A ausência de Burton

Não diria talvez “a ausência do ‘verdadeiro’ Burton”. Verdadeiro pode ser relativo…Podemos definir como “o talentoso” Burton, ou o Burton que nos deu grandes filmes. Mas, alto lá você que começa a ler este texto! Este não é sobretudo um post que fala o quão Tim Burton tem errado nos filmes, ou o quão o diretor caiu na mão do mainstream, ou o quanto eu gosto ou desgosto do diretor. Antes de alimentarmos discórdia talvez por incompatibilidade de opniões em excesso, deixe-me esclarecer que até alguns anos atrás, Tim Burton era mais que um grande diretor para mim. Era um ícone que eu tinha como referências para muitas coisas, da mesma forma em que o diretor utiliza o Expressionismo Alemão ou Edgar Allan Poe para suas referências. Se falo aqui um texto demasiado polêmico, falo como uma pessoa que admira o trabalho do diretor e questiona certos trabalhos dele, bem como sua posição atual, e não engulo a máxima de que Burton é a perfeição do cinema, seja fazendo um Edward Mãos de Tesoura ou um Alice no País das Maravilhas. Eu, Natália, comparo sim, e eu Natália, sendo fã de Tim Burton, não nego que este último filme é um verdadeiro lixo. E sim, vou exorcizar meus demônios neste post, agora…

O primeiro Stop Motion de Burton, foi um curta metragem de 82, intitulado de Vincent, um garoto que desejava ser como Vincent Price. Curto, porém super conceitual, a animação narrava pelo próprio Price um poema de autoria de Burton sobre suas dores soturnas e seus desejos oriundos de uma mente carregada de dramas e crises existenciais. Alí, você já vê os primeiros detalhes gráficos e elementos visuais que caracterizam a identidade visual da maioria dos trabalhos do diretor: Objetos irregulares, nomes de personagens esquisitos, escalas de cinza, olhos grandes e expressivos com olheiras porém dotado de um carisma formidável.

Não demorou muito para Tim ser conhecido, ainda na mesma década, Beetlejuice e Batman enfatizam bem sua estética de tal modo que com o Stop Motion de 93, O Estranho Mundo de Jack, dirigido por Henry Selleck até hoje é confundido por leigos que acreditam ser do próprio Burton a direção por apresentar os padrões de bizarrice e carismas iguais.

Contudo, se é para falarmos de obra prima, ou melhor dizendo, se é para citarmos um fundamento, muito mais do que simplesmente composições visuais (até porque é provado que nós amantes de cinema não nos alimentamos só disso) nós temos um dos melhors filmes de Tim Burton, se não um dos melhores filmes já feitos, o clássico e apaixonante Edward Mãos de Tesoura. Aqui Burton faz valer que forma e função andam juntos, dando um sentido muito maior do que o bonito para o contraste do colorido saturado da vizinhança com a figura monocromática e gótica de Edward. Contudo, apesar da bizarrice esdrúxula, Edward tem um bom coração. Aliás, um coração muito maior do que os demais “coloridos”da região. Edward é um filme que traz uma história atemporal, ultrapassando etnias, tempo, cultura. É sobre você ser diferente. E até então, Tim Burton era um deles. E o melhor de tudo é que as poucos, podemos saborear um Burton que mostrava seu talento não somente para o soturno mórbido. Havia bizarrices nas fantasias, nos sonhos, e na nossa capacidade de imaginar. É aí que Peixe Grande se encaixa.

Enfim, a carreira de Tim foi marcada com muito altos e baixos em suas três décadas de atuação. Mas, afinal, porque não perdoarmos quando um diretor comete erros, não? Muitos outros diretores já passaram por empreitadas infelizes, nem por isso foi-lhes tirado o mérito como bons profissionais que são. Mas, vamos com calma… Minha indagação consiste mais no que passa pela cabeça do grande Burton atualmente, do qua na dúvida sobre irá ele errar ou não o próximo. Afinal, isso nada mais é do que consequencia da primeira questão…

Sweeney Todd foi um bom filme. Não precisou muito esforço na parte conceitual considerando que o filme é um remake de um mal feito antigo e também de uma ópera do mesmo nome. Toda a dramatização do longa já estava lá. O toque final de Burton foi adequar novamente sua estética para o filme, acentuando aqui e ali destaques peculiares, seja no contraste vermelhão do sangue com os tons frios de toda a cena, seja no cômico episódio de Depp com roupas de banho a la Beetlejuice. E ao meu ver, ele acertou muito bem, considero Sweeney Todd, seu último melhor filme, embora ele não carregue um sentido tão profundo quanto Peixe Grande ou Edward.

