O Despertar de uma Paixão (2006)

“If people only spoke when they had something to say, the human race would soon lose the power of speech.”

A dica importante é: se você pegou uma virose, e estiver vomitando que nem o cara do jackass quando come ovo com maionese, assistir esse filme de molho na cama, pode dar uma bad incômoda. Talveza chance de você assistir o filme doente seja baixa, mas isso foi só um desabafo e relato de caso oficial… Vamos lá…

Baseado no romance de Somerset Maugham, The Painted Veil (também o título original que a distribuição brasileira insiste em estragar), temos uma história que ocorre nos anos 20, comKitty (Naomi Watts) uma garota de classe alta, que acaba conhecendo um bacterologista, Walter Fane (Edward Norton, também produtor). Mesmo não amando o Dr., ela se sente pressionada pela família com aquele papo de ficar pra titia (abençoado seja o dia que queimaram o sutiã). Desta forma, se casa com Walter e vão para Xangai.

Lá, Kitty conhece o bonitão Charlie Townsend (Liev Schreiber), casado, mas que parece ser mais interessante do que Walter. Não demora muito para Kitty se apaixonar pelo cara, visto que com Charlie, Kitty tinha um companheiro de verdade, e Walter era um cara de poucas palavras.

Ocorre que Walter descobre o adultério, e como forma de punição, decide se voluntariar para uma vila da China onde a Cólera estava aterrorizando. Como Kitty não obtém apoio de Charlie, e querendo evitar um divórcio tumultuoso, ela acaba indo com o marido. Pronto. Aí começa todo o filme, e embora seja fluido bem devagar sua trama (o filme permite isso), toda a segunda parte do longa, vale cada atenção.

E ir além é estragar seu contexto e sua poesia embutida em mais imagens do que palavras. A fotografia do filme é bonita, e o elenco é compentente. Temos ainda Toby Jones, fazendo o papel de Waddington, um comissário que também fica na vila da cólera, e acaba se tornando uma companhia para o casal Fane.

O romance ainda mostra sobre o perdão, e sobre como um lugar e um fato ruim, pode modificar as pessoas ou fazerem elas perceberem detalhes numa outra pessoa, que foram ignorados enquanto estavam numa área de conforto. O filme é sobre amor. E cólera, claro…

Maratona Dr. Hannibal Lecter

Saudações caros!

Hoje estréia uma nova seção pro blog. Trata-se da Maratona, que nada mais é do que uma resenha combo de cada filme cuja história possui uma continuação, bem como sagas, trilogias etc…

E pra começar, tem Dr. Hannibal Lecter. São quatro filmes, cuja sequência não está em ordem cronológica dos fatos, porém coloquei na ordem dos acontecimentos pra facilitar o curso da história. Então bora lá:

Resumão:

Dr. Hannibal Lecter é um psiquiatra e também serial killer, famoso por seu canibalismo, sua inteligência e sua mente doentia…

Nasceu na Lituânia, e ainda criança perdeu seus pais durante a 2º Guerra, e após ter sido capturado com sua irmã Mischa por soldados da Lituânia que serviam os nazistas, alimentou um enorme trauma e sede por morte.  Estudou medicina, tornou-se psiquiatra, desenhava formidavelmente e este personagem se tornou o dono de uma das mentes mais cruéis e inteligentes do cinema. Possuia o gosto de comer suas vítimas, seja arrancando suas línguas, mordendo suas bochechas, ou até preparando pratos finissimos acompanhados de um saboroso vinho (nhammy).

Após sua prisão, Hannibal ainda assim era requisitado pelo FBI para que ele pudesse ajudar na investigação de outros serial killers cuja mente possuía perturbações.

A história dos filmes é oriunda dos livros escritos por Thomas Harris que começou com a ficção em 1981 . Em 1986, o diretor Michael Mann dirigiu a a versão cinematográfica da história (A primeira escrita foi “Dragão Vermelho”), porém não obteve muito sucesso. Logo, decidiu não rodar as demais histórias.  Foi então que em 1991, Jonathan Demme dirigiu “O Silêncio dos Inocentes”, continuação da ficção de Harris que arrancou 5 Oscars incluindo o de melhor filme.  Ridley Scott deu continuação a saga (Jonathan Demme se afastou por considerar a história violenta demais, mas isso é que a Wikipedia informa… não é muito parâmetro né?) com Hannibal, cronologicamente o último filme.  Já em 2002 foi lançado pelo diretor Brett Ratner uma refilmagem de O Dragão Vermelho que deu mais certo. E por fim, em 2007, Hannibal, a origem do mal que conta como tudo começou…

Hannibal – A Origem do Mal  (2007)

“What is left in you to love?”

