Cartazes com Bette Davis

Bette Davis é minha musa inspiradora para estreiar tudo quanto é tipo de post aqui no blog. Lancei o Fuck Yeah! com ela, e essa seção não seria diferente. Afinal, os cartazes de filmes mais antigos são geralmente os mais legais, por ter um uso maior de ilustrações e fotografias, recortes e demais recursos. Antes do Photoshop deixar muito carinha de braço curto ser responsável pelos posters de filmes.

Tenho um grande apreço por cartazes de filmes, alguns deles transmitem mesmo que de forma subliminar coisas interessantes referentes a sinopse ou conceito do filme. É basicamente expor a identidade do filme, numa única imagem. Representando terror ou comédia, romance ou desamor.

Aqui são só alguns dos cartazes de filmes que teve Bette Davis no elenco. Até porque, a fofa tem bastante trabalho na filmografia, e alguns cartazes nem são tão interessantes assim.

Ah claro, All About Eve, só entrou no meio, porque é famosinho. Particularmente não acho um belo cartaz…

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Top 10 – Imagens Clássicas do Cinema

Não são somente 10. No cinema, temos centenas de grandes imagens que foram registradas fim de representar uma grande cena. Uma cena que através somente da imagem é capaz de sintetizar e transmitir toda a essência ou mensagem que um filme todo pretende passar. São beijos, olhares, ações, congeladas no tempo para o coração de cada cinéfilo, amém. E não, diferente do que pode sugerir o título, não é necessariamente um “Top alguma coisa”, uma vez que cada imagem não possui status de maior ou menor, nem mesmo sob minha opnião. Todas são sensacionais. Então eu dispensei um pouco o falatório e listei aqui as 10 imagens que não precisam de textos para serem absorvidas. Este é o poder da imagem, e a razão do meu amor pela arte de enxergar. =)

Um pouco de Expressionismo Alemão

Poster de Nosferatu - uma sinfonia de horror

O expressionismo alemão foi uma corrente estética que se manifestou na pintura, na literatura, e mais tardiamente no cinema. Marcou o cinema da década de 20 imortalizando títulos que traz na luz e sombra a arte e a dramaticidade.

A Alemanha no início do século XX possuía o status de um país industrial bem desenvolvido. Contudo, os primeiros filmes categorizados como expressionistas daquela época, focam-se em uma era mais remota, não refletindo uma realidade urbana do país. Com a derrota da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha começou a entrar numa recessão, foi um período de caos e desordem social. A relação com os filmes que retratavam épocas antigas era como se os alemães, recusando a realidade de ter perdido a Primeira Guerra, se consolassem  numa situação anterior, utilizando lendas e contos.

Desta forma, toda a composição concreta, passa a ser abstrata, na função de não buscar o mundo como ele é e sim remodelar este, a partir dos sentimentos interiores do indivíduo, do lúdico e fantástico. Era muito mais interessante recriar um mundo do que a simples representação do que nós conhecemos. A partir daí, se destaca características visuais que determinaram a estética expressionista alemã, do início do século XX: Cenários subjetivos e abstratos, variações de luzes e sombras, cenários claustrofóbicos, e uma névoa soturna, com figuras por vezes grotescas e incomuns.

Cartaz do filme Metropolis

Dois dos filmes expressionistas que são expoentes a se destacar com esta estética cinematográfica,  são O Gabinete do Dr. Caligari (1919) e Metropolis (1927). Entretanto, apesar de ambos pertencerem ao Expressionismo, temos aí uma diferença de pouco menos de 10 anos, que reflete a situação do país em cada época, de uma forma bem diferente entre um e outro.

Em O Gabinete do Dr. Caligari, conta a história de um hipnotizador, o Dr Caligari que induz o jovem Cesare a matar pessoas. A história se complica quando este se recusa a matar uma bela jovem. Tudo se passando pela ótica de um louco. Neste filme, dirigido pelo diretor Robert Wiene, os cenários foram construídos sobre telas pintadas, mostrando elementos e formas irregulares e deformadas, além de um cenário subjetivo e lúdico. É distanciado do real, assumindo composições picturais e fantásticas, com sua arquitetura distorcida, casas inclinadas, ruas tortuosas, criando um universo inconsciente do estado psíquico dos homens, ou mesmo do olhar de um louco.

O Gabinete do Dr. Caligari - Cena do filme: o cenário eram telas das quais eram pintadas até mesmo as sombras que eram projetadas dos personagens.

 

Já em Metropolis (1927), o diretor Fritz Lang realizou uma produção precursora de Ficção Científica, do qual aliou características expressionistas a uma visão do que seria o mundo em 2026. A urbanização, atrelada a dificuldade de se viver na cidade, não no sentido de civilização mas, no distanciamento do rural, na impossibilidade do retorno a natureza, cria uma tensão entre ambas situações, do qual mesmo com a falta do vínculo da natureza, há a atração pelo modo de vida metropolitano e pela tecnologia, a tal ponto que o homem só vive para fazer a máquina “viver”. Essa ideia é bem refletida numa das cenas do relógio da grande máquina, que mostra um operador (no caso Freder, o filho do “dono” de Metropolis, se passando por trabalhador) girando os ponteiros do relógio do qual não pode parar por um segundo sequer.

