As vantagens de ser invisível (2012)

“Right now we are alive and in this moment I swear we are infinite.”

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Talvez mais uma daquelas resenhas onde eu boto 100% do meu gosto pessoal. Mas, como não? Se trata de um filme sobre a adolescência de um garoto em depressão no começo dos anos 90. Que gravava fitas com as canções preferidas (como você ou eu), que curtia uma fossa musical, como The Smiths (já repararam na letra de Asleep? “pouco”  triste), e que tinha o maior estress de ter que se enturmar com os alunos do Ensino Médio. Entrar em um campo social, sem ter que ser o invisível que come o lanche sozinho na hora do intervalo.

Charlie (Logan Lerman) perdeu recentemente seu amigo. A história começa com Charlie escrevendo uma carta para um amigo X, que cabe à conclusão de cada um sugerir quem seria (um diário, talvez). Ele logo explica a missão trágica e iminente que tem que enfrentar: ser um calouro noob do ensino médio, passível de bullying, catarro nos livros, empurrões no corredor, etc (confesse, você já passou ou causou uma situação parecida).

Mas, poucos dias depois do começo das aulas (do qual seu único amigo era o professor de inglês), ele acaba conhecendo Sam (Emma Watson) e seu meio irmão homossexual, Patrick (Ezra Miller). Junto com mais alguns amigos típicos dos anos 90 (uma menina que não sabe se é punk ou budista – e se houver alguém que seja as duas coisas, é realmente algo incomum, né?), Charlie então faz parte de um nicho que acaba sendo saudável para o rapaz depressivo. Mas, é claro que sua fixação está em Sam (nossa Hermione que trocou o Harry Potter por Charlie e o Ronny por Patrick ou vice versa, enfim).

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Stephen Chbosky é o escritor do livro que gerou o filme, do qual ele mesmo dirigiu. Talvez por isso há essa magnitude toda no longa, que faz não cair em clichês. É sem dúvida um filme sobre adolescência sim, mas sobretudo diferente. E igual. Não aos outros filmes, mas as suas próprias lembranças. Não sei dizer ao certo se para os que viveram a mesma fase numa mesma época carregam um encanto maior, mas o fato é que em nada este filme cai nas mãos do banal. É expressivo, contagiante, e em certas cenas nos leva a uma aventura epifânica cinematográfica, entende? Algo como certas cenas que nos deixam meio bestas, embaladas por uma trilha sonora perfeita. Tão perfeita que ouvi-la na sequência é “sentir” o filme…

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O trio de protagonistas é sensacional. Casam direititinho. Emma interpreta uma Sam que nos mostra segurança (dançando “Come On Eileen”) e também medo (ao se questionar sobre os amores e suas desilusões na vida). Ezra, o Patrick cujo apelido na escola era “nada”, é cativante logo em sua primeira cena. Mostra um rapaz engraçado que não se deixava levar pela zoação alheia.  Charlie (  , o Percy Jackson marginalzinho de raios) é talvez o menos forte, com algumas caras blazé que são compensadas por seus momentos de desespero ou de mais pura sinceridade.

É uma viagem aos tempos em que dávamos valor à uma máquina de datilografia, trocávamos fita cassete com as músicas que pareciam ser feitas pra gente, amávamos, ríamos e tentávamos entender o mundo ou ao menos sermos aceitos por uma pequena parcela dele. Nós somos infinitos =)