Hannibal, ainda criança é capturado com sua irmã Mischa na cabana de inverno onde sua família se abrigava. Após ter perdido os pais, Hannibal presenciou a morte de sua irmã, o que causou desejo imensurável de vingança e ódio. Como retrata a infância e juventude do vilão, foi selecionado para o papel o jovem francês Gaspard Ulliel. O cara tem muito talento, porém particularmente não achei homogêneo sua postura e característica comparada com o Hannibal dos demais filmes. Bem verdade que a mente psicótica estava se formando, você ainda podia ver o jovem Hannibal sendo capaz de chorar e até mesmo de “amar” (ele possuia uma grande afeição por sua tia). Atuação e comportamentos a parte, muito do roteiro do filme deu coerência as ações e comportamentos sucessores de Hannibal nos demais filmes. Até mesmo a máscara de Samurai, cuja máscara se tornou um ícone referencial do canibal.

Dragão Vermelho (2002)

“Our scars have the power to remind us that the past was real.”

Se há um filme de suspense/policial digno daqueles que o final consegue te surpreender e você é fascinado pela mente engenhosa e bem trabalhada de um personagem vilão (que aparentemente possui a impressão de que seu patamar é secundário) esse é realmente o filme. O foco está no assassino conhecido como A Fada dos Dentes interpretado por Ralph Fiennes (pausa para suspiro e tietagens femininas). O filme ainda conta com o digníssimo Anthony Hopkins  (tão perfeito no personagem assim como Jack Nicholson está para Jack Torrance), e Edward Norton (outra pausa, ladies). Este último é William, o cara que investiga os crimes obscuros que descobre logo no começo a verdadeira identidade do Dr. Lecter. Entretanto, a Fada dos Dentes é um outro serial killer solto, conhecido por assassinar famílias de maneiras estranhas com comportamentos incomuns como o de destruir os espelhos que cruzam seu caminho. Transtornos psicológicos e enigmas espalhados por conversas subjetivas é toda a base da história.

O Silêncio dos Inocentes (1991)

“A census taker once tried to test me. I ate his liver with some fava beans and a nice chianti.”

Agora o Serial Killer é Bufalo Bill. Outro cara exótico que mata mulheres fofuchinhas e faz umas roupinhas da moda com a pele delas. Dr. Lecter ainda continua preso e dessa vez, recebe visitas da estagiária do FBI, Clarice Starling. Esta, por seu trágico destino, foi convocada pelo agente Crawford para tentar entender o significado das mortes de Bufalo Bill através do Dr. Lecter. A relação de ambos os personagens – Clarice (Jodie Foster) e Dr. Lecter (ainda Anthony Hopkins) é enigmática e curiosa. Hannibal aparentava possuir curiosidade pela Sra. Starling e ele entrava na sua mente, perguntando coisas de sua vida pessoal para que numa troca relativamente justa, ele pudesse contar suas conclusões (sempreee certas) a respeito do serial killer solto. O filme foi o ganhador de 5 Oscars, e responsável por uma das cenas mais conhecidas do cinema: A cena do Dr. Lecter golpeando um policial, com tamanha frieza, sem exprimir nenhuma reação, seja de prazer ou de raiva. Simplesmente inexpressivo. Como se executasse uma tarefa banal. E Anthony Hopkins faz de uma maneira tão engenhosa, que faz ele ter o controle e a responsabilidade maior da qualidade de todo o filme.  Destaque para a linda analogia dos carneiros que Clarice pretendia silenciar em sua infância. As relações dadas por Hannibal até explicando o comportamento da agente é outro ponto perfeitamente estruturado na história.

Hannibal (2001)


“On a similar note I must confess to you, I’m giving very serious thought… to eating your wife.”

Este é o mais cruel de todos. É neste que finalmente você vê Dr. Lecter livre e com as características que o tornou conhecido. De elegância e sempre mantendo a classe, Hannibal executa mortes exuberantes sem exprimir um terror barato. É o auge de sua performance, de sua atuação e insanidade. Cenas ousadas como a cena do jantar com Paul, ou mesmo do ladrão que pretendia pegar suas digitais, fazem você abrir a boca no meio do filme e soltar interjeições de surpresa pasma como um “eitaaaa” (escolha um pra você, eu sempre uso um Eitaaaaa nessas horas). Desta vez, Clarice é interpretada por Julianne Moore. Não sei se é pela troca de atrizes ou por maturidade do personagem mas as duas realmente soam muito diferentes no papel. Julianne Moore é mais ousada, menos medrosa porém possui sensibilidade muito menor do que a Clarice do Silêncio dos Inocentes. A história engatinha sem você conseguir pressentir se está chegando o final ou não, senão pela duração estimada do próprio filme.  A história porém, traz pontos deprimentes como a fácil captura de Hannibal pelos contratados de Mason Verger ( Uma das vítimas de Lecter que sobreviveu e teve seu rosto deformado), e este próprio Verger que termina de um jeito tão bobo como nas capturas dos ladrões de Esqueceram de Mim.

Contudo, ainda sim, é um filme de cenas perversas e triunfantes ações do Dr. Lecter. Li também pela net que o final do filme é diferente do livro. Segundo o diretor Ridley Scott, o final do livro era “infilmável”… Alguém me conta esse final, pelo amor de Deus???