Kung Fu Kid (2010)

“Dre, you taught me very important lesson: Life will knock us down, but we can choose whether or not to stand back up.”

O remake de Karate Kid surgiu com a proposta de fazer o filme melhor. Sem a fraca atuação de Ralph Macchio e com golpes e formas reais.

Aparentemente parece que a nova versão é melhor sob muitos aspectos: Jaden Smith tem grande potencial. O garoto faz ótimas caras, possui uma boa atuação e convence mais do que Daniel San. As coreografias de lutas, são perfeitas, botando o original no chinelo, de fato. Desta vez, além da trama se passar em cima de outra arte marcial, as lutas são mais convincentes, deixando de lado as partes filosóficas e conceituais do Kung Fu, o que não ocorreu no original com o Karate de Daniel San. E isso foi inteligentíssimo para um remake. Afinal, mostrar a parte prática e mais ação no filme, é muito mais interessante, não? Pro grande público, sim.

Entretanto, de um ponto de vista de roteiro pecaram em demais aspectos. Quando falo roteiro, não me refiro somente a história. Até porque, o próprio Karate Kid original possuía um roteiro fraco, e o remake por ser um remake, deveria mantê-lo mesmo assim. Ou seja, quando digo que há erros no roteiro, é sim, comparando os dois filmes.

O primeiro aspecto falho é que no original a história se passa na Califórnia. Ou seja, é natural encontrar academias com ocidentais pregando uma filosofia que não pertence as artes marciais: “Sem misericórdia!”.

Entretanto, neste remake a história se passa na própria China. Não parece haver sentido esta filosofia aplicada lá. De qualquer forma, é muito provável que consideraram isso, pois após a cena do “show no mercy” começa a ter consertos disso. Sr.Han (Jackie Chan) cita a frase do Sr. Miyagi: “Não há maus alunos, só maus professores”. E com o desenrolar do filme, você percebe que o único sem noção lá era o professor (ok, perdoável mesmo inconsistente), pois os próprios alunos “do mal” saúdam o mestre interpretado por Jackie Chan depois. Este por sua vez, não convence como um oriental. Jackie Chan é hollywoodiano demais, exala americanismo, mesmo com os olhinhos puxados. O personagem Mr. Han é fraco e embora sua atuação seja mais honrada do que nas comédias toscas que ele faz, não convence enquanto um Sr. Miyagi. A cena da sua choradeira no carro é deprimente.

Pois bem, segundo aspecto falho: Dre Parker (Jaden Smith) tem no filme 12 anos de idade. Muito novinho pra sair apanhando e batendo daquele jeito por aí né? Mas, independente disso, me diz qual é o torneio na China daquele porte que tem crianças lutando daquela forma? Vou enviar meus sobrinhos pra lá então, porque os pestinhas tão precisando!

Terceiro e último aspecto falho notado por mim: Gente, eu sei que é filminho feliz, que tem que terminar bonito, e forçado, igual no original. Mas, ocorre que no original, Daniel San já lutava, mesmo que toscamente um Karate for dummies… No remake, mostra apenas uma cena de Dre lutando acompanhando pela TV (Karate mesmo, não Kung Fu) e ocorre que no torneio o moleque se torna um Jedi dando golpes e vencendo de chineisinhos que treinam a arte marcial desde quando usavam fraldas! Mágico não?

No karate Kid original, Daniel San ganha por sua simplicidade e concentração. Por mais forçado que soa ainda assim aquele final, pode-se concluir que não basta força e agilidade no karate e sim elementos de equilíbrio e auto controle espiritual. Muitíssimo exemplificado por Sr. Miyagi. Já no remake, o filme tentou, mas não tem muito este apelo, considerando mais o “pau comendo solto mesmo”. O que é bonito de se ver né? Contudo, Dre não ganhou nem por concentração nem por simplicidade. Ele baixou um cosmo de pégasus e por isso ganhou o torneio… só pode.

Mas no geral, o filme é um bom entretenimento sobretudo nas próprias partes de luta. Merece algumas estrelinhas.

E não querendo ser redundante mas, SE O FILME É SOBRE KUNG FU, PORQUE DIABOS O NOME KARATE KID???

Tá, eu sei essa resposta (Deus abençoe as grandes bilheterias porque Hollywood sobrevive somente disso agora). Mas, se o diretor tivesse me perguntando antes eu diria: Faça um “Karate Kid 5: Kung Fu Kid” seria mais digerível pra pessoas inconformadas com essa história que nem eu…

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