Amor e Outras Drogas (2010)

“I’ve never known anyone who actually believe that I was enough until I met you. And then you made me believe it too”.

Certos filmes me fazem lembrar o porque que amo cinema. Mais do que analisarmos sobre a técnica, fotografia, atuação ou roteiro. Sou uma mera blogueira que escreve sobre o que gosto, não tenho um estrito objetivo de profissionalizar isso. O ponto delicado disso, é que corro o risco de ser pessoal demais em certas resenhas. Mas, voltando na linha de raciocínio do começo, certos filmes soam importantes e profundamente belos pra gente, por que além de nos desligarmos de nossas vidas, nos conectando numa outra (mesmo que fictícia), nós podemos por vezes se identificar com algum personagem. E desta forma, o filme pode até ser um filme comum, mas faz toda diferença pra você. Considero então que os gostos por determinados filmes são únicos variáveis e relativos conforme nossa percepção e padrão de vida.

Amor e Outras Drogas se passa na década de 90 (1996) e conta sobre um Don Juan que pega tudo quanto é ser que usa calcinha (ou não). Após ser demitido como vendedor de aparelhos eletrônicos, e sendo um pouco influenciado pela família que é da indústria farmacêutica, ele resolve se tornar representante da Pfizer, mais precisamente de um remédio que é uma espécie de concorrente do Prozac. O Don Juan é Jamie (Jake Gyllenhaal) perfeito para o papel, pela característica carimbada de olhar sedutor, risadinhas de deboche e com doses controladas de cinismo. Numa de suas insistentes idas ao médico ele conhece Maggie (Anne Hathaway) que com 26 anos tem Mal de Parkinson, e vive sozinha em seu apartamento, e apesar de sua extrema simpatia e reciprocidade com os homens, tenta não se relacionar a fundo com ninguém acreditando que sua doença seja um fator impactante numa vida amorosa.

Não é necessariamente uma Comédia Romântica. Definir este filme como uma Comédia Romântica é menosprezar sua linguagem e o conceito mais estruturado por trás do roteiro. Contudo, não é tão somente um filme de Comédia Dramática, uma vez que apesar do drama estar lá (principalmente da metade para o fim) há romance e há cenas muitíssimo engraçadas. As cenas hilárias do começo chegam a forçar um pouco, dando a impressão de que o filme será outro besteirol estrelado por Adam Sandler e Drew Barrymore. Na medida que a história vai sendo conduzida, as cenas engraçadas possuem mais sentido, o carisma entre os personagens vai ser formando assim como o compreendimento de toda a história.

E por falar em carisma dos personagens, as cenas picantes de Gyllenhaal com Hathaway ultrapassam e muito o status de comédia romântica. Ambos possuem uma química entre si forte que facilmente passa isso para quem assiste. Estão em perfeita sintonia não sendo necessário aqui destacar o quanto os dois possuem uma atuação excelente.

E então, Jamie, o cara que não se prendia a mulher nenhuma, acaba se apaixonando por Maggie e com isso, o receio de como seria uma vida ao lado de uma pessoa com Parkinson começa a ser considerado por ele. Maggie, a garota que não queria envolvimentos por sua vez, acaba se apaixonando por Jamie, e apesar deste desempenho inevitável do filme, há peculiaridades que nos tocam intercalados por algumas cenas cômicas.

O final não sai do clichê, nem por isso perde pontos por conta deste fator. Afinal, a gente espera pelo clichê mesmo. Qualquer coisa diferente daquilo que esperamos pode resultar em algo desagradável, como acontece com outros filmes demasiado dramáticos. Como destaque fica a atuação de todo o elenco, principalmente o casal protagonista, e também do personagem de Josh Gad, que interpreta Josh, irmão de Jamie. Josh faz um gordinho geek, e é responsável pela maioria das cenas engraçadas. Outro destaque se dá para a trilha sonora, cheio de canções já conhecidas que casam perfeitamente para cada momento em que são tocadas no filme, como The Kinks, Spin Doctors e ainda a (fofíssima) Regina Spektor que também se faz presente na trilha de (500) Dias com Ela.

