Edward Mãos de Tesoura (1990)

“Kevin, you wanna play scissors, paper, stone again?”

Se há um exemplo cinematográfico claro sobre forma e conteúdo, função e estética, atribuimos este filme como um dos principais. Gravado num bairro pacato da Flórida, Burton (que estartou sua fama a partir deste filme, junto com Depp) pintou todas as casas com cores vivas e saturadas. O personagem principal era uma figura sombria, com a pele branca roupas escuras. Quase uma junção de Caligari com The Cure.

Através deste contraste metafórico entre o sombrio e o colorido vivo, se contava a história do Estranho VS Socieadade Comum. Todos eram iguais exceto Edward, uma invenção não finalizada com suas mãos de tesoura que tornava-o incapaz de tocar qualquer coisa sem ferir. E a graça toda do filme: Era Edward o mocinho de coração puro. E todo o “mundo colorido” os grandes vilões…

Considerado um dos melhores trabalhos de Burton (na verdade, o melhor), Edward traz um roteiro diferente, ao mesmo tempo que simples, soando quase como uma fábula triste sobre uma figura que buscava a aceitação de todos. É uma alusão nítida sobre preconceitos através da imagem. Vemos no personagem uma inocência que a princípio parece não condizer com suas características. Edward é a personificação da esquisitice humana que pode ser amada por uns, desprezada ou injustiçada por outros.

Kim (Winona Ryder) é uma das poucas que de fato percebe Edward como se fosse um humano e Edward por sua vez se apaixona pela garota que sabe que não pode abraçá-la, por mais que queira. Johnny Depp, apesar de dizer somente 169 palavras no filme todo, ganhou destaque e marcou sua carreira interpretando o sombrio Edward, ganhando aí um passaporte da alegria eterno com Burton entre decepções e acertos posteriores. Winona é morna, como acredito que é em quase todas atuações, mas cumpre a sutileza e traços doces que seu personagem traz, intercalando uma leve maquiada perversão para se aproveitar de Edward, como os outros.

E aqui temos ainda a honrada e última aparição de Vincent Price (um ídolo de Burton que já havia dublado um primeiro curta stop motion do diretor em 82), como o inventor de Edward, que morre antes de finalizá-lo, deixando tesouras tão afiadas quanto as Facas Ginso no lugar das mãos.

Edward Mãos de Tesoura faz parte da série: Filmes dos anos 80 que  você assiste hoje em dia, e produz o mesmo efeito. Ou seja, é uma pintura conceitual e atemporal, passível de discussões ao redor de seu tema de pano de fundo, uma obra de arte daquelas que Burton nunca mais será capaz de construir outra igual. E por mais bizarros que sejam seus personagens posteriores, nenhum se compara a Edward.

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♫ Danny Elfman – Beetlejuice Main Theme

Bom dia meninada! Como a segunda-feira é um dia adorável para todos, ainda mais pra quem não pegou férias no final de ano, vamos a trilha da semana!

Desta vez com uma composição de Danny Elfman, parceiro de longa data de Tim Burton, um artista que faz trilhas magníficas e ex-integrante do Oingo Boingo.

Bem verdade, que chegou um ponto onde a musiquinha de Danny Elfman e os bichinhos bizarros de Burton já estavam manjados demais para nos cativar. Mas, essa trilha do filme Os Fantasmas se Divertem de 1988 segue a linha da música da intro do desenho e é uma das melhores que Elfman compôs. Então vamos lá!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

♫ Marilyn Manson – This is Halloween

Na realidade, essa é a trilha do Stop Motion de Henry Selleck “O Estranho Mundo de Jack”. Aí o Marilyn Manson resolveu fazer uma versão mais monstruosinha da música. Ou seja, o filme virou trilha da música pro Marilyn, sacou sacou?? Legal essa versão porque é muito mais esdrúxulo que a original com a voz do Marilyn sintetizada daquele jeito típico. Enfim, a música original foi composta pelo Danny Elfman (um gênio) em 1993. E toca logo na intro da animação, até como uma cena explicativa e introdutória para o começo da história.

O Estranho mundo de Jack é um stop motion de 1993, produzido pelo Tim Burton que tamb;em ganha todos os créditos pelo mundo afora (mainstream) apesar da direção ter sido do Henry Selleck. Todo natal passa essa animação na TV, mas ela casa muito melhor com o Dia das Bruxas. Seria minha animação preferida, mas outras já entraram no caminho =) Enfim, vamos ao Marilyn!