Mas foi a partir daí quando Tim voltou com tudo para a Disney que o negócio começou a feder. Nada contra a Disney, mas a fantasia da Disney com a fantasia de Burton não se convergem: o resultado disso é uma história boba carregada de uma fotografia e uma “carcaça visual” tão rica em detalhes e imagens que Burton passa a atrair mais as crianças dos olhos brilhantes, que os amantes de suas histórias estapafúrdias.  Foi o que aconteceu com Alice no País das Maravilhas: o Mainstream caiu matando, ficou aquele vuco vuco todo, com todo mundo aguardando fervorosamente a estréia (inclusive eu) e como em muitos outros casos em que alimentamos muita expectativa, veio uma enorme decepção. Aliás, quando me refiro a uma “história boba”, não me refiro ao clássico irretocável de  Lewis Carroll, e sim ao roteiro mal conduzido e com final xoxo desta adaptação, onde nem os personagens por mais talentosos que sejam conseguem fazer milagres. Você via os coloridos fortes de Edward mãos de Tesoura, você via a música trevosa de Danny Elfman, a brilhante Helena Bonham-Carter, os trejeitos carismáticos de Johnny Depp. De resto, era só um vazio. Você não via Burton ali, porque bichinhos bizarros e coloridos, você pode ver em “Avatar” se sentir necessidade, o que queriamos ver de Burton era muito mais além da imagem.

E com a estréia de Alice, eu senti um luto muito diferente do que nos filmes infelizes do diretor. Porque daí em diante surgiam boatos cada vez mais ridículos como “remake de A Familia Addams”ou a “versão trevosa da bruxa Malévola”. Taí a Disney querendo botar pra f*** e acabar de vez com Burton. Afinal, que coisa chata é essa de dar um toque “buuu” para todos os filmes porque a galera se encanta? Que coisa chata é essa de remake em stop motion de A Familia Addams se a própria história já possui bizarrice por si só numa comédia que chega a ser única? Burton parece estar sobrevivendo de estética batida, seus atores fixos, seu fiel Elfman e suas redundâncias que dessa vez, não constam fundamentos mais. E redundâncias sem fundamentos não tem graça. Seja uma bela composição de Burton, um belo arranjo musical de Dany Elfman, uma perfeita atuação de Helena como quase sempre, sem conceito Burton, a gente enjoa dos seus bichinhos psicodélicos, e a gente lamenta a qualidade que foi deixada lá trás, e reavivemos Edward Mãos de Tesoura assim como reavivemos qualquer outro filme magnífico cujo diretor deixou de produzir novas peças após isso.

E perdoem-me o drama que fiz nesse texto todo, mas enfim. Haverá outra peça rara de Burton daqui pra frente? Vocês acreditam nisso?

Anúncios

Mary & Max (2009)

“Max hoped Mary would write again. He’d always wanted a friend. A friend that wasn’t invisible, a pet or rubber figurine.”

Animação em Stop Motion, dirigido e escrito por Adam Elliot, o longa traz a todo instante mensagens subjetivas porém claras do que se mostra em cena e do que é informado pela narração de um jeito ingênuo e até mesmo cômico. Mas, muito pelo contrário do que se possa imaginar, apesar das doces pitadas engraçadinhas da animação, você não compara ele com nenhum outro longa animado que já viu. Seria um longa cult, Lado B, que dentro do gênero em que está inserido, não há nada que se compara. De qualquer forma, o foco é outro. Mary & Max não é pra criança ver…

Mary Dinkle, é uma garotinha de 8 anos que vive na Austrália e não tem amigos. Tem seu pai que trabalha numa fábrica colocando cordinhas nos chás, e sua mãe depressiva e alcoólatra que praticamente não liga pra garota.  Pra ela, as crianças nascem das canecas de cerveja (história contada pelo seu avô). Certo dia, no Correio, Mary tem a idéia de escrever para alguém em Nova York para perguntar como que os bebês nascem na América. E eis que ela acaba pegando o contato do Novaiorquino de 44 anos, Max Jerry Horowitz. Por coincidência, um ser solitário, sem amigos, apenas com bichos de estimação e Sr. Ravioli, um amigo imaginário.