O filme conta com cenas marcantes como Jamie passando mal para dizer “Eu Te Amo” ou mesmo a convenção de pessoas com Mal de Parkinson e Maggie animada após assistir a convenção. O sarcasmo e humor negro destas pessoas me fez lembrar a capacidade que algumas pessoas tem de rir das próprias desgraças e ser feliz, seguir adiante, encarando seja lá o que se tem. Jamie receia um futuro com Maggie, por conta do que a doença pode trazer para ele de desconforto. Busca de toda forma a cura para uma doença que não tem cura. [COMEÇA SPOILER] Até que se chega num ponto onde ele diz que pode carregar Maggie quando esta não puder mais andar. E que se em outro Universo Paralelo houvesse um casal como eles, porem perfeitos, não teria a mesma graça. [TERMINA SPOILER] Está aí um final que apesar de manter padrões de clichê, não nos ausenta de tamanha sensibilidade e fundamento.  Não é um filme que mereça tamanho destaque. Contudo, eu – A Natalia blogueira – boto na minha cabeceira, e limito-me aqui de dar-lhes uma razão plausível para isso. É apenas gosto pessoal, se me permitem =)

Entre irmãos (2009)

“I don’t know who said ‘only the dead have seen the end of war’. I have seen the end of war. The question is: can I live again?”

Versão americana do filme homonimo dinamarquês de 2004.   Complicado dizer qual seria o melhor, não assisti a versão original, mas vou analisar sobre o prisma hollywoodiano somente, sem fazer relações ok?

Ao fim do filme, e numa breve retrospectiva que sua sinapse gera, a primeira coisa que pode passar na sua cabeça é: E…?

Três bons bons atores protagonizam a história: Jake Gyllenhaal – como o irmão ovelha negra  Tommy, Tobey Maguire como capitão Cahill, se esforçando para mostrar que é mais do que um EmoSpiderMan (não provou nem surtando no final), e Natalie portman, no meio dos dois cuecas, fazendo o papel de Grace, esposa do capitão.

A história é tão óbvia, tão já usada, que você assiste o filme só esperando que ocorra algo de diferente: Tommy volta da prisão, e o Capitão Cahill vai para o Afeganistão com o exército. É capturado e logo, Grace recebe a notícia de que o marido está morto. Pode-se considerar que o interessante, é que apesar de Grace dar apenas um beijo no irmão de Cahill, nada mais acontece, porém quando Cahill volta para a casa, sendo resgatado (num digaaa!) ele tem a absoluta certeza de que é duplamente traido (irmão e esposa). Achei interessante isso, é a unica coisa que o filme consegue mudar de todo o resto que já existe: a neura psicológica de que deve ter ocorrido algo mais, sem ter ocorrido. Além disso você tem a visão de como a guerra é capaz de mudar o pensamento e o comportamento das pessoas.


A outra coisa legal do filme, é que resgatam ‘Bad’ do U2, um clássico dos anos 80, e ainda no fim,há uma música tema, também do u2 (belíssima ‘Winter’).

Uma pena que existam mais de 300 filmes com a mesma temática, fazendo deste pouco inovador e até vazio. As cenas que mostram Cahill capturado, paralelo com o clima bom de sua familia com Tommy dá uma pequena agitaçãozinha na trama e o filme não fica tão parado. Mas é deprimente… Você vê mais uma vez os Estados Unidos como bonzinhos inofensivos que lutam pela pátria enquanto todo o resto do mundo são ruins, malvados e sem coração. Super conveniente como sempre… E a cena que mostra Cahill sentando o cano nas costelas do companheiro serve para dramatizar ainda mais a situação e ter mais tristeza ainda… eu como sou sangue frio, notei este apelo de inicio, e não me comovi muito com a cena…

Gosto da atuação de Tommy (Gyllenhaal), ele é debochado, sarcástico e não tá nem aí pra nada, como na maioria dos filmes que assisti com ele. Já Cahill (Maguire) chega até a impactar com o olhar de um traumatizado pela guerra. Mas pra mim, ele sempre será o Spider Pig Man.