♫”I am the clown with the tear-away face
Here in a flash and gone without a trace
I am the “who” when you call, “who’s there?”
I am the wind blowing through your hair”♪

A ausência de Burton

Não diria talvez “a ausência do ‘verdadeiro’ Burton”. Verdadeiro pode ser relativo…Podemos definir como “o talentoso” Burton, ou o Burton que nos deu grandes filmes. Mas, alto lá você que começa a ler este texto! Este não é sobretudo um post que fala o quão Tim Burton tem errado nos filmes, ou o quão o diretor caiu na mão do mainstream, ou o quanto eu gosto ou desgosto do diretor. Antes de alimentarmos discórdia talvez por incompatibilidade de opniões em excesso, deixe-me esclarecer que até alguns anos atrás, Tim Burton era mais que um grande diretor para mim. Era um ícone que eu tinha como referências para muitas coisas, da mesma forma em que o diretor utiliza o Expressionismo Alemão ou Edgar Allan Poe para suas referências. Se falo aqui um texto demasiado polêmico, falo como uma pessoa que admira o trabalho do diretor e questiona certos trabalhos dele, bem como sua posição atual, e não engulo a máxima de que Burton é a perfeição do cinema, seja fazendo um Edward Mãos de Tesoura ou um Alice no País das Maravilhas. Eu, Natália, comparo sim, e eu Natália, sendo fã de Tim Burton, não nego que este último filme é um verdadeiro lixo. E sim, vou exorcizar meus demônios neste post, agora…

O primeiro Stop Motion de Burton, foi um curta metragem de 82, intitulado de Vincent, um garoto que desejava ser como Vincent Price. Curto, porém super conceitual, a animação narrava pelo próprio Price um poema de autoria de Burton sobre suas dores soturnas e seus desejos oriundos de uma mente carregada de dramas e crises existenciais. Alí, você já vê os primeiros detalhes gráficos e elementos visuais que caracterizam a identidade visual da maioria dos trabalhos do diretor: Objetos irregulares, nomes de personagens esquisitos, escalas de cinza, olhos grandes e expressivos com olheiras porém dotado de um carisma formidável.

Não demorou muito para Tim ser conhecido, ainda na mesma década, Beetlejuice e Batman enfatizam bem sua estética de tal modo que com o Stop Motion de 93, O Estranho Mundo de Jack, dirigido por Henry Selleck até hoje é confundido por leigos que acreditam ser do próprio Burton a direção por apresentar os padrões de bizarrice e carismas iguais.

Contudo, se é para falarmos de obra prima, ou melhor dizendo, se é para citarmos um fundamento, muito mais do que simplesmente composições visuais (até porque é provado que nós amantes de cinema não nos alimentamos só disso) nós temos um dos melhors filmes de Tim Burton, se não um dos melhores filmes já feitos, o clássico e apaixonante Edward Mãos de Tesoura. Aqui Burton faz valer que forma e função andam juntos, dando um sentido muito maior do que o bonito para o contraste do colorido saturado da vizinhança com a figura monocromática e gótica de Edward. Contudo, apesar da bizarrice esdrúxula, Edward tem um bom coração. Aliás, um coração muito maior do que os demais “coloridos”da região. Edward é um filme que traz uma história atemporal, ultrapassando etnias, tempo, cultura. É sobre você ser diferente. E até então, Tim Burton era um deles. E o melhor de tudo é que as poucos, podemos saborear um Burton que mostrava seu talento não somente para o soturno mórbido. Havia bizarrices nas fantasias, nos sonhos, e na nossa capacidade de imaginar. É aí que Peixe Grande se encaixa.