“Do you have a favourite-sounding word? My top-five are ‘ointment,’ ‘bumblebee,’ ‘Vladivostok,’ ‘banana,’ and ‘testicle.'”

Na época em que se passa a história (baseada em fatos reais) era muito comum ter amigos virtuais através de cartas e correspondências. Mary enviava chocolates para Max, e aqui temos um detalhe curioso que é o que chama mais atenção no longa, além do toque melancólico: Mary vive numa Austrália em sépia, com tons marrons e bege. Max, vive numa Nova York cinza, sem alguma saturação. É quase um cenário do Expressionismo Alemão, com variações de luz, porém sem as irregularidades das formas, como num cenário de O Gabinete do Dr. Caligari. Contudo, impossível negar as referências cinematográficas. E tudo isso dá um ar mais dramático e expressivo ainda, atrelado com a trilha sonora e toda linguagem da animação. E o ponto interessante aí, é que todas as coisas de Mary que chegavam a Max tinham cores, mesmo que sejam os tons amarelados e amarronzados. Max acaba de certo modo “colorindo” um pouco sua vida com a amizade única de Mary, e em elementos como o gorrinho vermelho que ele ganha, você consegue observar isso. Elliot comentou numa entrevista que destacou elementos em vermelho nos dois lugares, num minimalismo que possa dar um toque especial nos detalhes, ressaltando coisas simples. Nós concluimos do ponto de vista gráfico, que a composição visual de Mary & Max, bem como os detalhes de cenário foram muito bem elaborados, considerando um Stop Motion em argila.

Durante todo filme, tanto pela narração quanto pelas cartas dos personagens cativantes, há uma ingenuidade carismática. A inocência das conclusões ou dos achismos de Mary ou de Max, dá um ar cômico para o longa e é por isso também que você consegue se prender a história, de uma forma em que você assistiria por horas e horas as trocas de cartas dos dois. Sem ações, efeitos, aventura ou tensões. Tudo deliciosamente monótono.

A estética dos personagens é bem trabalhada, mesmo que com simplicidade. Há poucas firulas ou gráficos elaborados. Os personagens são simples, feito em massinha, porém com características essenciais que dá toda a interpretação de seus estilos. Além disso, o cenário é rico em detalhes e gráfico, mesmo que monocromático.

“He smelled like licorice and old books, she thought to herself, as tears rolled from her eyes, the color of muddy puddles.”

No geral, o filme todo faz você mergulhar numa história repleta de analogias, comparações e até mesmo de reflexões de forma simplificada sobre as coisas. O valor da amizade, e o esforço do outro em fazer você se sentir bem, como as lágrimas enviadas por Mary, a Lata de Leite Condensado e uma mensagem de perdão, ou um coração de chocolate com a frase: “Ame sobretudo a si mesmo.” E finaliza com a bela mensagem de Ethel Mumford:

“Deus nos dá familiares. Ainda bem que podemos escolher nossos amigos”.

Top 10 Personagens de Tim Burton

Saudações!

Quem me conhece, sabe que Tim Burton é o meu diretor número 1. Não que não houvesse melhor, evidente. Há diversos bons diretores, responsáveis por filmes inesquecíveis, e seria um tanto quanto exagerado julgar o Burton ser o melhor de todos.

Mas o que faz eu ter essa admiração, é não só a identificação que tenho com seu estilo esdrúxulo, bizarro ao mesmo tempo carismático, mas como também a linguagem visual que ele domina em praticamente todos seus trabalhos.

Apesar do fracassado roteiro de Alice (que tem uma composição visual perfeita), muitos filmes dirigidos ou produzidos por Burton, traz um personagem cativante, não só por suas esquisitices como também pela mensagem que é passado através destes.

Então aqui vai a minha lista dos 10 melhores personagens de Burton. Créditos não somente para Burton, mas para o ator-atriz que representou cada um, de uma maneira peculiar…

Então, vamos lá!

10 – Victor Van Dort – A Noiva Cadáver (2005)

“With this candle… I will set your mother on fire.”

Victor é um personagem meio banana, mas faz parte de sua característica cativante.

Me faz lembrar muito Ichabod, de Sleepy Hollow (outro banana). De qualquer forma, ele é engraçado ao mesmo tempo que é atrapalhado.