Assista o filme quando você estiver num período ocioso, talvez desempregado e com muito tempo para gastar… No mais, opte por Pearl Harbor…

Príncipe da Pérsia – As areias do tempo (2010)

“Difficult, not impossible.”

Ok, vamos combinar uma coisa inicial: se o filme é com Ben Kingsley, então ele é foda. Bom, nem sempre…

Mas, vamos seguir a regra lógica de uma resenha…

Sim, há umas viagens do príncipe Dastan (Jake Gyllenhaal – Meu Donnie Darko always ♥) fazendo piruetas, o que achei válido e que tornou o filme mais bacana ainda, trazendo uma referência forte do game, o que o espectador/jogador nota logo no comecinho. Você já dá aquele “Ohhhh!”, chega até a ser nostálgico.

Tá, a história do filme não é nada que você diz “puxa que coisa mais original!”, mesmo assim, ele corresponde bem ao seu estilo, traz muita aventura e ação (uma guerra logo no começo, demais!) e apesar do final ser de certo ponto algo previsível, ele não deixa de ter seu ar de final interessante.

Toda a trama gira em torno de uma adaguinha mágica que carrega as areias do tempo, e que é preciso que seja protegida de mãos erradas, se não o mundo todo cairá em ruínas (já vi esse filme antes…). Nem por isso eu tiro uma estrelinha do filme. É necessário considerar sua origem, bem como  sua missão bem executada, de mesclar todos os elementos de uma boa e bem feita aventura. Aliás, eu já fiquei satisfeita, do fato que por Dastan ser um filho adotado e bem aceito e respeitado pelos irmãos que não são de sangue, ele já quebrou uma boa padronagem chatíssima de filmes assim (sabe, o pobrezinho adotado que sempre se ferra e os irmãos desprezam? pois é.).

Os efeitos são fabulosos, dando destaque pra cena da areia, onde Dastan sai dando uma surfada boa…

O diretor, Mike Newell, é o mesmo que fez Harry Potter e o Cálice de Fogo, e mais recentemente O amor nos tempos da Cólera. No fim, ele mostra que manda bem pra filmes no estilo de Prince of Persia (tenho dificuldades sólidas de falar o título em português, graças as fortes referências “nintendísticas”), e ele conseguiu fazer um filme originado dos games uma idéia boa, e não uma idéia infeliz como tem em muittoooos filmes provenientes da décima arte. Aliás, as referêcias visuais são contrastantes, principalmente no figurino.

Não conhecia a atriz Gemma Arterton (que interpreta a princesa Tamina) mas, ela também representa bem o papel. Quanto ao Ben Kingsley… melhor não comentar, evitando assim spoilers inconvenientes… limito-me a dizer que ele é uma das maiores facetas cinematográficas que a atualidade possui. Já Jake Gyllenhaal está insuperável no papel do príncipe, ele combinou perfeitamente com o personagem, com um sorrisinho cínico característico.

Não há nenhum momento do filme que fica enfadonho ou parado demais. Toda a trama te prende de uma forma inperceptível, traz um roteiro simples, numa ficção interessante, toques cômicos (como toda aventura) ainda mais acentuados com a presença de Alfred Molina (óia só, quanto tempo!) .

E no fim, ainda tem a belíssima  “I Remain”  da Alanis Morissette, feita especialmente para o filme (incontestável até se não fosse).

De fato, não é um filme que você desce os degraus do cinema, amassando o pacote de pipoca com uma frustração notável.