Enfim, a carreira de Tim foi marcada com muito altos e baixos em suas três décadas de atuação. Mas, afinal, porque não perdoarmos quando um diretor comete erros, não? Muitos outros diretores já passaram por empreitadas infelizes, nem por isso foi-lhes tirado o mérito como bons profissionais que são. Mas, vamos com calma… Minha indagação consiste mais no que passa pela cabeça do grande Burton atualmente, do qua na dúvida sobre irá ele errar ou não o próximo. Afinal, isso nada mais é do que consequencia da primeira questão…

Sweeney Todd foi um bom filme. Não precisou muito esforço na parte conceitual considerando que o filme é um remake de um mal feito antigo e também de uma ópera do mesmo nome. Toda a dramatização do longa já estava lá. O toque final de Burton foi adequar novamente sua estética para o filme, acentuando aqui e ali destaques peculiares, seja no contraste vermelhão do sangue com os tons frios de toda a cena, seja no cômico episódio de Depp com roupas de banho a la Beetlejuice. E ao meu ver, ele acertou muito bem, considero Sweeney Todd, seu último melhor filme, embora ele não carregue um sentido tão profundo quanto Peixe Grande ou Edward.

Mas foi a partir daí quando Tim voltou com tudo para a Disney que o negócio começou a feder. Nada contra a Disney, mas a fantasia da Disney com a fantasia de Burton não se convergem: o resultado disso é uma história boba carregada de uma fotografia e uma “carcaça visual” tão rica em detalhes e imagens que Burton passa a atrair mais as crianças dos olhos brilhantes, que os amantes de suas histórias estapafúrdias.  Foi o que aconteceu com Alice no País das Maravilhas: o Mainstream caiu matando, ficou aquele vuco vuco todo, com todo mundo aguardando fervorosamente a estréia (inclusive eu) e como em muitos outros casos em que alimentamos muita expectativa, veio uma enorme decepção. Aliás, quando me refiro a uma “história boba”, não me refiro ao clássico irretocável de  Lewis Carroll, e sim ao roteiro mal conduzido e com final xoxo desta adaptação, onde nem os personagens por mais talentosos que sejam conseguem fazer milagres. Você via os coloridos fortes de Edward mãos de Tesoura, você via a música trevosa de Danny Elfman, a brilhante Helena Bonham-Carter, os trejeitos carismáticos de Johnny Depp. De resto, era só um vazio. Você não via Burton ali, porque bichinhos bizarros e coloridos, você pode ver em “Avatar” se sentir necessidade, o que queriamos ver de Burton era muito mais além da imagem.

E com a estréia de Alice, eu senti um luto muito diferente do que nos filmes infelizes do diretor. Porque daí em diante surgiam boatos cada vez mais ridículos como “remake de A Familia Addams”ou a “versão trevosa da bruxa Malévola”. Taí a Disney querendo botar pra f*** e acabar de vez com Burton. Afinal, que coisa chata é essa de dar um toque “buuu” para todos os filmes porque a galera se encanta? Que coisa chata é essa de remake em stop motion de A Familia Addams se a própria história já possui bizarrice por si só numa comédia que chega a ser única? Burton parece estar sobrevivendo de estética batida, seus atores fixos, seu fiel Elfman e suas redundâncias que dessa vez, não constam fundamentos mais. E redundâncias sem fundamentos não tem graça. Seja uma bela composição de Burton, um belo arranjo musical de Dany Elfman, uma perfeita atuação de Helena como quase sempre, sem conceito Burton, a gente enjoa dos seus bichinhos psicodélicos, e a gente lamenta a qualidade que foi deixada lá trás, e reavivemos Edward Mãos de Tesoura assim como reavivemos qualquer outro filme magnífico cujo diretor deixou de produzir novas peças após isso.

E perdoem-me o drama que fiz nesse texto todo, mas enfim. Haverá outra peça rara de Burton daqui pra frente? Vocês acreditam nisso?

Top 10 Personagens de Tim Burton

Saudações!

Quem me conhece, sabe que Tim Burton é o meu diretor número 1. Não que não houvesse melhor, evidente. Há diversos bons diretores, responsáveis por filmes inesquecíveis, e seria um tanto quanto exagerado julgar o Burton ser o melhor de todos.

Mas o que faz eu ter essa admiração, é não só a identificação que tenho com seu estilo esdrúxulo, bizarro ao mesmo tempo carismático, mas como também a linguagem visual que ele domina em praticamente todos seus trabalhos.

Apesar do fracassado roteiro de Alice (que tem uma composição visual perfeita), muitos filmes dirigidos ou produzidos por Burton, traz um personagem cativante, não só por suas esquisitices como também pela mensagem que é passado através destes.

Então aqui vai a minha lista dos 10 melhores personagens de Burton. Créditos não somente para Burton, mas para o ator-atriz que representou cada um, de uma maneira peculiar…

Então, vamos lá!