Metropolis - Freder se passando por um trabalhador, fazendo o relógio girar

 

Na época, Metropolis foi considerada como a produção mais cara filmada na Europa. Conta uma história que se passa no século XXI, do qual os trabalhadores eram escravizados pelas máquinas. Era uma simbologia da preocupação com a mecanização da vida industrial no estilo de vida metropolitano, questionando a importância do sentimento humano. Metropolis apesar de relações com as características de filmes deste período, ele é diferenciado por seu cenário e roteiro, dos primeiros filmes expressionistas onde se destacava uma história lúdica remota, e por vezes pitorescas, como o próprio O Gabinete do Dr. Caligari (representado pelo terror e ambientação soturna). Ele representa mais a Alemanha industrial, e a exaltação da sociedade urbana.

Metropolis - Maria após a transformação para robô (que o Robocop invejou o modelito décadas depois)

 

Na linha do O Gabinete do Dr. Caligari, temos outros filmes que possuíam seus aspectos positivos e negativos e marcaram a época. É o caso de Nosferatu – uma Sinfonia de Horrores e Golem. Assim como algumas pinturas que a princípio não são bem absorvidas por quem vê a não ser que considerem a história do pintor ou a época da humanidade, o Expressionismo Alemão traz grandes obras que tem muito mais conceito e arte do que a simples preocupação atual de se parecer real ou megalomaníaco. Como exemplo, só repararmos no cuidado de luz e sombra e suas variações tonais da escala de cinza em filmes como o próprio Nosferatu, ou O Gabinete… Mas, isso é assunto para um próximo post.

Frames do CaioSan

Caio ou mais conhecido como CaioSan, é um ilustrador de São Paulo. Estudou na faculdade de Design comigo até a metade do curso, onde se especializou em Design de Produto (eu fui pra turminha do Gráfico). Apesar de seu foco direcionado para o universo 3D, Caio faz várias ilustrações, tirinhas e tem um blog onde publica seus trabalhos, o Margem Negra. Agora, ele vai aparecer de vez em quando aqui no Le Matinée! na nova seção Frames do CaioSan pra publicar posters ou qualquer ilustras dele relacionado com a Sétima Arte. Pra inaugurar este momento, a gente estréia com o poster de MIB – Homens de Preto, com uma referência minimalista bem bacana =) Espero que vocês gostem! Quem quiser ver mais coisas do Caio, só acessar o portifa legal dele!

Modigliani – Paixão pela Vida (2004)

“Tell me Pablo, how do you make love to a cube?”

Para os amantes da arte, é notável a influência do italiano Amedeo Modigliani na história da pintura. Suas obras possuíam traços que lembravam vagamente um fauvismo, embora estivesse numa época onde o cubismo de Pablo Picasso fazia sucesso na pintura pós moderna. Entretanto, Modigliani e Picasso possuiam uma certa rivalidade entre eles, ambos sendo orgulhosos e talentosos o suficiente para nenhum dar o braço a torcer. Contudo, Modigliani teve uma vida diferente da do pintor espanhol.

A história se passa na França, nos dois últimos anos de vida de Modigliani, em 1919/1920. Amedeo Modigliani (Andy Garcia, o eterno “pão” da minha mãe) se apaixona pela belíssima Jeanne Hébuterne (Elsa Zylberstein linda linda) sua musa inspiradora do qual ele afirmava que apenas “pintaria seus olhos quando conhecesse sua alma”. Porém, os problemas de Modigliani com o álcool é grande, não conseguindo se livrar do vício, o que dificultava tanto sua vida em relação a manter uma família com Jeanne (eles tiveram uma filha logo no começo, que o pai de Jeanne ameaçava colocar numa escola de freiras) quanto para ganhar dinheiro e ter uma vida tão rica e bem sucedida quanto Pablo Picasso (Omid Djalili) e demais artistas da época.

Ainda temos flashbacks de sua infância, tendo nascido numa família judia que perdeu os bens e viveu em extrema pobreza após a perda do emprego do pai. Modigliani, apesar do vício era uma figura forte e influente na sociedade em que vivia. Tinha vários amigos e apesar das briguinhas com Picasso, ambos compartilhavam da inveja e admiração escondida sobre o talento do outro. Já Pablo Picasso, apesar do ator Omid Djalili interpretar o pintor com grande maestria, foi muito esquisito atribuir aquela figura como sendo a figura do pintor que conhecemos. Afinal Omid Djalili não tem NADA a ver com o verdadeiro Pablo Picasso. Isso pode não fazer tanta diferença assim, mas confesso que na primeira cena em que entra o ator eu me perguntei: Este ae é o Picasso, Picasso??? Tenho certeza que há atores mais similares…

Picasso real, e Picasso Gordim

 

A fotografia do filme, dirigido pelo cineasta Mick Davis, é realmente muito bem feita, as vezes com linguagens visuais que chegavam a lembrar uma obra do artista. Basta ver a própria capa do filme, onde é utilizado cores fortes vibrantes e até primárias, muito similares aos quadros de Modigliani além de uma textura típica de pinturas a óleo. O filme peca contudo em alguns detalhes, como na trilha sonora que por vezes parece se encaixar, mas que foi infeliz na escolha de um New Age meio Era com batidinhas dançantes na cena dos artistas pintando suas obras para o Concurso de Pintores. Além disso, vemos Modigliani ali como uma figura irresponsável que parece não se importar com sua filha e Jeanne e parece viver para encher a cara. Mas, modigliani alimentava contudo a paixão pela arte (não digo necessariamente uma paixão pela vida, da qual já acho o título mal concebido).

Após perder sua filha para o juizado de menores por conta do sogro, ele decide ultrapassar as barreiras de seu orgulho, se inscrevendo no Concurso de Pintores (o que considerava algo medíocre para pintores de má qualidade). Porém, era necessário sua participação para caso ganhasse o concurso, pudesse oferecer a Jeanne e sua filha uma vida mais estável por conta do prêmio em dinheiro.

Sim, o final é até previsível mas é carregado de tamanha tristeza que até mesmo aqueles que não conheciam o nome Modigliani tanto quanto o nome Picasso é conhecido, ficaram com uma curiosidade de saber mais quem foi este grande artista. Um detalhe que o filme não deixa expor com tanta exatidão, parecendo dar mais destaque para a musa Jeanne (o que de fato é considerável). E o que dizer de Andy Garcia? impecável, com paixão no olhar, sorriso melancólico e fiapos de cabelo sobre a testa (suspiro de Laura do Carrossel). Belíssimo.

O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante (1989)

“Try the cock, Albert. It’s a delicacy, and you know where it’s been.”

Como começar uma resenha que foge dos padrões da maioria dos filmes de começo, meio e fim, dos quais vocês comenta atuação, cenário, roteiro e efeitos? Resenhar sobre um filme que traz a essência do cinema, muito mais num contexto artístico do que  num padrão hollywoodiano. Do qual, a história pouco importa, e passa a valer e ser apreciado tanto por sua estética quanto pela sua capacidade audiovisual e de dramatizar uma cena com uma bela e bem feita trilha sonora. Afinal, o próprio Peter Greenaway, que prioriza sensações visuais e com fortes referências em pinturas (chegou a estudar pintura quando jovem) afirmou que quem quisesse história, que vá escrever um livro.

Contudo, não considero o roteiro dispensável. Bem como o título nos mostra, temos quatro personagens principais: O ladrão, Albert, dono de um restaurante, figura intragável e insuportável que desdenha e deboxa de tudo e todos, o cozinheiro de seu restaurante, Richard, o único que lida com Albert de uma forma mais sólida sem se deixar hesitar pelas afrontas verbais do chefe, Georgina, a esposa de Albert, personagem forte e que conforme a trama acontece, ela vai ganhando cada vez mais força, e claro, seu amante, Michael, amante dos livros que descobre em Georgina um prazer no restaurante da mesma forma em que Albert desfrutava um banquete todas as noites.

Agora, falemos do que é mais vibrante no filme todo: As cores. Os cenários e os encaixes até mesmo das posições que os personagens ocupam num frame, faz o filme se relacionar diretamente como num grande quadro cuja pintura se anima numa história. Em cada cenário, há uma cor marcante se relacionando. A rua em tons de azul, a cozinha em tons de verde, o banheiro branco e o salão de jantar em vermelho. Isso, vinculado com um jogo de luz, onde se percebe quando é aberta a porta do banheiro e uma luz forte vermelha reflete nos elementos brancos. Além disso, as roupas dos personagens são modificadas conforme seus ambientes, principalmente os véus e vestidos de Georgina.

O filme todo te dá uma enorme impressão de que você assiste tudo sentado numa platéia, lembrando muito um teatro até mesmo com alguns elementos do cenário, quando Albert abre as enormes portas da cozinha para o salão por exemplo. Além disso, a mudança de cenário por conta de uma câmera contínua num ângulo aberto e fazendo um “travelling” em 80% do longa, é um outro detalhe curioso, onde em muitas vezes você observa a atuação dos personagens distante.

Já a trilha, desenvolvida por Michael Nyman que em muitas vezes, carregadas de marchas e dramatização, interage com as cenas causando um impacto de sensações (destaque para a cena final do banquete para Albert).

Mas, há muito mais no O Cozinheiro, o ladrão… que se pode desfrutar e analisar, por assim dizer. Referências fortes com a arte, e analogias super conceituais como a relação do sexo, e da comida, junto com a carne humana, e cachorros devorando restos no chão faz do filme uma espécie de entretenimento curioso do qual em cada vez que você assiste você nota uma coisa peculiar e diferente.