Ao contrário do que podemos imaginar, os bonecos não são feitos de massinha neste Stop Motion. São bonequinhos mesmo, muito bem feito por sinal, e eu me atrevo a dizer que apesar de elementos de um personagem deste estilo onde possui características físicas que são exageradas para dar ênfase e um ar mais cartoon (como os olhos gigantes de todos), Victor parece um Vincent crescido (Falarei de Vincent mais adiante).

Não é bem o meu personagem preferido, mas tem lá seu charme, o que explica sua colocação…

09 – Red Queen – Alice no País das Maravilhas  (2010)

“Off with their heads!”

Em minha singela opinião, nenhum personagem de Alice é tããooo cativante. E isso não é culpa dos personagens, considerando o talento contrastante de Helena e Depp (nada a declarar daquela loirinha protagonista). Eu acho que o problema tá na história…

Mas voltando ao foco, A Rainha Vermelha é um dos melhores personagens não só pelo temperamento forte que ela passa, como a própria composição visual do personagem: Praticamente um cartoon, sem ser. Figurinha exótica, cabeçuda, nanica malvada e meio fútil. Adorei ela, e se não fosse por Helena Bonham-Carter não haveria mais ninguém capaz de representar este papel. A atriz domina.

08 – Jack Skellington – O Estranho Mundo de Jack  (1993)

“And I, *Jack*, the *Pumpkin King*, grow tired of the same old thing.”

Uma pena que muitos vejam O Estranho Mundo de Jack como um filme de Burton e quando descobrem que ele é o produtor somente, fica por isso mesmo. A realidade é que Henry Selick é tão genial quanto Burton no quesito bizarrice. Se Coraline tivesse uma relação com Burton, colocaria ela aqui na lista também…

Adoro este Stop Motion porque ele tem um ar diferente dos demais atuais que assistimos. Os personagens tem um andar meio tosco, que o mais incrível é que combinam com eles e com a animação.

Jack é um personagem bem desenhado: Pernas gigantes e fininhas, terninho finesse de risca de giz, gola de morcego, cabeça de abóbora, boca rasgada, buracos pretos no lugar de olhos, enfim, tantos elementos pitorescos e no entanto, dotado de um carisma do começo ao fim.

07 – Ichabod Crane – A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça (1999)

“I see…”

Taí o meu personagem banana preferido!

E Johnny Depp foi mestre para representar este. Os espasmos, gagueira, enfim a crise de medo e até mesmo suas expressões tentando ser convincente a respeito de sua coragem. No fim ele acaba sendo, coisa previsível, mas de qualquer forma, durante o filme, todo cenas com ele dando uma de espertão ou desmaiando por causa da aranha são algumas das partes legais… fora as engenhocas e apetrechos de exames que ele utiliza…

06 – Coringa – Batman  (1989)

“Haven’t you ever heard of the healing power of laughter?”

Foi Heath Ledger o responsável por tirar o trófeu Jóinha de melhor Coringa das mãos de  Jack Nicholson…  O ator é bom em muitíssimos filmes, e convenhamos, como Coringa também. Mas, eu devo admitir que Ledger levou a melhor. Ele conseguiu ser mais louco, mais insano, mais ruim, mórbido, sarcástico, irônico… opa! Estávamos falando de Nicholson como Coringa né?  Deixemos o Ledger para um post especial depois então =)

As risadas dementes, e expressões assustadoras, faz o Coringa sempre dar um destaque. Sem dúvida, um dos melhores vilões dos HQ´s…

Bom, não tem mais o que falar… Jack Nicholson é foda… Mas não mais como Coringa… (eu tentei).

05 – Beetlejuice – Os fantasmas se divertem (1988)

“I’m a ghost with the most, babe.”

Fato é que o BeetleJuice do desenho é mais charmoso e até menos encardido. Eu tinha medo desse Beetlejuice representado por Michael Keaton, mas até que deu certo a atuação.

Aliás, Keaton (que deve estar numa fase ruim) até deu umas indiretas diretas querendo uma continuação do filme. Eu particularmente morro de medo de continuações ou remake… Muito perigoso e em alguns casos, o resultado sai um desastre e prejudica até o que poderia ser eterno. Mas, enfim… a gente aguarda maiores detalhes né? Só acho que o ator tá meio idoso pra ser novamente o Besouro Suco…

 

04 – Vincent- Vincent (1982)

“His voice was soft and very slow,  As he quoted The Raven from Edgar Allan Poe, ‘And my soul from out that shadow that lies floating on the floor, Shall be lifted – Nevermore!'”