10 – Victor Van Dort – A Noiva Cadáver (2005)

“With this candle… I will set your mother on fire.”

Victor é um personagem meio banana, mas faz parte de sua característica cativante.

Me faz lembrar muito Ichabod, de Sleepy Hollow (outro banana). De qualquer forma, ele é engraçado ao mesmo tempo que é atrapalhado.

Ao contrário do que podemos imaginar, os bonecos não são feitos de massinha neste Stop Motion. São bonequinhos mesmo, muito bem feito por sinal, e eu me atrevo a dizer que apesar de elementos de um personagem deste estilo onde possui características físicas que são exageradas para dar ênfase e um ar mais cartoon (como os olhos gigantes de todos), Victor parece um Vincent crescido (Falarei de Vincent mais adiante).

Não é bem o meu personagem preferido, mas tem lá seu charme, o que explica sua colocação…

09 – Red Queen – Alice no País das Maravilhas  (2010)

“Off with their heads!”

Em minha singela opinião, nenhum personagem de Alice é tããooo cativante. E isso não é culpa dos personagens, considerando o talento contrastante de Helena e Depp (nada a declarar daquela loirinha protagonista). Eu acho que o problema tá na história…

Mas voltando ao foco, A Rainha Vermelha é um dos melhores personagens não só pelo temperamento forte que ela passa, como a própria composição visual do personagem: Praticamente um cartoon, sem ser. Figurinha exótica, cabeçuda, nanica malvada e meio fútil. Adorei ela, e se não fosse por Helena Bonham-Carter não haveria mais ninguém capaz de representar este papel. A atriz domina.

08 – Jack Skellington – O Estranho Mundo de Jack  (1993)

“And I, *Jack*, the *Pumpkin King*, grow tired of the same old thing.”

Uma pena que muitos vejam O Estranho Mundo de Jack como um filme de Burton e quando descobrem que ele é o produtor somente, fica por isso mesmo. A realidade é que Henry Selick é tão genial quanto Burton no quesito bizarrice. Se Coraline tivesse uma relação com Burton, colocaria ela aqui na lista também…

Adoro este Stop Motion porque ele tem um ar diferente dos demais atuais que assistimos. Os personagens tem um andar meio tosco, que o mais incrível é que combinam com eles e com a animação.

Jack é um personagem bem desenhado: Pernas gigantes e fininhas, terninho finesse de risca de giz, gola de morcego, cabeça de abóbora, boca rasgada, buracos pretos no lugar de olhos, enfim, tantos elementos pitorescos e no entanto, dotado de um carisma do começo ao fim.

07 – Ichabod Crane – A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça (1999)

“I see…”

Taí o meu personagem banana preferido!

E Johnny Depp foi mestre para representar este. Os espasmos, gagueira, enfim a crise de medo e até mesmo suas expressões tentando ser convincente a respeito de sua coragem. No fim ele acaba sendo, coisa previsível, mas de qualquer forma, durante o filme, todo cenas com ele dando uma de espertão ou desmaiando por causa da aranha são algumas das partes legais… fora as engenhocas e apetrechos de exames que ele utiliza…

06 – Coringa – Batman  (1989)

“Haven’t you ever heard of the healing power of laughter?”

Foi Heath Ledger o responsável por tirar o trófeu Jóinha de melhor Coringa das mãos de  Jack Nicholson…  O ator é bom em muitíssimos filmes, e convenhamos, como Coringa também. Mas, eu devo admitir que Ledger levou a melhor. Ele conseguiu ser mais louco, mais insano, mais ruim, mórbido, sarcástico, irônico… opa! Estávamos falando de Nicholson como Coringa né?  Deixemos o Ledger para um post especial depois então =)

As risadas dementes, e expressões assustadoras, faz o Coringa sempre dar um destaque. Sem dúvida, um dos melhores vilões dos HQ´s…

Bom, não tem mais o que falar… Jack Nicholson é foda… Mas não mais como Coringa… (eu tentei).

05 – Beetlejuice – Os fantasmas se divertem (1988)

“I’m a ghost with the most, babe.”

Fato é que o BeetleJuice do desenho é mais charmoso e até menos encardido. Eu tinha medo desse Beetlejuice representado por Michael Keaton, mas até que deu certo a atuação.

