A Casa Dos Sonhos (2011)

“How could the neighbors not have said anything to us?”

Apesar de que até o dir. Jim Sheridan não gostou do resultado final, o filme tem lá seus pontos positivos. Acho que só eu devo ter enxergado eles, considerando o que andei lendo por aí. Mas ok, sou uma pessoa sensível… Talvez a grande razão de tudo isso, seja pelo fato de que muito clichê aparece no filme: Seja no cartaz das duas menininhas de mãos dadas, seja na sinopse (que na realidade é meio errônea, pois nada podia revelar do roteiro em si), ou ainda pela grande parte do filme. Afinal, A Casa dos Sonhos brutaliza no clichê até no começo de sua terceira parte, quando se imagina que o filme acabou, e de um suspense que acreditávamos ser algo como O Amigo Oculto ou coisa parecida, sai um filme mais policial, que tem lá sua surpresa.

E quando eu digo que ele abusa do clichê, digo com todas as letras. Sheridan abusa sem medo de ser feliz, fazendo um “segundo nome através de números”, coisa pra lá de manjada e outras traquinagens que a gente que cresceu jogando Resident Evil e Silent Hill já tá expert em perceber… Resta a grande questão: devemos esculhambar o filme por estes clichês, ou dar um certo crédito considerando que o filme não acaba em clichê? Afinal, diga o que disser, se tem algo no filme que não nos leva na mesmice completa, este é o final, e de certa forma, prefiro assim do que o contrário com filmes instigantes que terminam de forma insípida num feijão com arroz. Mas, fica difícil defender um filme que o diretor desprezou né?

Daniel Craig é Will, um editor que larga sua profissão para passar mais tempo com a família. Mas, na casa do qual eles moram, começa a rondar um cara estranho e Will acaba descobrindo que um assassinato hediondo aconteceu na casa, anos atrás, e sua vizinha Ann (Naomi Watts) sabe de algo relacionado a isso.

Craig não desaponta. Nem mesmo Watts, que adora ser ou estar envolvida com personagens com distúrbios psicológicos, e dá trela ainda para pessoas malucas como David Lynch (garota esperta). Rachel Weisz, que faz a Libby, esposa de Will, também se garante do começo ao fim, e de uma forma homogênea, temos um elenco capacitado.

O momento vergonha alheia fica por conta de um grupo de emos fazendo um ritual chupacabra no sótão da casa de Will, dizendo que o assassino Peter Ward voltou. Pode lembrar tantos filmes quanto o grau de embasbacação que fiquei quando vi a cena. A impressão que dá é que encaixaram aquilo pra assustar, fazer volume. A famosa encheção de linguiça cinematográfica.

Esculhambado pela crítica, são de fato diversos pontos negativos no meio disso tudo. Além dos já citados, da qual vale refletir a questão que já levantei lá em cima, temos também uns furos. Apesar de ser derivado de outros dois filmes do mesmo gênero (pelo menos), se você vai assistir com preconceito, pode ao menos ter sua parcela de surpresa com relação ao fim. Ou não.

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Um Ato de Liberdade (2008)

“If we should die trying to live, at least we live like human beings.”

Dificilmente um filme de Guerra consegue errar absurdamente a mão, principalmente os que retratam a II Guerra Mundial. Isso porque nós vemos praticamente um filme de terror, com a certeza de que tudo aquilo aconteceu. E muitas vezes, mesmo que o filme ou detalhes técnicos da direção não tenham tanta qualidade, somos tocados emocionalmente por uma história, pois grandes partes destas histórias, e personagens destes filmes, realmente existiram. Quase sempre filmes tristes, mostrando uma vala de corpos nus e sujos caídos num verdadeiro strike humano.

Ok, então já temos alguns pontos bons garantidos para esse filme, que apresenta tudo isso e ainda conta com a direção de Edward Zwick, que já teve um pouco de êxito anteriormente com Diamante de Sangue. A história é a seguinte: quatro irmãos judeus acabam de perder seus pais, e vão se refugiar numa floresta que como conhecem desde a infância, se torna um dos melhores lugares para se esconder dos alemães. Tuvia e Zus Bielski (Daniel Craig e Liev Schreiber respectivamente) são os mais velhos que apresentam opiniões antagônicas a respeito de vingança, guerra ou solidariedade. Tuvia acaba acolhendo outros judeus para seu acampamento e isso faz com que regras sejam estabelecidades, a medida que vai se criando uma comunidade na floresta.

Apesar das 2h17 de filme, não há momentos enfadonhos e por vezes você tem que voltar o filme para assistir a cena novamente pois você acaba se distraindo com o par de olhos azuis saltitantes de Daniel Craig sob um rosto cinza e encardido. Além da dupla de irmãos protagonistas, outros personagens se destacam no filme, como o irmão do meio, Asael (Jamie Bell – o famoso Billy do Balé) que começa meio morno, e a medida que seu personagem toma forma, seu papel ganha força.

Zus, em um dado momento acaba se aliando aos russos para lutar contra os alemães e com isso, abandona seus irmãos e o acampamento em busca da Guerra. Contudo, além da metralhagem digna de todo filme de Guerra, outros valores vem a tona na história como a família e a superação humana em enfrentar algum mal, comparando com o que pode acontecer se apenas ficassem parados. Uma das melhores cenas do filme, é a que mostra os judeus do acampamento espancando um alemão capturado que chora desesperado.

Baseados em fatos reais, este é um filme de Guerra que foge um pouco dos demais por razões que não podem ser contadas aqui. Os tons cinzentos e azulados continuam lá na fotografia, mas também temos o amarelado do calor de uma vela na cabana e a luz do sol derretendo os flocos de neve anunciando o fim do inverno. Há justiça, perdão e amizade no filme, e diferente de um Bastardos Inglórios que retrata o gosto de satisfação numa completa ficção, neste podemos constatar que nem sempre tudo esteve perdido na realidade.