Trágico, apaixonante,  com referências claras de Expressionismo Alemão! Vincent consegue ser cativante em 6 minutos!

Primeiro Stop Motion de Burton, um curta de 1982 onde é narrado pelo “deus ” Vincent Price (Inventor de Edward, voz da intro de “The Number of the Beast” do Iron Maiden, sim ele mesmo!) a história de um garoto chamado Vincent Malloy que sonha ser Vincent Price.  A narração é uma espécie de poema feito pelo próprio Burton, e é como se fosse um curta auto-biográfico até… Existe uma dramatização ao mesmo tempo que é meigo nessa animação. Pura essência de Tim Burton!

 

03 – Ed Bloom – Peixe Grande (2003)

There are some fish that cannot be caught. It’s not that they are faster or stronger than other fish, they’re just touched by something extra.

Tanto o jovem Ed (Ewan McGregor) quanto o mais velho (Albert Finney) trazem para o personagem um rosto sonhador, uma mente que viaja na imaginação e por mais que seja criticado por isso, não desiste nunca. Peixe Grande é uma linda relação que envolve a imaginação em contar histórias daquelas que todo mundo diz ser “histórias de pescador” (o nome seria então uma metáfora bem bolada, certo?) e na descrença que as pessoas tem disto tudo. Ou mesmo de sonhar… é o caso do filho de Ed que passa todo o início num ceticismo e numa ausência de tolerância para o que não parece real.

As cores fortes e saturadas deste filme, principalmente na cena das flores, é uma característica que adoro ver nos filmes de Burton. Em alguns casos, elas transmitem um conceito esmagador (veja em Edward…).

Ed Bloom é um personagem que sonha do começo ao fim. Há quem diga que ele minta, contando histórias que não existem. Mas, há quem diga que ele dá esperança. Qual seria sua opinião sobre Ed Bloom?

 

 

02 – Todd – Sweeney Todd – O Barbeiro demoníaco da Rua Fleet (2007)


“♫ I will have vengeance. I will have salvation… Who, sir? You sir!No one’s in the chair. Come on, come on! Sweeney’s waiting. I want you bleeders. ♪”

 

Baseado na ópera homônima, Sweeney Todd é meu preferido de Burton. A melhor das fotografias, e isso é puro gosto pessoal, mas simplesmente amo o tom gélido do filme inteiro com aquele sangue 100% escarlate contrastando tudo! Parece uma pura neura de designer, mas na realidade esses detalhes visuais fazem todo o sentido e transmite toda a idéia.

E o personagem… Olhe para ele. Seu olhar trasmite exatamente o que se pretende e o que conta na história:  raiva, vingança, rancor. É assim o filme todo e no fim, uma ruptura: Você vê nos olhos de Sweeney angústia e amor! (OhhhH!).  Apesar de tudo, ele carrega uma essência cômica que Depp é mestre em fazer principalmente em parceria com Tim. Destaque pra cena de Todd na praia com aquele Maiô Beetlejuice… demais!

 

 

01 – Edward – Edward, mãos de tesoura (1990)


“Kevin, you wanna play scissors, paper, stone again?”

 

Quem consegue assistir este filme sem amar Edward? Ou sem sentir pena, e compaixão por uma figura tão cavernosa e doce ao mesmo tempo?

Pra mim, é uma obra prima que Burton conseguiu criar. E, vamos falar de contraste de novo…

Tudo é puro colorido, o bairro todo… e só Edward é a figura negra cheia de metais. Essa é uma analogia na verdade de tudo aquilo que foge do padrão normal que não se adequa a todas as cores e é visto como sombrio. Edward é a personificação da esquisitice humana que pode ser amada por uns, desprezada ou injustiçada por outros. E quão não é o sentimento de repulsa à injustiça em que Edward sofre. Mas eu lhes digo: Vi muita gente ser injustiçada pelo o que é… E muita gente que achou o filme bonitinho, não consegue ver que possui comportamentos similares ao de Jim com alguma figurinha estranha do passado… (seria meu trauma de nerds anti-social dos anos 80 aflorando o.O?).

Sairemos então do lado pessoal. Edward se fode no filme todo, desde o começo quando seu inventor morre antes de finalizá-lo. Mesmo na cena em que ele se revolta, ele ainda sim é cativante. Mas ainda sim, infeliz…