra em cena o pessoal do Karate, fazendo duelos entre o pessoal do Kung Fu e se caso estes ganhassem, teriam em troca um saco de arroz. Muitos aceitaram a proposta apesar da humilhação pois a China passava fome. Alguns morriam, evidente. O filme tem uma violência controlada e vai aumentando a dose conforme nossa vontade trilhada pelo roteiro bem estruturado de Edmond Wong. Donnie Yen, que interpreta Yip reproduz a calma, a paciência e sabedoria de um grande Sifu. Engraçado que aqui a China faz aquele drama que todo Norte Americano faz quando relata um pouco da história da guerra: puxa sardinha pra eles, fazem um drama de coitados e uma imagem de que o oponente (no caso os japoneses) são os malvados da vez. Historiadores, me contem se o filme é bastante claro na adaptação a realidade? Outra coisa delicada é esse “duelo sutil” entre dois estilos de luta diferentes. Yip Man foi um homem sábio e humilde, mas teria o diretor do filme as mesmas características quando apresenta uma máscara duvidosa que botam lutadores de kung fu como os grandes ganhadores contra os lutadores de karate? Coisa polêmica essa. E na realidade, irrelevante se todos pudessem respeitar todos os estilos e admitir que todos tem sua própria garra, sabedoria e filosofia que é preciso respeitar…

Mas, voltemos ao foco, produção?

O Grande Mestre 2 (2010)

Do mesmo diretor, conta como mestre Yip começou a viver em Hong Kong após o episódio trágico do final da Guerra, e de sua batalha com o general japonês. Mostra como ele começou a dar aulas de Wing Chun a fim de ganhar dinheiro para pagar o aluguel de sua casa, e também de propagar o estilo, além de conseguir o respeito dentre os demais mestres que ensinavam Kung Fu em Hong Kong. Um deles é Mestre Hong (Sammo Hung Kam-Bo) que apesar das desavenças com Mestre Yin, seus conceitos mudam quando vê a personalidade e a compaixão deste homem. No fim, ambos se unem alimentando desavenças contra um inimigo maior: um lutador de Boxe, Twister (Darren Shahlavi) que desafia os mestres e insulta o Kung Fu, como uma arte de dancinha e não de luta. Tanto este filme quanto o anterior consegue mostrar um pouco da filosofia do Kung Fu, sintetizadas por Mestre Yin neste segundo quando ele dá um breve discurso aos ocidentais falando sobre respeitarmos uns aos outros sem se importar quem é ou não o mais forte. Ah! E neste a gente sente um gostinho bom, com a breve aparição de um menininho bravo chamado Bruce Lee que pede aulas para o Mestre. Um charme a mais pro filme, sem dúvida.

Yip Man – Nasce a Lenda (2010)

Desconfio que na China deve faltar bons atores, e todos eles foram parar nos filmes sobre Yip Man. Afinal, Sammo Hung Kam-Bo que interpreta o Mestre Hong no segundo filme, está aqui de volta, porém agora interpretando o Mestre Chan Wah-shun, Sifu de Yip Man quando este ainda pequeno vai parar lá nos treinos de Wing Chun. Apesar de ser o último filme feito, ele narra o começo de tudo. Yip Man, por mostrar duas fases de sua vida (ainda menino e depois adolescente) é representado primeiro e rapidamente por Yu-Hang To e depois pelo talentoso Dennis To, quase tão bom quanto Donnie Yen. O interessante aqui é que Dennis To consegue representar dando um sentido único e um contexto forte para a figura de Yip Man mantendo detalhes de suas características e personalidade como o semblante calmo e o controle de sua concentração mesmo em horas de raiva, como Donnie foi capaz de fazer. Entretanto, o filme, com direção agora de Herman Yau, é o mais fraco dos três, não prendendo muito, mesmo com uma trama relativamente mais intrigante em volta de assassinatos misteriosos e até mesmo do início de seu romance com sua futura esposa.  De resto, as mesmas cenas de ação e luta estão lá. Eu recomendo assistirem num intervalo de 1 hra cada um. Até para quem pratica Kung Fu, dá uma certa canseira de ver tanta poeirinha saltando da sapatilha com os chutes e socos intensivos…

Luta de Beatrix Kiddo VS Elle Driver

Saudações Galera do Mal! Perdoem-me a ausência em demasia, vida de designer tem dessas coisas de só ter tempo pra tomar o café que te mantém acordada! Ocorreu que no final de semana, decidi assistir Kill Bill Vol. 2 (embora meu preferido seja o 1).

Porém, no segundo volume tem essa cena fenomenal, que eu acho tão fodástica que me veio um estalo: Entra pro Greatest Scenes!

A cena é toda a luta da Noiva com a Elle, e apesar do erro sequencial trágico que tem nesta cena, ela é fantástica (assim como praticamente todas as outras dos dois volumes).  Porém, escolhi essa porque o final da Luta é tão “se fudeu” que é uma das melhores.

Contém Spoiler sobre o filme! Pra quem já viu, então vamos lá!

Cena: Luta de Beatrix Kiddo (Noiva, Black Mamba, enfim) VS Elle Driver
Kill Bill Vol.2 (2004)
Dir. Quentin Tarantino o/

The Bride: I was wondering, just between us girls, what did you say to Pai Mei for him to snatch out your eye?
Elle Driver: I called him a miserable old fool.
The Bride: Ooh, bad idea.

Uma das coisas que eu mais adoro nos filmes de Tarantino são o alto teor irônico e sarcástico que as cenas, os encaixes de trilha sonora, ou os personagens e suas falas representam. Uma Thurman consegue isso de um jeito exemplar. Ela voltar daquele jeito literalmente da tumba pra se vingar, te dá a mesma sensação que o personagem a ponto de você até se contemplar de êxtase quando ela arranca o outro olho de Elle.

A cena toda é bem bacana de ver, toda aquela ação e os golpes que um bom filme do gênero tem que ter. Mas, é claro que o final da cena é impagável, não só pelo ataque ao olho, quanto a esmagadinha clássica nojenta porém muito bem adequada. Escárnio rolando solto!

Segue a palhinha pra relembrar: