A Árvore da Vida (2011)

“Where were You? You let a boy die. You let anything happen. Why should I be good ? When You aren’t.”

Terrence Malick não é do tipo de diretor que faz um filme todo ano. Alguns dizem que ele preza pela qualidade, então quando lança algo é sempre bom. Enfim, há controvérsias, pois se fosse assim, seria Woody Allen um fracasso? o.O

Mas, convenhamos que de fato, para uma pessoa com mais de 40 anos de carreira, ter apenas 5 filmes lançados, é que Malick não disperdiça dinheiro, e trabalha muito bem cada detalhe sensorial, técnico e conceitual de seus filmes, para que não sejam lançados em vão…

Neste quinto trabalho do diretor, os fragmentos de uma história de família são postos nas 2h30 de filme de uma forma que foge da linearidade. Não começa necessariamente do final, nem do começo. E a real mesmo, é que você não depende interamente disso para “sentir” o filme. E digo isso, porque este – de uma forma singular – não é o tipo de filme que se vê, argumenta roteiro, capacidade de atores (uma vez que já estamos lidando com dois mestres – Brad Pitt como o pai, Sean Penn como o filho já crescido) ou qualquer outro detalhe cinematográfico a considerar. A Árvore da Vida você sente de uma forma puramente artística – ou espiritual…

Logo no começo uma pergunta instigante é soprada em uma cena daquelas em que as imagens engolem os sons, ruídos ou falas comuns de um filme. Falo isso, porque em muitas das vezes que não era tocada uma ópera ou outra música erudita, ficava aquele mudo como se de repente atingissemos o ápice de uma colina. E de repente, sussuros indagando sobre a existência. Esta é a essência do filme todo praticamente. O caminho da graça e o da natureza, numa analogia entre a bondade e a perdição. O antagonismo dos pais – Ele, Mr. O’Brien (Brad Pitt) cético que ensina seus três filhos a serem fortes e lutar na vida e ela, Mrs. O’Brien (Jessica Chastain) quase imaculada que ensina o amor, o perdão ficando claro que ela escolhe inteiramente o caminho da Graça.

No meio disso, temos o filho mais velho, Jack (Hunter McCracken e Sean Penn). Ele sofre pela educação imposta pelo seu pai, além do longa sugerir sutilmente o desenvolvimento de um Complexo de Édipo, com relação a mãe. Mas, mero engano falar da sinopse dessa forma, como se tudo isso fosse claro…

Malick cria alusões entre a existência da humanidade, ou a de apenas um ente querido. Retrata o Big Bang de maneira magnífica, embalada numa trilha de chorar, e numa morosidade, que se você dormiu mal na noite anterior, vai capotar no sono como um bebê. Para outros, é algo de arregalar os olhos prendendo mais do que qualquer ação explosiva Hollywoodiana.

Flashes de luz são constantes. Oscilações entre o nascimento e a morte, a origem do Universo, a origem de uma vida. Takes demorados refletindo luzes, ecoando sons distantes, e closes na simplicidade de uma vida: um pé sobre um chafariz de água, duas mãos grandes segurando um pézinho minúsculo, janelas se abrindo, crianças rolando num gramado verde. Na pior das hipóteses, você pode achar o filme enfadonho. Entretanto, se ocorrer o mesmo que ocorreu comigo, você simplesmente não sabe dizer o porquê, nem como, este filme cativou sendo por vezes tão cansativo. Não sabe explicar como que você não tem coragem de dizer que uma obra dessas é ruim, quando sente que isso seria uma blasfêmia divina e cinéfila. O cuidado que Malick teve em cada frame, sem nenhuma pequena cena (mesmo que em fração de segundos) fosse disperdiçada, é algo que merece respeito.

Se há algo que ouso criticar do longa – além de sua arrastação natural, que caso contrário perderia o sentido – é seu final quase como um Cidade dos Anjos, que com certeza poderia ser melhor. Se não fosse por ele, seria talvez o primeiro filme do qual não se percebe que chegou ao fim, uma vez que hâ final e começo durante todo seu espetáculo.

Sete Anos no Tibet (1997)

“Tell my wife that two years in prison camp is roughly equal ant to four years of marriage and I’m glad to be free of them both.”

Heinrich Harrer (Brad Pitt), é um alpinista austríaco, que em seu ápice de egocentrismo, larga sua esposa grávida e prestes a dar a luz, para poder ir ao Himalaia escalar o pico Nanga Parbat, e desta forma obter mérito e fama. Parte com um grupo de outros alpinistas, em pleno início da Segunda Guerra Mundial, e acaba ficando preso no exterior, afinal, nenhum estrangeiro poderia sair ou entrar de lugar algum.

Foi lá na prisão que ele recebe a carta de sua esposa, falando que quer o divórcio, e o filho dele está bem, obrigada. Com isso, Heinrich muda de idéia de fugir para voltar para casa. E (após inúmeras tentativas de fuga) é com ajuda dos outros alpinistas, incluindo Peter (David Thewlis), que ele finalmente foge da prisão, mas opta em ir para o Tibet, meio sem rumo.

Baseado em fatos reais, e no próprio livro de Harrer, é muito comum Hollywood fisgar expedições como essa para representar nas telas. Expedições esta que mostra a mudança do caráter e estilo de vida de um homem, que acaba amadurecendo enquanto ser humano. Além desta obviedade, Harrer foi parar no Tibet e acaba conhecendo Dalai Lama, que naquela época tinha 14 anos de idade. Era infalível que a história então tomaria este rumo sobre maturidade espiritual de alguém medíocre…

Paralelo a isso, claro que temos as próprias questões históricas, mostrando a cultura do povo Tibetano e como os Chineses acabam derrubando uma cidade sustentada pela paz de espírito. Apesar da bela fotografia, e da capacidade de atuação de Pitt, Thewlis, e do menininho que representa Dalai Lama (Jamyang Jamtsho Wangchuk – e sim, claro que copiei esse nome do IMDb), o filme não traz o suficiente para comover, por mais que tenhamos a história dramatizada do filho de Harrer não querer conhecer o pai, ou ainda da perigrinação dele em evoluir como uma pessoa melhor (que graças a Pitt, vemos de forma consistente se desenvolver ao longo do filme). Infelizmente, ele se perde no enfadonho, por mais que o diretor Jean-Jacques Annaud tivesse em mãos todas as ferramentas para construir uma pérola do gênero. Pois de tão longo, com a saturação dos mantos dos monges tibetanos vermelho e amarelo, causa fome e sonolência para quem assiste.

Considerando uma parcela de sensibilidade desta pobre blogueira, você não termina o filme como uma pessoa melhor ou modificada (como alguns filmes são capazes de fazer), porém consegue por um lado obter carisma pela narrativa, mais por conta da agradável harmonia do povo Tibetano, vinculada com a amizade de Harrer com Peter sendo construída, e nosso protagonista ser capaz de chorar, pelo filho que não conheceu. Voltando para o lado frio da força, eu trocaria o nome do filme para um mais realista: Sete Horas no Tibet.

Entrevista com vampiro (1994)

“I walked all night, I walked as I had walked years before when my mind swarmed with guilt at the thought of killing. I had thought of all the things I had done, and couldn’t undo. And I longed for a moments peace.”

Quando você vê muitos atores bons num filme só, não dá pra não criar expectativas. O resultado não precisa ser algo surreal como o melhor filme de todos os tempos, mas tem

porobrigação no mínimo corresponder esta expectativa, trazendo um bom roteiro, boa atuação e que consiga te prender até o final. Então ponto para o diretor Neil Jordan! E claro, pra digníssima Anne Rice que bota Stephenie Meyer lá nas profundezas do limbo.

O vampiro Louis (Brad Pitt), conta sua história de como se tornou vampiro atingindo assim a imortalidade, desde o séc XVIII. Lestat (Tom Cruise) é seu criador, e acreditava que tinha sido o salvador de Louis dando lhe a dádiva da vida eterna, força e poder. Entretanto, Louis tinha um coração mais emo (tipo o Bill Compton de True Blood) e não gostava de matar pessoas para se alimentar, e amaldiçoava o fato de ser um vampiro.

Certo dia… (ou melhor, certa noite) Louis que praticamente só tomava sangue de rato, acaba abocanhando o pescoço de uma menininha pobre que acabava de perder a mãe. Lestat então aparece e dá a menininha Claudia (Kristen Dust com dentes de leite ainda) a vida eterna, poupando da morte. E aí que a história toma forma, pois além de ser um crime dentro das regras vampiricas dar vida eterna a uma criança que não consegue se virar sozinha e não possui maturidade, Claudia aos poucos vai percebendo que vai ficar com corpo e aparência de criança por toda vida. E começa a ficar rebelde.

A trama vai sendo desenvolvida na medida em que Claudia é julgada por seus atos, e entra Armand (Antonio Bandeiras com cabelo de Mara Maravilha) do Teatro dos Vampiros.

Histórias de vampiros são legais, porque podem juntar duas eras totalmente diferentes sem soar forçado. O mais bacana do filme é isso. Você vê Louis de terninho contemporâneo contando sua história de quando usava camisas brancas esvoaçantes, manchadas de sangue. Na realidade, a maior parte do filme mostra o século XVIII até mesmo na trilha sonora neutra.

Tanto que a ruptura de uma música relativamente ‘nova’ no final (considerando que Mick Jagger ainda está vivo e até onde sabemos, não é um vampiro) faz o filme fechar com chave de ouro. Além claro, dá própria música totalmente conveniente. Pra quem viu, vale relembrar o final. E quem não viu ainda, recupere o atraso. É um blockbuster que vale a pena.