Água para Elefantes (2011)

“As long as we can walk, we play.”

Jacob (Robert Pattinson) era um garoto normal. Não brilhava no sol, não virava lobisomen, e era até levemente bronzeadinho. Na década de 30, vivia com seus pais numa casa e estava pronto para ingressar na faculdade de medicina veterinária. Entretanto, devido a uma tragédia, de uma hora para outra, Jacob se vê sozinho no mundo, sem ter onde morar e o que fazer.

É aí que ele pega carona num trem que na manhã seguinte chega a conclusão que iria mudar sua vida. O circo dos irmãos Benzini, viajava de tempos em tempos, alavancando os espetáculos, oscilando entre riqueza e crise, bem em tempos de depressão nos EUA.

Jacob acaba ficando por um tempo nos vagões, até conhecer o dono daquilo tudo, August (Christoph Waltz). Com a intenção de jogar o garoto para fora do trem, Jacob acaba convencendo ele de que seria útil para o circo, considerando entender de animais. Com isso, Jacob garante não só um emprego, mas uma cadeira reservada nos coquetéis de August.

Baseado no livro homônimo, o filme conta basicamente sobre um romance. Entre Jacob e nossa querida representante da Avon, Reese Witherspoon, fazendo o papel de Marlena – a esposa de August e a atração principal do circo. Porém, claro que August não irá facilitar este romance, tendo consciência do caso ou não. Notamos logo em suas primeiras cenas – aliás um ator fantástico esse Waltz, apesar de ter sobrado resquícios de Bastardos Inglórios nele – que August é meio bipolar, variando entre a educação e gentileza (provida de um interesse maior, visando sempre lucro) e a explosão violenta em agredir pessoas e/ou animais. Quem sofre na mão de August, é a elefante Rosie, atração principal do circo, que Jacob é incubido de treinar.

E se há duas figuras que se destacam nesse filme, uma é claro August e a outra é a própria elefante, que finaliza o filme com um clichê vomitado que fico sem saber se foi invenção do roteirista ou do livro, considerando minha falta de interesse em ler esta obra magnífica de mel com açúcar… Quanto ao parzinho circense, sem grandes atrações… Reese é sonsa. Chega no máximo a fazer o mesmo desempenho que sempre. Até em cenas mais “fortes”  por assim dizer, não vemos engajamento da parte dela tão aparente. E nosso jovem garoto Pattinson, uma nojeira do começo ao fim. Se o garoto tem talento, ele não provou ainda…

Ah sim, há mais uma figura que vale a pena ser lembrada mesmo que sua presença no filme seja pouca: Hal Holbrook que faz o Jacob mais velho que, como todo e bom romance mela cueca, começa com um idoso/a narrando seu amor da juventude…

Ficamos contudo com a bela fotografia do filme, e … só.

Na Natureza Selvagem (2007)

“What if I were smiling and running into your arms? Would you see then what I see now?”

Você não precisa de relações humanas para ser feliz. Deus colocou tudo ao seu redor“. Parafraseando Chris McCandless, o jovem de 23 anos que largou a família para viver sua realidade sozinho com a natureza. Momentos depois, quase sem forças, o mesmo jovem escreve: “A felicidade só é real, quando compartilhada“. Por entre tanto livros lidos por Chris, é por sua própria experiência, que ele se dá conta da tão procurada verdade que almejou em toda sua aventura.

Se rebatizando como Alexander Supertramp (seria a canção The Logical Song uma de suas inspirações?), Chris (Emile Hirsch numa atuação de deixar a gente de boca aberta se considerarmos seus outros trabalhos anteriores) já formado, deixa a vida da Classe Média Alta com seus pais e a irmã, para se aventurar aos EUA, se desapegando ao dinheiro, carro ou qualquer coisa material que tivesse ou pudesse ter. Sem dar notícias, Chris parece guardar um enorme rancor de como foi sua vida até então, através das mentiras de seus pais, e suas futilidades num mundo do qual a sociedade é um vilão. Por todo o momento, se percebe com exatidão o receio que o jovem tem em se apegar em qualquer lugar que lhe pareça um lar. E dessa forma, ele vai passando por várias histórias das pessoas que ele encontra no caminho, e por mais que não quisesse, mexendo com os sentimentos destes personagens.

O que mais se destaca dentro desses, é sem dúvida Ron Franz (Hal Holbrook), um veterano da guerra, sozinho, que vive e compartilha por momentos a experiência de Alex-Chris, mas sente a perda deste quando é chegado o dia de Chris continuar sua jornada.

“If we admit that human life can be ruled by reason, then all possibility of life is destroyed”.

O diretor Sean Penn, parece trabalhar minunciosamente cada detalhe desta narrativa sensorial de quase 2h30 de filme. Mesclando com a belíssima e bem colocada trilha de Eddie Vedder e a fotografia inspiradora de Eric Gautier, Na Natureza Selvagem funciona quase como uma epifania na primeira metade do filme. Faz a gente viver junto com Chris cada sensação, cada sorriso, até percebemos que apesar dele parecer tão certo indo ao encontro da natureza, reflete em nós o medo do jovem ao perceber que está sozinho, incapaz de compartilhar qualquer coisa. Ron fala sobre  perdão, sobre o amor. Chris rebate sustentado pelos milhares de autores lidos, citados durante o filme todo, para justificar os pensamentos do jovem.

Emile Hirsch é o que reforça mais ainda a qualidade do filme, se entregando completamente ao personagem. Todas as cenas não foram feitas por dublês, mas pelo próprio Hirsch que perdeu 18 kg para poder interpretar a parte em que Alex agoniza de fome no Alasca. Além disso, ele traz ainda ao personagem um carisma, capaz de cativar todas as outras pessoas que ele cruzava no seu caminho até o Alasca. Sempre disposto a ouvir o que os outros tem a dizer ou aprender coisas novas, ao mesmo tempo em que parecia um jovem louco – queimando dinheiro foi o top – também apresentava sensibilidade com as pessoas. Claro, até o ponto em que os laços afetivos se formam. Aí já é hora de levantar o acampamento…

Baseado em fatos reais (e no livro de  Jon Krakauer, lançado em 1997), não há dramatização barata, ou toda a forçação de barra Hollywoodiana para fazer espectador chorar. Há quem julgue as ações do jovem Chris, e apesar da história toda mostrar dois lados da mesma moeda, passíveis de tantas indagações e pontos de vista a respeito dos erros e acertos do rapaz, o filme é uma poesia visual, reflexiva e sensível, por mais selvagem que seja o assunto abordado.