Aliás, Keaton (que deve estar numa fase ruim) até deu umas indiretas diretas querendo uma continuação do filme. Eu particularmente morro de medo de continuações ou remake… Muito perigoso e em alguns casos, o resultado sai um desastre e prejudica até o que poderia ser eterno. Mas, enfim… a gente aguarda maiores detalhes né? Só acho que o ator tá meio idoso pra ser novamente o Besouro Suco…

 

04 – Vincent- Vincent (1982)

“His voice was soft and very slow,  As he quoted The Raven from Edgar Allan Poe, ‘And my soul from out that shadow that lies floating on the floor, Shall be lifted – Nevermore!'”

Trágico, apaixonante,  com referências claras de Expressionismo Alemão! Vincent consegue ser cativante em 6 minutos!

Primeiro Stop Motion de Burton, um curta de 1982 onde é narrado pelo “deus ” Vincent Price (Inventor de Edward, voz da intro de “The Number of the Beast” do Iron Maiden, sim ele mesmo!) a história de um garoto chamado Vincent Malloy que sonha ser Vincent Price.  A narração é uma espécie de poema feito pelo próprio Burton, e é como se fosse um curta auto-biográfico até… Existe uma dramatização ao mesmo tempo que é meigo nessa animação. Pura essência de Tim Burton!

 

03 – Ed Bloom – Peixe Grande (2003)

There are some fish that cannot be caught. It’s not that they are faster or stronger than other fish, they’re just touched by something extra.

Tanto o jovem Ed (Ewan McGregor) quanto o mais velho (Albert Finney) trazem para o personagem um rosto sonhador, uma mente que viaja na imaginação e por mais que seja criticado por isso, não desiste nunca. Peixe Grande é uma linda relação que envolve a imaginação em contar histórias daquelas que todo mundo diz ser “histórias de pescador” (o nome seria então uma metáfora bem bolada, certo?) e na descrença que as pessoas tem disto tudo. Ou mesmo de sonhar… é o caso do filho de Ed que passa todo o início num ceticismo e numa ausência de tolerância para o que não parece real.

As cores fortes e saturadas deste filme, principalmente na cena das flores, é uma característica que adoro ver nos filmes de Burton. Em alguns casos, elas transmitem um conceito esmagador (veja em Edward…).

Ed Bloom é um personagem que sonha do começo ao fim. Há quem diga que ele minta, contando histórias que não existem. Mas, há quem diga que ele dá esperança. Qual seria sua opinião sobre Ed Bloom?

 

 

02 – Todd – Sweeney Todd – O Barbeiro demoníaco da Rua Fleet (2007)


“♫ I will have vengeance. I will have salvation… Who, sir? You sir!No one’s in the chair. Come on, come on! Sweeney’s waiting. I want you bleeders. ♪”

 

Baseado na ópera homônima, Sweeney Todd é meu preferido de Burton. A melhor das fotografias, e isso é puro gosto pessoal, mas simplesmente amo o tom gélido do filme inteiro com aquele sangue 100% escarlate contrastando tudo! Parece uma pura neura de designer, mas na realidade esses detalhes visuais fazem todo o sentido e transmite toda a idéia.

E o personagem… Olhe para ele. Seu olhar trasmite exatamente o que se pretende e o que conta na história:  raiva, vingança, rancor. É assim o filme todo e no fim, uma ruptura: Você vê nos olhos de Sweeney angústia e amor! (OhhhH!).  Apesar de tudo, ele carrega uma essência cômica que Depp é mestre em fazer principalmente em parceria com Tim. Destaque pra cena de Todd na praia com aquele Maiô Beetlejuice… demais!

 

 

01 – Edward – Edward, mãos de tesoura (1990)


“Kevin, you wanna play scissors, paper, stone again?”

 

Quem consegue assistir este filme sem amar Edward? Ou sem sentir pena, e compaixão por uma figura tão cavernosa e doce ao mesmo tempo?

Pra mim, é uma obra prima que Burton conseguiu criar. E, vamos falar de contraste de novo…

Tudo é puro colorido, o bairro todo… e só Edward é a figura negra cheia de metais. Essa é uma analogia na verdade de tudo aquilo que foge do padrão normal que não se adequa a todas as cores e é visto como sombrio. Edward é a personificação da esquisitice humana que pode ser amada por uns, desprezada ou injustiçada por outros. E quão não é o sentimento de repulsa à injustiça em que Edward sofre. Mas eu lhes digo: Vi muita gente ser injustiçada pelo o que é… E muita gente que achou o filme bonitinho, não consegue ver que possui comportamentos similares ao de Jim com alguma figurinha estranha do passado… (seria meu trauma de nerds anti-social dos anos 80 aflorando o.O?).

Sairemos então do lado pessoal. Edward se fode no filme todo, desde o começo quando seu inventor morre antes de finalizá-lo. Mesmo na cena em que ele se revolta, ele ainda sim é cativante. Mas ainda sim, infeliz…

Alice no País das Maravilhas (2010)

“Off with their heads!”

Sim! Estou atrasada para esta crítica, mas eu não posso ignorar a passagem deste filme… Então vamos lá.

Posso parecer suspeita pra falar, considerando a admiração que tenho pelo Burton e em sua capacidade de fazer uma linguagem perfeita para os filmes, mesclando algo soturno, com lúdico, e deixar tudo isso com ares amigáveis.

Mas a realidade é que apesar da fotografia maravilhosa do filme, o elenco fenomenal (Helena Bonham-Carter divina em sua performance de vilã como sempre – por isso que botei ela invés do poster standard), o filme deixou a desejar e ocorreu aquilo que eu temia:  Muita expectativa pra nada.

E quando digo isso, me refiro somente e unicamente à história… o que já basta não?

Uma, que o Burton da uma mega viajada… A idéia é que o filme não seja uma refilmagem da história original, e sim, uma espécie de continuação… Desta forma, a Alice volta para a Wonderland, que nada mais é do que “Underland” o que parece que a menina deve ter ouvido demais da vez anterior que foi parar por lá. A idéia é até interessante, pois retrata um país que de maravilhoso não tem nada, tudo um caos, ainda mais com a Rainha vermelha comandando tudo.

Claro que a Rainha Vermelha ao mesmo tempo que parece que arruinou toda a vida das pessoas de “Underland” ela também salvou o filme, porque a Rainha Branca é tão enjoativa que eu cheguei a torcer pelo lado “escarlate da força”…

A atuação da Alice, não tem nada de mágico. O Risonho é engraçadinho mas não passa muito disso. Quanto ao Chapeleiro Maluco, é outro personagem muito bem executado e estruturado do filme. Toda a linguagem visual criada para o personagem foi baseada em estudos e referencial teórico que Depp e Burton pesquisaram. Até mesmo o cabelo laranja do Chapeleiro, traz referência com a cola de sapateiro, que possui em sua composição o Mercúrio, do qual muitos chapeleiros e sapateiros da época, morriam envenenados. Genial né? Essa é a parte do Burton que eu acho fodástica!

Agora, voltando ao roteiro… Sabe aquelas aventuras que ocorrem de forma tão rápida que fica difícil você imergir na história? Tudo tem bastante ação, o que de certa forma faz o filme ser interessante por um lado, mas por outro, as coisas se desenrolam tão rápido que fica aquela sensação de que nenhum personagem te cativou (com exceção, é claro, do Chapeleiro Maluco) e que não houve nenhuma história exatamente.

Bem verdade, que existem características muito legais dos personagens que até chega a te cativar, mas você sente falta de um fundamento maior. E aquela historinha pra boi dormir de que a Alice era a escolhida para matar o pescoçudo do dragão e trazer a paz de volta para o país? Sessão da Tarde…

Bom, foi tanto vuco vuco pra estréia desse filme nos cinemas, que eu desanimei pra assitir ele na estréia, como faria em qualquer outro filme do Burton. Assisti algumas semanas depois e sai do cinema meio triste querendo ir pra casa logo pra rever “Edward, mãos de tesoura”.

Aliás, torço pro mainstream do Burton acabar logo! Houve rumores de que ele ia refilmar em versão Stop Motion “A Família Adams” o que desconfiei logo de início… Claro, que iria rolar este papo, afinal “os sinistros Adams com Burton tem tudo a ver né?” Não! Sou a favor de manter na lembrança aquilo que já é imortal e não refazer algo pra estragar tudo. Se A Família Adams já é sinistro e perfeito por si só, pra que raios o Burton refilmar? Ok, desfoquei um pouco, mas foi um desabafo… Continuo numa próxima…

Até mais!